Publicado em: 06/03/2023
A CNT trabalhou ativamente para mais que triplicar o
orçamento do governo federal para investimentos em infraestrutura de transporte,
que, em 2023, a chega a R$ 18,7 bilhões. Por isso e por sua atuação em defesa
do setor transportador, a instituição teve importante lugar de fala durante a
Conferência Nacional de Logística, que integra a programação da 27ª edição da
Intermodal South América, realizada na São Paulo Expo (SP), nesta semana.
Ao participar do painel “Perspectivas e Tendências na
Infraestrutura e Logística do Transporte Nacional”, na terça-feira (28/2), o
presidente do Sistema CNT, Vander Costa, afirmou que, agora, “o desafio é fazer
com que esses recursos sejam investidos em obras de infraestrutura de
transporte, bem como fiscalizar para que sejam bem executados”. Ele citou a
importância da recuperação de trechos rodoviários no litoral de São Paulo, em
Minas Gerais e no Sul da Bahia, identificados, na Pesquisa CNT de Rodovias,
como sérios problemas. Conforme o levantamento, há “trechos com quatro, seis e
até sete anos sem recuperação.”
No que se refere à intermodalidade, ele reiterou a
necessidade de integração entre as operações rodoviárias, ferroviárias,
aquaviárias e aéreas para o crescimento econômico do país. “Além de rodovias e
ferrovias, o Brasil tem um potencial muito forte nas hidrovias. Temos dezenas
de milhares de rios navegáveis e não há nenhuma hidrovia”. Para ele, o
investimento em hidrovias, em um país como o nosso, com rios navegáveis, seria
muito mais barato do que fazer uma ferrovia ou uma rodovia.
O presidente do Sistema CNT destacou, ainda, a importância
de um marco fiscal que dê garantia ao investimento em todos os modais de
transporte, com taxas razoáveis de juros. Ele também reforçou a posição da CNT
pela manutenção da mistura do biodiesel ao diesel em 10%, chamando atenção para
a necessidade da realização de estudos técnicos que apontem o teor mais
favorável da mistura para o meio ambiente e para o funcionamento dos motores.
Também participaram do painel o senador Wellington Fagundes,
presidente da Frenlogi (Frente Parlamentar Mista de Logística e
Infraestrutura); o deputado Edinho Bez, diretor de Relações Instituições da
Frenlongi; e, como mediador, Pedro Moreira, presidente da Abralog (Associação
Brasileira de Logística).
Fontes
alternativas de energia para o transporte
“Tecnologias e Fontes Alternativas de Energia para o
Transporte: estágio atual e aonde podemos chegar”. Esse é o tema de outro
painel que contou com a participação da CNT. Para abrir o debate, o diretor
executivo da instituição, Bruno Batista, apresentou o cenário de mudanças
diante do número crescente de lançamentos relativos a digitalização, automação,
sustentabilidade e eletrificação. Contudo, o panorama no Brasil, no que se
refere à transição para fontes alternativas de energia, não é animador em vista
de inúmeros desafios regulatórios, econômicos, energéticos, ambientai e operacionais.
“La fora (em outros países), já existe diretriz muito clara
quanto ao futuro. Já no Brasil, muito pouco se discute sobre o tema”, diz
Batista. Para ele, o governo brasileiro tem um papel fundamental como
financiador, indutor do mercado ou formulador de políticas. “O governo pode
atuar definindo a política energética dos próximos 20 anos. Isso dará segurança
ao investidor.”.
A despeito do debate sobre o tema ser quase inexistente no
país, Batista enaltece o fato de empresas se abrirem para testes, como é o caso
da Riachuelo, Mercado Livre e Ambev, que também participaram do painel, sob a
mediação de Pedro Moreira, presidente da Abralog “É importante divulgar mais
essas boas experiências. Precisamos começar a discutir a nossa transição. Esse
é o ponto”, concluiu o diretor executivo da CNT.
Fonte: CNT / Foto: Divulgação/CNT