Publicado em: 20/06/2023
A indústria brasileira 4.0,
nome dado à transformação tecnológica nas atividades industriais,
atingiu o valor de US$ 1,77 bilhão em 2022, representando uma taxa de
crescimento anual composta de 18,8% entre 2017-2022. Os dados são do
"Monitor da Indústria 4.0", um estudo mundial da International Market
Analysis Research and Consulting (IMARC). Os números brasileiros são analisados
pelo Observatório Nacional da Indústria, da CNI. A perspectiva é que entre 2023
e 2028, o mercado da Indústria 4.0 no Brasil atinja US$ 5,62 bilhões, uma taxa
de crescimento anual de 21,0%.
Por outro lado, os últimos dados do IBGE sobre o desempenho
da indústria não são animadores: em abril, o setor estava 18,5% aquém do ponto
mais alto da série histórica, em maio de 2011. Este ano, o setor acumula queda
de 1,0% e, em 12 meses, variação negativa de 0,2%. Segundo o instituto, a
indústria ainda se encontra 2,0% abaixo do nível pré-pandemia (fevereiro de
2020).
Para os especialistas de desenvolvimento industrial do
observatório, Marcello José Pio e Juliano Antônio Sebben, se as empresas
conseguirem atingir este novo patamar tecnológico, não só o segmento industrial
retornará a ter importância no PIB brasileiro, mas será um grande player
internacional. Segundo eles, o resultado
apurado mostra que o Brasil está avançando bem na questão 4.0 e como país
emergente se destaca, bem a frente dos nossos vizinhos.
- A aquisição e uso
das tecnologias da automação 4.0 permitirá às empresas industriais
alcançarem maiores índices de produtividade e qualidade, bem como aumentar a
potencialidade de atendimento a outros mercados, principalmente os mercados
internacionais. As "empresas inteligentes" (empresas que usam de forma
eficiente e eficaz tais tecnologias) poderão implementar de forma efetiva a
chamada customização em massa, que significa produção em larga escala, mas
atendendo às necessidades específicas de cada cliente ou grupo de clientes.
Uma discussão usual é se a entrada maciça da tecnologia na
indústria pode causar uma onda de desemprego. Segundo eles, as tecnologias da
automação 4.0 eliminarão a necessidade de mão de obra humana em postos de
trabalho de baixa ou baixíssima qualificação, mas para atingir este novo patamar
tecnológico demandará novos profissionais (ex. Técnico em IoT) e abrirá novas
oportunidades para os trabalhadores. Por isso, é preciso repensar a
requalificação dos profissionais.
- O sistema educacional brasileiro deverá, obrigatoriamente,
direcionar esforços para um processo massivo de requalificação profissional,
para que este trabalhador ainda "analógico" consiga trabalhar de
forma eficiente no "mundo produtivo digital".
Fonte: O Globo/ Foto: Caoa Cherry / Divulgação