Publicado em: 07/10/2022
Olhar a sustentabilidade de forma ampla, aliando políticas
econômicas e regulatórias com o compromisso climático. Esse foi o foco do 2º
FIT (Fórum ITL de Inovação do Transporte – Fontes Alternativas de Energia no
Transporte), realizado nessa quarta-feira (5), na sede da CNT, em Brasília
(DF). O evento, promovido pelo ITL (Instituto de Transporte e Logística),
reuniu especialistas e agentes públicos em um debate amplo sobre a busca de
novas fontes de combustíveis e renovação de frotas, embaladas em um pacote de
inovações que sejam economicamente viáveis e escaláveis e que possam apontar o
caminho para os atuais desafios do transporte. O FIT foi realizado em formato
híbrido e contou com o patrocínio do Itaú e do BYD. Na abertura do evento, o
presidente do Sistema CNT, Vander Costa, destacou que a Confederação Nacional
do Transporte sempre atuou para fomentar o debate sobre a necessidade de
desenvolvimento de novas tecnologias e inovações que possam trazer crescimento
contínuo ao transporte brasileiro. “O objetivo desse Fórum é reunir o poder
público, transportadores e os principais
players desse mercado para chegarmos a uma rota de novas soluções. A
nossa preocupação com as emissões de carbono sempre foi grande e, em visita
recente à Alemanha, pudemos ver de perto como a Europa já possui inovações em
termos de combustíveis limpos, como o biometano, o hidrogênio, além de outras
formas e fontes de energia.” O
presidente Vander Costa ainda destacou a atuação do Despoluir – Programa
Ambiental do Transporte, desenvolvido pela CNT e pelo SEST SENAT em parceria
com as federações de transporte de cargas e de passageiros. O programa, que
completou 15 anos em 2022, tem se consolidado como grande parceiro dos
transportadores por meio de diversas ações que promovem o bem-estar, mudam
mentalidades e multiplicam conhecimentos. Saiba mais sobre o Despoluir aqui. https://www.despoluir.org.br/home/
Participante do evento, o ministro da Infraestrutura,
Marcelo Sampaio, frisou que a agenda de sustentabilidade e de infraestrutura
precisa do carimbo de uma agenda verde e sustentável. “Temos que diversificar a
matriz energética, com matrizes renováveis e limpas. No setor ferroviário, já
estamos diminuindo as emissões. Além disso, a Petrobras irá fazer aportes de
renovação da frota de caminhões no Programa Renovar”, afirmou ele. Na mesma
linha, seguiu o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, o qual destacou que o
Ministério irá buscar soluções climáticas lucrativas para o empreendedor, a
natureza e as pessoas. “Somos parceiros do setor privado. Um exemplo é o fundo
do clima que será usado para biometano e hidrogênio verde. São soluções
inteligentes. Também retiramos os impostos do Programa Metano Zero, que irá
produzir biogás e biometano. Temos, ainda, uma oportunidade de reduzir as
emissões do setor de transporte com uma receita de crédito de carbono. Vamos
sair do passivo para o ativo.”
Durante o primeiro painel do dia (COP26 no Brasil -
neutralizando as emissões do transporte), o papel dos combustíveis na questão
climática foi o tema central. A diretora de Relações Institucionais da Abear
(Associação Brasileira das Empresas Aéreas), Jurema Monteiro, citou que
questões ligadas à infraestrutura e ao meio ambiente sempre estiveram no radar
da associação. “Estabelecemos metas para reduzirmos os níveis de uso dos
combustíveis fósseis e, como alvo, temos a neutralização total das emissões até
2050. Já estamos estudando o SAF (Combustível Sustentável de Aviação, da sigla
em inglês), considerado uma alternativa sustentável aos combustíveis fósseis,
que pode ser obtido por meio do refino de algas, resíduos agrícolas, óleo de
cozinha, entre outros. Ele reduz em até 80% as emissões de CO2 em comparação
com o combustível tradicional”, explicou ela.
O segundo painel do dia (Cenário global de energia renovável
no modal rodoviário) trouxe para o centro do debate as experiências que já
estão sendo utilizadas em diversos países. “Estabelecemos metas de redução dos
gases no setor de transporte em 50% até 2030. A principal medida para alcançar
essas metas é a difusão de fontes alternativas para carros, caminhões e
ônibus.” Por outro lado, hoje, temos fontes como o hidrogênio, que diminui em
90% as emissões de poluentes, citou o representante do ICCT (International
Council on Clean Transportation), Oscar Delgado, advertindo que a transição
para zero emissão no setor de transporte irá acontecer gradativamente. “Virá
junto com as inovações tecnológicas, somadas à criação de padrões de eficiência
e emissões.”
Como amostra do desafio, dados da Confederação Nacional do
Transporte mostram que operam, atualmente, no Brasil, no segmento de cargas,
cerca de 266 mil empresas. Como resultado, a frota do setor é de 2,5 milhões de
veículos, entre caminhões e implementos rodoviários. Essa é a realidade que
também se apresenta na Europa, como destaca Johannes Thomas, adido econômico da
Embaixada da Alemanha. De acordo com ele, atualmente, cerca de 20% das emissões
na Alemanha são advindas do setor de transporte. Na parte da tarde, o 2º Fórum
ITL promoveu o painel “Novas fontes para a descarbonização”. Para a diretora
executiva do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), Valéria Moroso Lima,
o petróleo está no centro do problema e também da solução. Na visão dela, o setor
petrolífero investe em pesquisas de novas fontes de combustíveis. “Hoje, o
maior problema das emissões no Brasil está no uso do solo e na agricultura. E o
setor de energia responde por 29%, onde o transporte é o que mais polui, assim
como em todo o mundo.” Porém, a diretora
pondera que o Brasil já utiliza misturas no combustível que diminuem as
emissões. “Já temos um combustível relativamente mais limpo.”
O gerente executivo de Desenvolvimento de Caminhões, da
Scania, Mauricio Torrão, destacou que o desafio da descarbonização não é mais
uma opção, e, “sim, uma necessidade e que ela passa por entender como os
setores se encaixam para melhorar o processo”. Já o consultor de Operações de
Transportes da BYD, Bruno Paiva, apontou que os entraves para a mudança de
frotas para os elétricos estão, principalmente, no setor de transporte de
cargas e passageiros. “O custo, o financiamento e a infraestrutura são os
gargalos. Em relação aos ônibus, já estamos nacionalizando a produção.” Por
outro lado, Paiva citou que o interesse pelo elétrico aumentou com o aumento do
custo do diesel. “O transportador começou a procurar os caminhões elétricos
para entender como eles funcionam.” O encerramento do Fórum tratou do tema “A
mobilidade do amanhã”. Para Maria Constantino, diretora executiva de ESG do
Grupo Comporte, o futuro é a mobilidade sustentável. “Sempre tivemos como pauta
a parte social. A mobilidade é essencial para uma cidade. Mas é preciso rever o
modelo de negócio”, destacou ela. Essa opinião é compartilhada por Martin
Eggenschwiler, conselheiro na Embaixada da Suíça no Brasil. “Na Suíça, o
transporte também é visto como um bem social, com políticas públicas e privadas
em consonância com as novas tecnologias.”
CNT lança calculadora
de pegada de carbono
Durante o evento, a CNT lançou uma plataforma de
descarbonização inédita para o transporte. A Verden ESG ajudará o transportador
a saber sobre suas emissões e como neutralizá-las para contribuir com a
qualidade do ar no Brasil.
Saiba mais sobre a
ferramenta aqui. https://www.cnt.org.br/agencia-cnt/cnt-lanca-plataforma-de-descarbonizacao
Veja aqui a íntegra do 2º Fórum ITL de Inovação do
Transporte.
Fonte: NTC&Logística / Foto: Divulgação/NTC