Publicado em: 13/12/2022
Governo federal regulamentou as regras do Programa de
Aumento da Produtividade da Frota Rodoviária (Programa Renovar) ao publicar
o Decreto
nº 11.276/2022. Com a medida, será possível colocar em prática a política proposta pelo Ministério
da Economia para estimular, de forma
voluntária, a retirada de circulação de veículos que não atendam aos parâmetros
técnicos de rodagem ou que tenham mais de 30 anos de fabricação. Os benefícios
se aplicam a caminhões, implementos rodoviários, ônibus, micro-ônibus, vans e
furgões. As novidades deverão ajudar, especialmente, os motoristas autônomos,
que detêm frota mais antiga.
Os princípios do Programa Renovar já estavam presentes
na Lei
nº 14.440/2022, de setembro deste ano (originária da Medida
Provisória nº 1.112/2022). A regulamentação, entretanto, era etapa
indispensável para permitir a efetiva execução do programa. O novo Decreto nº
11.276/2022, publicado na edição da última sexta-feira (9/12) do Diário Oficial
da União, foi assinado pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro; e pelos
ministros da Economia, Paulo Guedes; da
Infraestrutura, Marcelo Sampaio Cunha Filho; e do Meio Ambiente, Joaquim Leite.
O objetivo do Programa Renovar é aumentar a produtividade, a
competitividade e a eficiência da logística no país, além de melhorar a
qualidade de vida dos profissionais de transporte. A medida também dá mais
segurança nas estradas e reduz a emissão de
gases no meio ambiente, ao equipar a frota nacional com veículos menos
poluentes. Ao lançar o programa, o governo alertou que estudo da Universidade
de São Paulo (USP) demonstra que caminhões e ônibus respondem por 47% da
poluição do ar por carbono negro na cidade de São Paulo, apesar de
representarem somente 5% da frota veicular. Ao mesmo tempo, a iniciativa ajuda
a reduzir o “Custo Brasil”, ampliando a competitividade do país no mercado
internacional.
Eficiência
Quando encaminhou a proposta de criação do Programa Renovar
ao Congresso, o Poder Executivo citou, entre outros dados, informações da
Secretaria Nacional de Trânsito, indicando haver 3,5 milhões de caminhões em circulação
no Brasil. Desse total, cerca de 26% dos veículos tinham mais de 30 anos de
fabricação, considerada a idade em que o veículo já atingiu o fim de sua vida
útil.
Ao justificar a importância da proposta, o governo também
mencionou que a idade média da frota de transporte de cargas nacional acima de
3,5 toneladas é de 14,8 anos, conforme dados da Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT). Trata-se, portanto, de uma idade média avançada em
comparação com os países desenvolvidos, nos quais a idade média da frota
circulante gira em torno de oito anos.
O Renovar integra ações público-privadas. A União oferecerá
recursos para a recompra dos caminhões em final de vida útil. Já o setor
privado, em contrapartida, poderá ofertar produtos e serviços — crédito
cooperativado, garantia estendida, revisões, seguros, consórcios, etc. — que
beneficiarão os usuários do programa na aquisição de veículos novos.
Etapas
O programa será implantado em etapas, sob a coordenação da
Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). No primeiro momento,
promoverá a recompra do caminhão a ser sucateado e o caminhoneiro receberá o
valor de mercado do veículo, com recursos das empresas contratadas para
exploração e produção de petróleo e gás natural. A prioridade para o acesso aos
benefícios previstos será dos transportadores autônomos de cargas e associados
das cooperativas de transporte de carga. A adesão ao programa é voluntária. Os
interessados em participar deverão comprovar a baixa definitiva do registro do
bem elegível e de seu desmonte ou destruição, como sucata. O Renovar está
alinhado aos preceitos de outra iniciativa do governo, o Programa de Incentivo
ao Transporte Rodoviário de Cargas, o
“Gigantes do Asfalto”, lançado em maio de 2021. O Gigantes do Asfalto é um
instrumento de coordenação, articulação e incentivo a programas, além de
facilitar a promoção da saúde e do bem-estar dos brasileiros que trabalham no
setor. Com a execução do programa, espera-se prover melhores condições de trabalho para os caminhoneiros e
contribuir para o equilíbrio da remuneração no âmbito da estrutura logística
rodoviária do país, além de reduzir burocracia.
Fonte: NTC&Logística / Foto: Divulgação/AutoIndustria