Publicado em: 27/07/2022
A oscilação no preço dos combustíveis, principalmente o óleo
diesel, gera reajustes nos valores do frete. Só nos últimos dois meses, o
segmento enfrentou um aumento de 14,26% deste combustível, de acordo com a
Petrobras. No entanto, a nova lei de limitação dos impostos proíbe os estados
de cobrarem uma taxa superior ao Imposto de Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) de produtos essenciais, de 17% a 18% dependendo da localidade.
Isso gerou no começo deste mês uma queda de 2% no valor final do diesel Segundo
a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom).
Historicamente, essas incertezas, associadas à falta de combustíveis,
infraestrutura e de segurança nas estradas, criam a necessidade de os
empresários investirem em estratégias de gestão para se prevenir dos próximos
acontecimentos, o que inclui planejamentos assertivos e treinamentos internos.
Danilo Guedes, presidente da ABC Cargas, localizada em São Bernardo do
Campo (SP), destaca a importância de um planejamento estratégico e como a sua
empresa está lidando com a instabilidade econômica durante o ano. “Anualmente
fazemos o nosso planejamento estratégico e estabelecemos metas para cada
departamento da empresa. Assim, a cada mês, fazemos reuniões que chamamos de
‘rituais de gestão’, nas quais verificamos o andamento de cada meta e
analisamos se devemos rever algo para dar mais consistência e cadência para
atingirmos os objetivos estabelecidos. Alguns exemplos do que analisamos são
faturamento, lucro, redução de avarias, satisfação de terceiros e programa de
desenvolvimento individual”.
O aumento substancial nos bolsos das organizações consequentemente afeta
as negociações com clientes e parceiros – ou seja, as companhias precisam estar
em constante contato com eles para que esse repasse ou movimentação de valores
seja menos impactante para ambos.
Danilo salienta que têm se tornado frequentes as negociações
e que passou a ser um desafio conseguir encontrar um meio termo que seja bom
para os dois lados. “Tem sido desafiador, pois todos os insumos aumentaram:
pneus, aço, implemento rodoviário e salários. Contudo, temos bons contratos, e
o diálogo com nossos clientes tem sido em alto nível e respeitoso até o
momento. Entendemos que não é fácil para ninguém – nem para nós, nem para os
clientes. Bom senso, paciência e resiliência são atitudes que devemos ter nesse
período”.
Outro fator que vem incomodando bastante o setor é a falta de
infraestrutura e seguranças nas rodovias. Segundo um levantamento da
NTC&Logística, os roubos de carga tiveram aumento de 1,7% no país em 2021,
e de acordo com a associação o número total de registros passou de 14.150, em
2020, para 14.400, no ano passado, acarretando um prejuízo financeiro de R$
1,27 bilhão.
A região com o maior número de ocorrências foi a Sudeste, com 82% dos
casos. Em seguida aparece a região Sul, com 6,82, seguida do Nordeste, com
5,44%, depois Centro-Oeste, com 3,66%, e Norte, com 1,42%. Dentre as
mercadorias mais visadas estão alinhamentos, eletroeletrônicos, peças de
veículos, defensivos agrícolas e produtos farmacêuticos.
O presidente da ABC Cargas relata que precisou se abdicar do transporte de
alguns produtos, como pneus, cigarros e eletrônicos, para fugir do prejuízo com
essas práticas nas estradas. “Infelizmente às vezes precisamos tirar da balança
a compensação financeira e pensar na segurança como um todo da empresa, e
principalmente dos nossos motoristas”.
Para estabelecer estratégias de como superar esses desafios, as empresas
do segmento vêm buscando entender melhor o gerenciamento de risco, implantando
ainda mais equipamentos de segurança com o auxílio da tecnologia e oferecendo
suporte a quem está atrás do volante.
Danilo comenta sobre dos planejamentos assertivos e dos treinamentos para
que os motoristas não caiam nessas armadilhas: “Traçamos uma rota que entendemos
ser a mais segura e orientamos que eles não parem em postos que não sejam
credenciados com a empresa para evitar surpresas durante a viagem”, destaca o
empresário.
Contudo, neste ano, o denominador para essas empresas está sendo
desafiador. As lideranças do setor estão traçando uma expectativa econômica e
estrutural para os próximos anos, mesmo com as incertezas do próximo mandato
empresarial para 2023.
“Qualquer previsão nesse momento é chute, porém existem expectativas em
torno de mudanças rápidas, e seus resultados serão um dos grandes desafios do
início do próximo governo muito por conta da defasagem de medidas que podem ser
tomadas e a ansiedade por mudanças estruturais em todas as áreas”, finaliza o
empresário.
Fonte: Guia Marítimo / Foto: divulgação