Publicado em: 14/03/2023
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, disse hoje (10) que o
novo plano de investimento do governo federal, em substituição do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC), será anunciado em abril, com a adoção de
parceria público?privada (PPP) para alavancar investimentos em obras por todo o
país. As diretrizes, cronograma e estruturação do plano foram apresentadas em
reunião no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A
pedido de Lula, inclusive, o programa terá novo nome.![]()
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Rui Costa conversou com a imprensa após o encontro que
reuniu ministros da área de infraestrutura para apresentação dos planos de cada
pasta para os primeiros 100 dias de governo, para 2023 e para os próximos anos.
Segundo Costa, na semana que vem, Lula fará reuniões com os ministros da área
social – Saúde, Educação e Mulheres – e da área produtiva – Agricultura,
Desenvolvimento Agrário e Indústria e Comércio.
Uma das diretrizes do novo plano de investimento é usar o
instrumento de PPP com a participação direta do governo federal ou em parceria
com estados e municípios. “Esse plano vai reunir os investimentos diretos
federais, de orçamento público da União, os investimentos através de concessões
do governo federal, e vamos iniciar o que estados e municípios, especialmente
estados, já fazem há alguns anos, projetos de PPP”, disse.
Costa explicou que, apesar de regulamentado e ter resultados
positivos, na maioria dos casos, o governo federal nunca usou essa ferramenta
diretamente. “Agora vamos utilizar o instrumento de PPP para alavancar os
investimentos em infraestrutura no país.”
No mesmo sentido, o presidente Lula orientou a
racionalização de recursos públicos, com a redução de custeio, quando possível,
para aumentar os investimentos. Se necessário, os órgãos públicos poderão fazer
a relicitação de contratos. “Mas, quando me refiro a PPP e concessões, estamos
sinalizando a investidores, falando de atrair investimentos privados”,
completou.
Segundo o ministro, já foram realizadas reuniões bilaterais
com representantes de todos os estados para sistematizar a demanda de obras
prioritárias de cada governo estadual. Nesta tarde, o governo federal lançou a
atualização de uma plataforma de acompanhamento de obras para os municípios.
Educação,
saneamento e energia
O novo plano também incluirá obras que estão em andamento.
Costa afirmou que o governo editará uma medida provisória para viabilizar a
conclusão das 4 mil obras na área da educação que foram paralisadas. Os investimentos
serão em torno de R$ 4 bilhões.
Entre as medidas legais para a rápida retomada de obras, o
ministro citou a atualização de valores de contratos, já que a inflação mais
acentuada defasou os preços na construção civil. O objetivo é concluí-las até o
final deste ano.
“Uma das medidas é a atualização dos valores para permitir a
conclusão das obras e viabilizar e entregar equipamentos importantes como
creches e escolas, que estão, muitas delas, com 50%, 60%, 80% concluídas, e
evitando com isso um recuo maior dessas obras. Uma obra não entregue. Quando
chega a 90%, ela vai involuir, seja pelo efeito do tempo, ou de vândalos que
roubam equipamentos instalados”, acrescentou Rui Costa.
Nos próximos dias, o governo pretende lançar o programa Água
Para Todos, para atração de investimentos em saneamento e outras medidas
relacionadas à água potável. Para isso, Lula deve assinar decreto com uma nova
regulamentação para o setor, para diversificar os modelos de contratação dos
serviços.
“Estamos buscando promover o entendimento do setor privado
ao setor público, principalmente as empresas estaduais, que detêm a maior parte
das concessões de esgotamento de água no país. Estamos produzindo um decreto
que, com quase a sua totalidade, será consensual entre o setor privado e o
setor público”, explicou Costa. “Vivemos em um país continental, com
diversidade de renda, tamanho das cidades e realidades de infraestrutura
diferentes. A solução para o Brasil não é única”, completou.
Ainda em breve, o governo assinará contratos de R$ 3 bilhões
em novas linhas de transmissão de energia. Rui Costa informou que, até julho, o
Ministério de Minas e Energia deve leiloar mais R$ 9 bilhões para o setor. “O
Brasil virou referencia internacional em energia renovável, os investimentos em
projetos, como parques solares e eólicos, estão acontecendo nos estados, e o
gargalo eram as linhas de transmissão”, disse o ministro, explicando que em
torno de 15% da energia gerada no país não é utilizada em razão da falta de
linhas.
Fundo
garantidor
O governo federal pretende também retomar aplicações em
fundos regionais de desenvolvimento, como o Fundo do Nordeste, para alavancar o
financiamento de projetos privados e dos estados. A intenção é criar um fundo
garantir específico para viabilizar as PPP.
Segundo o ministro da Casa Civil, há fundos de
desenvolvimento específicos que foram criados, mas que não foram materializados
ao longo do tempo, como o Fundo da Marinha Mercante e o Fundo Nacional de
Aviação Civil. “Vamos sentar com a Fazenda para ver de onde vêm os recursos
[para o novo fundo de PPP]. Como é garantidor não significa ter desembolso no
curto prazo, ele é garantia, mas ele é necessário para que os investidores
consigam tomar empréstimos”, explicou.
Os fundos garantidores têm o objetivo de complementar as
garantias exigidas pelo agente financeiro para concessão de crédito.
Fonte: Agência Brasil / Foto: Marcelo
Camargo/Agência Brasil