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Infraestrutura viária brasileira precisa de R$ 290 bilhões de reais de investimento
Um dos principais entraves do setor de transporte rodoviário
de carga no Brasil é a infraestrutura viária precária. A falta de investimentos
na malha rodoviária vem resultando em sinalização ineficiente, pistas simples
com mão dupla de direção e má conservação do asfalto e buracos, entre outras
anomalias que aumentam diretamente o custo do transporte com manutenção do
caminhão e alto consumo de combustível, sem contar a questão da segurança.
Estudo realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que
cerca de 30% do orçamento disponível pelo governo federal não é aplicado nas
estradas brasileiras. Além disso, entre 2004 e 2016, dos R$ 127,07 bilhões
autorizados para infraestrutura rodoviária no Brasil, apenas R$ 89,40 bilhões
foram efetivamente desembolsados (70,4%). Em 2017, até outubro, dos R$ 9,4
bilhões autorizados, apenas R$ 5,4 bilhões tinham sido pagos pelo governo
federal (57,5%).Toda essa falta de investimento resultou em uma piora na
qualidade das estradas brasileiras em 2017. A 21ª edição da Pesquisa CNT de
Rodovias revelou que dos 105.814 km de rodovias analisadas, 61,8% da extensão
tiveram o estado geral considerado regular, ruim ou péssimo; no ano passado
foram 58,2%. Este ano houve um acréscimo de 2.555 quilômetros (+2,5%) em
relação a 2016. Este ano, 38,2% das rodovias foram consideradas em bom ou ótimo
estado, enquanto um ano atrás esse percentual era de 41,8%.Entre os aspectos de maior deterioração, a sinalização
ganhou destaque. Em 2017, o percentual da extensão de rodovias com sinalização
ótima ou boa caiu para 40,8%, enquanto no ano passado a pesquisa apontou que
48,3% haviam atingido esse patamar. Neste ano, a maior parte da sinalização
(59,2%) foi considerada regular, ruim ou péssima. A qualidade do pavimento
também piorou. Metade da extensão analisada (50,0%) apresentou qualidade
regular, ruim ou péssima. Já no ano passado esse percentual era de 48,3%.A precariedade das rodovias reflete diretamente no aumento
dos custos operacionais do setor, compromete a segurança viária, aumenta o
tempo de viagem e resulta em perda de eficiência logística. Na edição desse
ano, a pesquisa revelou um acréscimo médio de 27% nos custos de transporte no
Brasil devido às más condições das rodovias. Se considerar os trechos em que o
pavimento foi avaliado como péssimo, esse acréscimo é superior a 90%.De acordo com o Plano CNT de Transporte e Logística, para o
Brasil oferecer uma infraestrutura rodoviária adequada à demanda nacional
seriam necessários investimentos da ordem de R$ 293,8 bilhões. Apenas para
manutenção, restauração e reconstrução dos 82.959 km onde a Pesquisa CNT de
Rodovias encontrou trechos desgastados, trincas em malha, remendos,
afundamentos, ondulações, buracos ou pavimentos totalmente destruídos seriam
necessários R$ 51,5 bilhões.
Fonte: O Carreteiro / pesquisa CNT