Publicado em: 28/06/2023
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15)
— considerado a prévia da inflação oficial do país — subiu 0,04% em junho,
informou nesta terça-feira (27) o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
O índice continuou em desaceleração na comparação com o mês
anterior, quando ficou em 0,51% para
maio. Em junho de
2022, o IPCA-15 foi de 0,69%.
Com os resultados, o IPCA-15 acumulou 3,40% na janela de 12
meses.
O resultado veio levemente acima das expectativas de mercado.
A mediana de 29 projeções de analistas de consultorias e instituições
financeiras ouvidas pelo jornal "Valor Econômico" estimava alta de
0,02% em junho. Pesquisa da Reuters com economistas esperava queda de 0,01%.
Seis dos nove grupos pesquisados pelo IBGE tiveram alta no
mês, com maior variação vinda do grupo de Habitação (0,96%). O resultado é
consequência do aumento nos preços de taxas de água e esgoto, e nas tarifas de
energia elétrica.
Revertendo a tendência de meses anteriores, o grupo de
Transportes registrou a maior queda no IPCA-15. O grupo teve recuo de 0,55%,
com a gasolina sendo destaque de baixa, com redução de 3,40% nos preços do
período.
Lembrando que a Petrobras anunciou no último dia 15 mais uma redução do
preço da gasolina para as distribuidoras. O litro da gasolina passou de R$ 2,7843 para R$
2,6575, e, com os novos valores, a gasolina está no menor preço desde junho de
2021.
Veja abaixo a variação
dos grupos em junho
Alimentação
e bebidas: -0,51%
Habitação:
0,96%
Artigos
de residência: -0,01%
Vestuário:
0,79%
Transportes:
-0,55%
Saúde
e cuidados pessoais: 0,19%
Despesas
pessoais: 0,52%
Educação:
0,04%
Comunicação:
0,11%
Água, luz e esgoto
O grupo Habitação teve alta relevante, de 0,96%, apoiado na
subida de taxas de água e esgoto, além da conta de luz residencial.
O IBGE informa que quatro áreas importantes de abrangência do
índice registraram aumentos de preço nas taxas de água e esgoto, que subiram
3,64% no agregado. São elas: Recife (11,20%), São Paulo (9,56%), Belém (8,33%)
e Curitiba (8,20%).
Já a energia elétrica, que subiu 1,45% em junho, teve
reajustes também em quatro regiões relevantes. É o caso de Belo Horizonte
(9,15%), Recife (8,21%), Fortaleza (2,2%) e Salvador (1,84%).
Transportes e
alimentação em queda
Dois dos grandes "vilões da inflação" em meses
passados registraram quedas importantes em junho.
A liderança de quedas entre Transportes neste mês (-0,55%)
faz o grupo acumular um recuo de 5,42% na janela de 12 meses. É o único dos
nove grupos que está em campo negativo na janela de 12 meses, puxado pelos
preços dos combustíveis.
No período, os preços foram beneficiados pelo corte de impostos
realizado pelo governo de Jair Bolsonaro para controle da inflação antes das eleições presidenciais
e, posteriormente, pela redução do preço do barril do petróleo (que compensou a
reintrodução de impostos federais nos combustíveis) e uma mudança da política
de preços da Petrobras, já no governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Desde maio, a Petrobras colocou fim
à paridade de preços de importação (PPI), que regia o preço dos combustíveis no Brasil. Com a PPI, o
receituário oficial de preços era orientado pelas flutuações do preço do barril
de petróleo no mercado internacional e pela cotação do dólar.
Agora, a empresa diz que levará em conta o "custo
alternativo do cliente, como valor a ser priorizado na precificação", e o
"valor marginal para a Petrobras". Analistas criticaram a
medida, por tirar
clareza da decisão de preços e ameaçar a saúde financeira da petroleira.
No IPCA-15 de junho, os combustíveis tiveram queda de 3,75%.
A gasolina teve maior peso no grupo, com redução de 3,40%, mas os demais
combustíveis também sofreram recuos relevantes. É o caso de óleo diesel
(-8,29%), etanol (-4,89%) e gás veicular (-2,16%).
Ainda com grande flutuação, as passagens aéreas tiveram alta
de 10,70% no mês, após queda de 17,26% em maio.
Por fim, já captando parte das reduções de valores finais
pelo programa de incentivo à compra de veículos, o preço do automóvel novo caiu
0,84% e contribuiu com -0,03 ponto percentual no índice do mês.
Outro grupo importante, Alimentação e bebidas, teve deflação
no mês, de 0,51%. Segundo o IBGE, a alimentação no domicílio registrou queda de
0,81% em junho, enquanto havia registrado alta de 1,02 em maio. Já na
alimentação fora de casa houve desaceleração: de 0,73% em maio para 0,29% em
junho.
Em 12 meses, contudo, o grupo ainda acumula alta de 4,94%,
acima da média do IPCA-15.
"Quando olhamos alguns grupos, vemos uma melhora nos
dados. Serviços, serviços subjacentes e a média dos núcleos arrefeceram no
acumulado dos últimos 12 meses. E, o índice de difusão, que mostra o porcentual
de itens que aumentaram de preços no mês, teve uma queda de 64% em maio para
51% em junho", diz Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
"Esses dados podem ajudar positivamente o cenário do
Banco Central. De acordo com a ata, divulgada hoje, os membros do Comitê
reconhecem a melhora do cenário inflacionário, mas esperam a divulgação de mais
dados", afirma.
Fonte: g1 Economia/ Foto: Reprodução/ TV Globo