Publicado em: 11/03/2022
Está mais
difícil vender produtos para fora do Brasil em 2022. Seja por conta da queda na
taxa média de câmbio, que interfere nessa conta, ou pela inflação que elevou o
preço de vários insumos, maquinários e matérias-primas no mercado
internacional. O fato é que embora as exportações paranaenses tenham fechado em
US$1,399 bilhão, com crescimento de quase 7%, na comparação com janeiro, e de
37%, contra fevereiro de 2021, o saldo da balança comercial paranaense ficou
negativa em US$ 99 milhões no mês passado. O resultado é reflexo das
importações feitas pelo estado, que chegaram a US$ 1,498 bilhão. Alta de 8,2%
em relação a janeiro e de 33% contra o mesmo mês do ano passado. No acumulado
do ano, o saldo da balança está negativo em US$ 175 milhões.
Mesmo num
cenário aparentemente favorável à compra de produtos de fora do país, um dado
chama a atenção. No primeiro bimestre deste ano, as importações acumuladas em
US$ 2,882 bilhões recuaram 26% quando comparadas com o mesmo intervalo de 2021.
Outro fato é que quando relacionados números de fevereiro deste ano e do
anterior, o volume de itens importados também recuou em quase 25%. “Este
comportamento já pode ser reflexo do aumento de preços de bens e serviços que a
indústria importa como máquinas, equipamentos, insumos e matérias-primas para
produção”, avalia o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep),
Evânio Felippe.
“Essa inflação
na cotação de itens essenciais para a indústria de transformação no mercado
internacional já vem sendo sentida desde o início da pandemia. E isso preocupa
a partir do momento em que pressiona os custos de produção aqui, com possível
repasse desses valores para o consumidor final”, informa o economista. “Essa
condição pode ainda ser impactada por conta do conflito no leste europeu, que
pode gerar alta de preços na economia global e resultar em produtos mais caros
no mercado interno”, completa.
A taxa de
câmbio é outro ingrediente das negociações internacionais. Em fevereiro de
2021, o valor médio estava R$ 5,417 para cada dólar. No mês passado baixou para
R$ 5,339. Uma apreciação de 1,5% do real frente ao dólar, o que influencia no
resultado das vendas para fora do país. “Essa valorização reduz a capacidade de
venda de produtos e serviços brasileiros no mercado internacional porque torna
o produto nacional mais caro em relação a semelhantes vendidos por outros
países. Esse comportamento pode diminuir a rentabilidade das exportações e
desestimular a exploração de novos mercados, assim como a busca por novas
tecnologias e o lançamento de novos produtos”, analisa o economista da Fiep.
Diante do
cenário de instabilidade geopolítica, é difícil prever como as exportações do
Paraná devem se comportar nos próximos meses. “Na medida em que a situação se
agrava, pode ocorrer escassez de produtos no mercado externo. As sanções
impostas aos países envolvidos no conflito com a Ucrânia também geram aumento
de preços e toda a economia é impactada”, reforça Felippe. “Mesmo com a
valorização na cotação de comodities vendidas pelo Paraná no exterior, como
soja e milho, o custo de produção alto pode inviabilizar uma possível melhora
na rentabilidade desses produtos por aqui”, justifica.
Produtos
O principal
produto da pauta de exportações do Paraná é soja, que representa 22% total
comercializado este ano. As vendas mais que dobraram em relação ao primeiro
bimestre de 2021, com alta de 116%. Depois vêm carnes (19% da pauta e 34% de
aumento); madeira (11% da pauta e 49% de aumento), material de transporte (8%
da pauta e 14% de aumento) e papel e celulose (5% da pauta e alta de quase
89%).
Nas
importações, os itens mais comprados pelo estado em janeiro e fevereiro foram
produtos químicos, que representam 21% da pauta. O resultado acumulado neste
primeiro bimestre, porém, teve redução de 11%. Na sequência estão materiais
elétricos e eletrônicos (14% da pauta e alta de 57%), produtos mecânicos (9% da
pauta e queda de 0,6%), material de transporte (quase 8% da pauta e queda de
18%) e petróleo e derivados (7% da pauta e queda de 20,3%).
Fonte: Bem
Paraná / Foto: Claudio Neves/Portos