Publicado em: 11/01/2022
A inovação é uma necessidade já
percebida pelo universo corporativo, e um levantamento encomendado pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI) e desenvolvido pelo Instituto FSB Pesquisa revelou
que 83% das empresas precisarão de mais inovação para crescer ou até mesmo para
sobreviver no mundo pós-pandemia. Contudo, é preciso compreender que nem sempre
inovação é sinônimo de disrupção ou de tecnologias revolucionárias.
Algumas mudanças no setor de
transporte rodoviário de cargas (TRC) podem ser claramente percebidas nos mais
diversos níveis do segmento, como no monitoramento das operações, na gestão de
frotas, na produtividade dos veículos e na gestão do transporte. Graças à
evolução tecnológica que o setor tem vivenciado, tudo isso simplifica alguns
processos e algumas atividades diárias.
Em contrapartida, o diretor
executivo da Ghelere Transportes, Eduardo Ghelere, comenta que, apesar do
grande salto dado em comparação com o TRC de alguns anos, ainda há um caminho
muito grande a se percorrer. “Ao olhar tudo que nos permeia no setor de
transporte, em geral, temos um veículo que parece ter evoluído, mas usa um
motor diesel de mais de 50 anos. As mudanças foram alguns sensores e
incrementos que tornaram nossa vida mais prática e fácil, no entanto o caminhão
ainda precisa ir à oficina, trocar óleo e fazer manutenção, por exemplo”,
observa.
Os 14 anos de carreira na
transportadora, somado às suas ocupações anteriores diretamente ligadas à
tecnologia para o segmento, auxiliaram na construção de uma visão mais crítica
e progressista, algo que vem permitindo à transportadora dar grandes saltos no
mercado.
“Realmente, houve pouca
relevância disruptiva. Agora, incremental, tivemos muitas transformações, como
telemetria, rastreamento, sensores e dados em uma série de fatores. A questão é
o que estamos fazendo com isso. Levaremos os mesmos 50 anos só pensando em
sensores melhores e em práticas incrementais?”, indaga Ghelere.
Fato é que para que a inovação
seja possível, é preciso contar com recursos financeiros avantajados. Eduardo
pondera que, se os transportadores tivessem uma margem de lucro maior, estariam
desfrutando dos melhores recursos disponíveis no mercado, utilizando mais tempo
para analisar os dados da frota e para aperfeiçoar a operação, gerando ainda
mais lucratividade.
“Lidamos com várias adversidades
no mercado diariamente. Insumos subindo, frete estável, motorista com
dificuldades, jornadas duras de espera em porta de cliente, porta de mercado,
veículo parado e remuneração incompatível com valores de veículos, de pneus, de
peças e de acessórios. Assim, começamos a magia da redução de custos, que por
ser muito agressiva acaba excluindo também a inovação e a melhoria contínua”,
observa o executivo.
Ghelere compreende que haverá uma
verdadeira inovação no transporte rodoviário de cargas quando os
transportadores se aprofundarem mais no assunto e buscarem mecanismos que criem
soluções. Para o empresário, as companhias de transporte já possuem a
maturidade necessária para esse processo, mas ainda não há os recursos que a
inovação demanda.
“O que podemos depreender disso é
que as inovações normalmente ocorrem onde há recursos disponíveis,
principalmente se observarmos grandes empresas que em seu início tiveram
grandes prejuízos, como Uber e Airbnb. Por isso, quando há excesso de dinheiro,
é muito mais provável que ideias disruptivas surjam deste meio”, afirma o empresário.
No entanto, o diretor executivo
compreende que todas as transformações incrementais que o setor vem abraçando
são de extrema importância para que esse processo de evolução continue. “Sem
essas tecnologias, o TRC estaria estagnado e igual há 50 anos. O que não
podemos é deixar de buscar o diferencial e a disrupção, pois é isso que nos
fará crescer”, conclui.
Fonte: Blog do Caminhoneiro