Publicado em: 24/03/2023
Nos últimos
meses, as estradas que cortam o Paraná têm registrado diversas ocorrências de
caos, principalmente na ligação Curitiba-Paranaguá, via BR-277. Esse trecho da
rodovia já foi interditado de forma total ou parcial por diversas vezes por
conta de barreiras, rachaduras na pista e risco de desmoronamento.
Este cenário
tem potencial para causar prejuízo bilionário ao agronegócio estadual. De
acordo com um cálculo realizado pelo DTE (Departamento Técnico e Econômico), do
Sistema Faep/Senar-PR, considerando apenas a logística da soja, caso o
escoamento tenha que ser feito pelo Porto de Santos (SP) o gasto poderá passar
de R$ 600 milhões. A projeção leva em conta o cenário de interrupção total da
BR-277, única estrada que comporta o tráfego de cargas pesadas até o Porto de
Paranaguá. Neste caso, a produção teria que sair por outro complexo portuário.
O frete de
caminhão de sete eixos, com capacidade para 57 toneladas, custa R$ 4,86 por
saca no trajeto Cascavel-Paranaguá, que totaliza 600 quilômetros. Já no
itinerário Cascavel-Santos, que possui distância de 1.000 quilômetros, o frete
sai a R$ 7,73 por saca, quase 60% mais caro. “Já partiríamos de uma logística
com prejuízo elevado ao setor produtivo, por conta do frete maior”, destaca o
presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette.
Segundo o Deral
(Departamento de Economia Rural), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento
do Paraná, a projeção da colheita de soja em 2022/23 é de 21 milhões de
toneladas. Baseado nas médias históricas, o estado deve exportar 15,7 milhões
de toneladas, sendo 12,6 milhões por rodovia e 3,1 milhões por ferrovia. Se
todo esse volume deixasse de sair por Paranaguá, por uma interdição total da
BR-277, o prejuízo seria na ordem de R$ 602,7 milhões somente pelo custo de
frete a mais até Santos.
Vale
destacar que o Paraná é um grande exportador de outras commodities, ocupando o
primeiro lugar nas vendas externas de frango e o terceiro nos embarques de
carne suína, cadeias que também seriam impactadas diretamente pelos problemas
na BR-277.
Cenário atual
De acordo
com a Faep/Senar-PR, o estado paranaense já enfrenta perdas significativas com
a produção de soja e dificuldade em escoar pelo Porto de Paranaguá. Mesmo quem
consegue chegar ao complexo, também amarga prejuízos devido às taxas de
incentivo (ágio) ou desincentivo (deságio) ao transporte de determinadas
mercadorias adotadas pelos portos. Para se ter uma ideia, nesse momento, para
embarcar a oleaginosa pelo complexo portuário do Paraná, o deságio (desconto)
praticado está na ordem de R$ 1,15 por saca, o que representa um prejuízo de R$
241,31 milhões, caso seja aplicado às 15 milhões de toneladas de soja que devem
ser exportadas.
O cálculo
para chegar ao ágio ou deságio no porto envolve diversos fatores, como condição
climática, estado dos equipamentos usados no complexo e também as dificuldades
para se chegar ao porto. “O trecho da BR-277 na Serra do Mar tem apresentado
bloqueios totais e parciais constantemente, o que dificulta o escoamento das
cargas. Se a situação piorar, isso pode contribuir também para a aplicação de
deságios maiores, mais uma penalização que leva uma parte do lucro dos
paranaenses a escorrer pelo ralo”, finaliza Meneguette.
Fonte:Canal
do Boi/ Foto: Divulgação/Defesa
Civil Paraná