Publicado em: 15/02/2023
Os preços dos fretes rodoviários para transporte de grãos
deverão subir entre 10% e 15% nos próximos dois meses, em razão principalmente
do atraso na colheita de soja e do aumento de produção do grão.
“O ciclo passado foi muito adiantado e o pico de colheita
ocorreu entre o fim de janeiro e o início de fevereiro. Neste ano, com as
chuvas em excesso, os trabalhos voltarão a um ritmo mais normal e a colheita
ficará mais extensa e ocorrerá por todo o país, na mesma época. Como
consequência, haverá disputa por caminhões”, afirmou Fernando Bastiani,
Segundo ele, a rota de transporte entre Rondonópolis (MT) e
Paranaguá (PR) poderá ter preços médios próximos a R$ 400 a tonelada, pico
atingido no ano passado em julho. Na ocasião, além de o Brasil ter acabado de
colher uma safra recorde de milho, havia concorrência com o transporte de
açúcar e os preços dos combustíveis estavam em patamares record e, afastando
alguns caminhoneiros da atividade.
Em contrapartida, o frete de retorno tende a ficar mais
barato agora devido ao escoamento continuo da soja, disse Bastiani.
Para o segundo semestre, as perspectivas são de preços mais
elevados para todo o transporte de granéis. “Juntando o crescimento da
expectativa de produção de soja, milho e açúcar, teremos 38 milhões de
toneladas a mais de produtos. Com o atraso da colheita da soja, haverá carga
remanescente para exportação no segundo semestre, que vai se unir ao escoamento
do milho (segunda safra) e do açúcar”, completou o pesquisador.
Afora isso, outras questões poderão influenciar o preço do
transporte, tais como a política de combustíveis do país - ainda uma incógnita
com o novo governo -, o preço internacional do petróleo e a demanda
internacional por commodities.
Em 2022, levantamento da EsalqLog mostrou que o preço do
frete para transporte de grãos subiu entre 37% e 44% na comparação com 2021; no
caso dos fertilizantes, a elevação ficou entre 20% e 25%. O valor do frete para
o açúcar aumentou de 60% a 70%, em razão da retomada da moagem, que havia caído
no ciclo anterior, e da concorrência com a safrinha de milho.
Fonte: Valor Econômico / Foto: Ruy Baron/Valor