Publicado em: 27/09/2022
A pesquisa mensal feita pela Federação das Indústrias do
Paraná (Fiep) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI)
mostrou que os empresários estão mais otimistas em relação à economia e os
negócios em setembro. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI)
avançou três pontos na comparação com o mês anterior, chegando a 62,4 pontos. É
o maior patamar desde agosto de 2021, quando ficou em 66,4 pontos, numa escala
que vai até 100. Acima dos 50 é a faixa do otimismo, enquanto abaixo disso é
considerado pessimismo.
Na composição do ICEI, o indicador de expectativas aumentou
2,1 pontos, somando 63,8. Também o melhor resultado desde agosto de 2021,
quando ficou em 68,6 pontos. “O avanço se deve especialmente pela percepção
mais positiva do industrial sobre a economia brasileira nos próximos meses”, analisa
o economista da Fiep, Marcelo Alves. “Este aumento demonstra otimismo
disseminado da indústria para os próximos seis meses, atrelado a fatores como a
estabilidade da inflação e possibilidade de queda até o final do ano,
desonerações em itens como energia e combustíveis, melhora no nível de emprego
e a retomada de programas de auxílio e renda, que resultar em aumento do
consumo”, afirma o economista.
Da mesma forma, o indicador de condições – relativo aos
últimos seis meses, subiu pelo segundo mês seguido. Avançou 4,9 pontos,
totalizando 59,6. “Ao se afastar da linha divisória de 50 pontos, o resultado
aponta que o empresário reconhece uma melhora das condições atuais”, justifica.
Podese dizer que os empresários fizeram uma transição de uma percepção de piora
para uma de melhora em relação à economia brasileira na passagem de julho para
agosto. E, em setembro, a situação ficou ainda mais positiva.”
O que ajuda a explicar essas condições é que taxa de juros e
inflação vinham em sequência de alta. Some-se a isso, a elevada carga
tributária atrelada ao setor. Esse pacote tem potencial impacto sobre a
indústria porque pressiona ainda mais os custos de produção. “Essa melhora na
economia é um alívio ao bolso dos empresários, o que acaba influenciando na
confiança deles”, argumenta.
Construção civil
Decompondo o ICEI geral, é possível notar que o índice da
construção, mesmo na área de otimismo (64,3), apresentou redução de -4,3 pontos
em relação ao mês anterior. O aumento sucessivo na taxa básica de juros até o mês
passado, condição que encarece o crédito e dificulta a aquisição de
financiamentos imobiliários, pode explicar essa queda na confiança do segmento
de construção. Já o ICEI da indústria subiu 4,8 pontos em relação ao mês
anterior, chegando a 62,1 e atingindo o melhor resultado desde agosto do ano
passado.
Esta foi a última pesquisa antes das eleições majoritárias
de 2 de outubro. “Normalmente, o período que antecede o pleito gera
instabilidade política e econômica e interfere no volume de produção das indústrias.
O empresário aguarda a definição do cenário para poder tomar suas decisões com
maior segurança. O impacto do resultado das eleições no setor só poderá ser
percebido nas pesquisas dos próximos meses”, conclui o economista da Fiep.
Fonte: O Presente / Foto: José Fernando
Ogura/AEN