Publicado em: 09/03/2022
O transporte de
cargas corre o risco de ficar mais caro por conta do aumento dos combustíveis de
navegação, um dos efeitos da guerra na Ucrânia. Vice-presidente da Federação
das Indústrias do Pará (Fiepa), José Maria Mendonça afirma que os impactos
econômicos já começaram neste segmento. “O principal fator é o receio. Quando o
empresário trabalha com medo o preço aumenta. É igual banco. Se ele te empresta
dinheiro e não te conhece, o spread bancário fica lá em cima. Se conhece,
baixa. Todas essas notícias difíceis fazem com que os empresários fiquem com o
pé atrás. Isso gera aumento”, pontua.
Em
segundo lugar, outro fator que pode resultar no aumento de preços de fretes no
Brasil é que o abastecimento dos navios não era feito localmente,
segundo Mendonça, já que os combustíveis costumam ser mais baratos em outros
lugares do mundo. Porém, atualmente, esses países estão sentindo as
consequências da guerra nos preços de maneira mais firme, enquanto o Brasil
ainda não foi tão atingido. “Já começamos a sentir aumento sim. A inflação do
combustível não chegou ao Brasil como já está no resto do mundo. Mas os fretes
ficarão mais caros, com certeza. A reação é em cadeia, o mundo é globalizado”.
Com o
aumento no preço dos fretes e no transporte de cargas, há um efeito dominó no
restante da economia, avalia o vice-presidente da Fiepa. Como o setor produtivo
está entrando na entressafra, o escoamento diminui, segundo José. Por isso, ele
defende que é hora de priorizar o transporte hidroviário, que tem custo menor e
sairia mais barato neste momento. O vice-presidente adianta que os empresários
já estão buscando soluções para melhorar o transporte de balsas. “Eles sabem
que vai acontecer, têm que se prevenir. Vai chegar esse aumento e vamos ter que
enfrentar com resiliência. O governo devia criar políticas públicas para
enfrentar esse assunto junto com a gente, porque é inevitável continuar
subindo”.
Nacional
Segundo
a S&P Global Platts, a gasolina e o diesel atingiram recordes históricos na
América Latina após o início do conflito no Leste Europeu. No principal porto
do país, de Santos, já se aproximam dos US$ 1.000 (R$ 5.000) por tonelada, de
acordo com o setor. As companhias de navegação afirmam que hoje a
principal preocupação é essa, porque o segmento já convive com fretes elevados
desde a paralisação da atividade industrial no início da pandemia.
Em
nota, o Centro Nacional de Navegação Transatlântica (CentroNave) afirma que “no
momento, a mais evidente preocupação é o rápido aumento dos custos de
combustíveis". A entidade reúne as 19 maiores empresas de navegação de
longo curso atuando no Brasil e diz que os impactos da guerra no transporte
mundial de contêineres ainda são pequenos e localizados na região do conflito.
"Contudo é preciso ponderar que se trata de um cenário volátil e que a
situação pode mudar rapidamente". Diferentemente da gasolina e do diesel,
em que os reajustes são definidos por um comitê interno da Petrobras de acordo
com a evolução das condições de mercado, os preços dos combustíveis para
navegação são alterados diariamente.
Segundo
a Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac), os contratos de
frete, geralmente, têm cláusulas que permitem o repasse imediato de grandes
oscilações no preço do combustível. "Se o preço não cair no curto prazo,
vai haver impacto tanto na cabotagem quanto no longo curso. E o frete certamente
vai aumentar”.
Fonte: O Liberal / Foto: Retirada do Portal Poder 360