Publicado em: 06/04/2023
O ministro
de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta quarta-feira (5) que a
União, principal acionista e controladora da Petrobras, vai propor uma nova
política de preços para a companhia com o objetivo de ajudar "a combater
perdas e solavancos inflacionários".
"Vamos
tratar isso com todo rigor, cuidado e sensibilidade social", afirmou
Silveira a jornalistas, no Palácio do Planalto, após se reunir com o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o
ministro, a ideia é que uma nova política de preços comece a ser discutida
assim que tomarem posse todos os integrantes dos conselhos que dirigem a
companhia, o que está previsto para o fim deste mês.
"O que
eu disse é que, na assembleia geral, que será feita dia 27, com o novo conselho
definido, tanto o Conselho de Administração quanto o Conselho Fiscal, o governo
federal, como acionista majoritário, e como controlador da Petrobras, vai, sim,
discutir qual será a melhor política de preços, para a Petrobras cumprir sua
função social, que está na Constituição, está na Lei das Estatais",
afirmou.
Mais cedo,
em nota, a Petrobras reafirmou o
compromisso com a “prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado
nacional”, evitando o repasse imediato
de volatilidades externas, provocadas por agentes conjunturais, bem como de
oscilações da taxa de câmbio. A nota foi uma resposta indireta às declarações
do ministro em entrevistas.
Opep
Alexandre
Silveira defendeu um papel maior da Petrobras para evitar a alta volatilidade
dos preços internacionais de combustíveis, e citou a recente decisão dos
maiores produtores mundiais de petróleo, reunidos em torno da Organização dos
Países Produtores de Petróleo (Opep).
"Nós
não podemos [aceitar], por exemplo, que o cartel da Opep possa influenciar e
esmagar o poder de compra dos brasileiros. E, portanto, o governo do presidente
Lula vai ter uma linha muito clara, nós somos acionistas majoritários,
respeitaremos a governança da empresa, sua natureza jurídica, mas seremos
vigorosos na defesa dos interesses do povo brasileiro", afirmou.
No início da
semana, a Opep anunciou corte na produção de cerca de 1 milhão de barris de
petróleo por dia, após o preço do produto cair para a faixa de US$ 70. A medida
vai vigorar de maio até o fim do ano e deve elevar o preço do barril.
Derivados
O ministro
também defendeu investimentos no parque de refino do petróleo no país para
ampliar autossuficiência em derivados, especialmente gasolina e óleo diesel. De
acordo com Silveira, atualmente, o Brasil importa 13% da gasolina e 25% do
diesel consumidos no mercado interno.
"Ou
seja, teremos que nos tornar autossustentáveis na gasolina e, no médio prazo,
na questão do diesel", afirmou, em uma referência à necessidade de buscar
independência das oscilações internacionais de preços.
Silveira
acrescentou que, para o governo federal, os custos de produção da Petrobras,
que são balizados em real, não podem ser calculados em dólar, como a política
de preços atual da empresa. "A Petrobras produz em real e não pode ter seu
custo calculado em dólar. Isso não faz sentido no nosso governo", disse.
Fonte:
Agência Brasil/ Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil