Publicado em: 06/02/2023
O governo federal anunciou um investimento de R$ 1,7 bilhão
em melhorias nos setores rodoviário e ferroviário do país. O objetivo é retomar
e intensificar as obras, preparar as rodovias para o período das chuvas,
diminuir o número de acidentes graves nas estradas e garantir o escoamento da
safra agrícola. A ação faz parte do Plano de 100 Dias de ações prioritárias do
Ministério dos Transportes.
Com o aporte, será possível entregar 861 quilômetros de
estradas pavimentadas, revitalizadas e sinalizadas, até abril deste ano, além
da construção e revitalização de 72 pontes e viadutos no mesmo período. As
principais obras estão localizadas em 12 rodovias que cortam o país: BR432/RR,
BR-364/AC, BR-116/CE, BR-101/SE, BR-116/BA, BR-080/GO, BR-101/AL, BR-381/MG,
BR447/ES, BR-163/PR, BR-470/SC e BR-116/RS.
Atualmente, cerca de 20% das rodovias federais estão
concedidas à iniciativa privada, segundo dados do Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes (Dnit). Para o diretor de Planejamento e Economia
da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), Roberto
Guimarães, cabe ao governo manter as boas condições de uso das rodovias não
concedidas.
“Buraco em rodovia sem manutenção, rodovia sem estar
duplicada aumenta o custo do transporte, aumenta o custo do pneu, do óleo
diesel, gasta mais óleo. Então é muito importante investir nas rodovias não
concedidas à iniciativa privada. E se não foram concedidas ainda, é porque não
tem o retorno econômico para o setor privado comprar. Então é papel do estado
mantê-las”, opina.
Guimarães destaca os principais benefícios do investimento
no setor rodoviário: “O benefício é redução de custos, do custo Brasil, da
poluição, porque quanto menos tempo o caminhão fica na estrada, ele gasta menos
combustível e polui menos. O investimento em rodovia é redução de acidentes”,
salienta.
Baixo
investimento
O Plano de 100 Dias também prevê a retomada de 670
quilômetros de obras que estão paradas atualmente por falta de verbas, a
elaboração de projetos que contemplam 1, mil quilômetros de rodovias, além de
19 ações ambientais envolvendo estudos, plantio compensatório e recuperação de
áreas degradadas.
No entanto, o professor de Economia de Transportes da
Universidade de Brasília (UnB), Gildemir da Silva, avalia que o aporte de R$
1,7 bilhão é um recurso baixo.
“Eu não sei se isso resultará em grandes resultados.
Contudo, investir em rodovias nesse momento é um ponto mais crucial, porque, no
curto prazo, rodovias dão resultados mais rápidos. E há a necessidade de
recuperação de algumas estradas. E aí vai depender da prioridade dada. Já as
ferrovias, R$ 1,7 bilhão não resolve muita coisa. Ferrovia é muito cara”,
declara.
O Ministério dos Transportes também recebeu sugestões de
ações prioritárias por meio de uma consulta pública. Ao todo, foram mais de
seis mil contribuições da sociedade civil, sendo a maioria no sentido de
ampliar a competitividade da infraestrutura e da logística de transportes de
cargas e pessoas; promover a segurança do trânsito; melhorar a qualidade da
infraestrutura e serviços de transportes; entre outros pontos relacionados à
redução da burocracia, sustentabilidade, governança e acesso à informação.
Fonte: O Presente / Foto: Divulgação/Dnit