Publicado em: 01/06/2022
O Paraná celebra seu primeiro ano como área livre de febre
aftosa sem vacinação com todas as condições reunidas para ampliar a
competitividade no mercado internacional de proteína animal. A afirmação foi
feita nesta terça-feira (31) pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior
durante uma cerimônia, no Palácio Iguaçu, que marcou um ano da certificação
concedida pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), em 27 de maio
de 2021.
“Foi a maior conquista do agronegócio paranaense nos
últimos 100 anos. Desde 1958 o Paraná buscava essa certificação, um selo de
qualidade e sanidade animal que permite acessar países, principalmente na Ásia,
que não compravam a carne do Estado por causa da vacinação”, disse Ratinho
Junior. “Mais do que um grande produtor de alimentos, queremos ser o
supermercado do mundo para industrializar tudo o que produzimos. Fazer com que
a matéria-prima passe pela indústria e chegue ao exterior embalada e congelada”.
Além do status sanitário, conquistado com a ampliação da
vigilância e defesa sanitária, principalmente após a criação da Agência e
Defesa Sanitária do Paraná (Adapar), outros fatores tornam pecuária paranaense
cada vez mais competitiva. O Estado é o maior produtor de proteína animal do
País, com a produção de 6,213 milhões de toneladas de
carnes bovina, suína e de frango no ano passado.
Mais de 2 milhões de toneladas de produtos de origem animal
foram exportadas pelo Paraná em 2021, incluindo lácteos e pescados, o que somou
US$ 3,4 bilhões (R$ 16,2 bilhões na cotação atual) na balança comercial, de
acordo com as estatísticas do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento.
“Isso é fruto de um trabalho estratégico que vem do
passado, mas que também inclui muito o olhar do nosso governo para consolidar o
Paraná no mercado internacional de alimentação”, salientou o governador. “Essa
conquista, que atende todo o agronegócio do Paraná, abre um mercado gigantesco,
de bilhões de dólares, que reflete na geração de emprego e na atração de
investimentos de agroindústrias que querem se instalar no Paraná”.
INVESTIMENTOS – Para isso, destacou Ratinho Junior, o
Estado investe em áreas estratégicas para a produção do campo, com forte
destaque para a infraestrutura e na agilidade dos processos de licenciamento
ambiental em propriedades rurais, por meio do programa Descomplica Rural.
Na melhoria da infraestrutura rural estão programas como
o Paraná Trifásico, da Copel, que está instalando
25 mil quilômetros de redes trifásicas no campo, beneficiando agroindústrias,
granjas e outros empreendimentos que precisam de um reforço no sistema. O
Governo do Estado também investe R$ 304 milhões para a pavimentação de 1.000 quilômetros de
estradas rurais em 202 municípios.
Na outra ponta, os investimentos para melhorar a eficiência
do Porto de Paranaguá e o projeto da Nova Ferroeste, estrada de ferro ligando a
cidade de Maracaju (MS) ao litoral paranaense, garantem mais agilidade para
levar a produção ao mercado internacional.
ABERTURA DE MERCADOS – O secretário estadual da
Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, afirmou que com a quantidade
de produção, qualidade e sanidade reconhecidas, o Estado busca agora exercitar
a habilidade comercial para fincar a bandeira paranaense no mercado mundial.
“Este último ano foi de construção de oportunidades. Todo o
esforço feito pela sociedade paranaense ao longo de décadas foi para obter uma
perninha para o nosso processo de internacionalização da nossa produção”,
disse.
“O nosso desafio era mostrar uma cara limpa para o mundo,
mostrar que o ambiente de produção está resolvido para peste suína clássica e
para aftosa. Isso é um baita passaporte para o mundo”, ressaltou. “Esse
reconhecimento beneficia a exportação do frango, peixe congelado e outros
produtos, como os lácteos, com vista aos mercados mexicano, sul-coreano,
japonês e tantos outros do Leste Asiático”.
VIGILÂNCIA – A manutenção do status sanitário depende
de uma atenção constante no sistema de vigilância dos rebanhos, trabalho feito pela
Adapar através do monitoramento de animais, mas que conta com a participação
também dos produtos, com a atualização cadastral dos plantéis.
Para reforçar essa estrutura, o Governo do Estado nomeou novos profissionais para
trabalhar na agência e também anunciou a abertura de um processo seletivo para
a contratação de técnicos agrícolas.
“Deixamos o amuleto da vacina e passamos a ter a vigilância
com ponto focal. Teremos mais profissionais cuidando de nossas fronteiras e
grandes investimentos na agroindústria, especialmente na área da suinocultura”,
afirmou o diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins. “Isso mostra que
esse selo não é só para pôr na parede, mas para vender os produtos do Paraná
para o mundo. E fazendo constantemente a vigilância, vamos ter oportunidade de
vender melhor”.
Segundo ele, a fiscalização inclui tanto o trânsito
interestaduais de animais, como o monitoramento das áreas de fronteira.
“Estamos neste momento com uma operação na fronteira, que é a área mais
vulnerável hoje pelos estudos da epidemiologia, para a não entrada de animais
irregulares”, explicou Martins. “Temos todos os postos de fiscalização do
chamado Arco Norte, entre o Mato Grosso do Sul e São Paulo, dois estados que
ainda vacinam os rebanho, para que não entrem animais vacinados no Paraná”.
SETOR PRODUTIVO – A competitividade da pecuária
paranaense abre espaço para investimentos das cadeias de produção de carne e
outros alimentos de origem animal. Um exemplo são as cooperativas
agroindustriais, que preveem investir cerca de R$ 4,2 bilhões neste ano, sendo
R$ 700 milhões somente no abate de suínos.
“A certificação já está trazendo reflexos nas relações
comerciais. De nada serviria tanto esforço para conquistar o selo de área livre
de aftosa sem vacinação se não fosse para compactuar novos negócios”, afirmou o
presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken. “Estamos ampliando nossa
relação com o mercado porque temos que nos pautar pela demanda”.
As indústrias do setor também estão ampliando sua
participação no Paraná. Em Laranjeiras do Sul, na região central do Estado, a
empresa Agro Laranjeiras está investindo R$ 377 milhões para a implantação de
uma unidade de leitões, com a expectativa de gerar até mil empregos.
“Vamos produzir até 20 mil leitões por semana para atender
as indústrias estabelecidas no Paraná. Viemos para cá porque é o estado que
mais cresce e que teve o maior salto tecnológico na suinocultura no Brasil”,
afirmou Jorge Munari, acionista e desenvolvedor do projeto. “Ao atingir a
qualidade sanitária e manter um sistema sólido de vigilância, isso só tende a
crescer”.
PRESENÇAS – Participaram da solenidade os secretários
estaduais do Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas, Augustinho Zucchi; e do
Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, Everton Souza; os presidentes do
Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Natalino Avance de
Souza; da Ceasa-PR, Éder Bublitz; da Faep, Ágide Meneguette; do Tecpar, Jorge
Callado; da cooperativa Witmarsum, Artur Sawatzky; da Associação Paranaense de
Suinocultores, Jacir José Dariva; da Associação dos Médicos Veterinários, Cezar
Amin Pasqualin; da Associação Paranaense de Criadores de Gado Holandês, João
Guilherme Brenner; os superintendente de Relações Institucionais, Fabiano
Lazarino Antunes; e de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona;
superintendente estadual do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, Cleber Oliveira Soares; e os deputados estaduais Anibelli Neto,
Doutor Batista, Guto Silva, Márcio Nunes, Tiago Amaral, Jonas Guimarães e
Wilmar Reichemback.
Fonte: Governo do Estado do Paraná / Foto: Gilson Abreu/AEN