Publicado em: 15/08/2022
Entre os dez maiores
empreendimentos paranaenses de geração distribuída (GD) em potência instalada,
conectados à rede da Copel, três envolvem o uso de biomassa, quatro são
hidráulicas e três usam placas solares para produzir energia. Apenas duas estão
na capital.
Apesar de usinas de biomassa e de
potencial hidráulico ocuparem os três primeiros lugares individualmente, do
ponto de vista da geração de energia, a produção por placas fotovoltaicas
representa 98% do total de GD, uma geração altamente descentralizada no Paraná.
Nenhum desses empreendimentos tem
a participação da companhia elétrica, a não ser na hora de receber a energia
produzida no local - e que exceda o consumo feito localmente - o que define o
conceito de geração distribuída, que envolve aportes de micro e minigeradores
com capacidade para gerar até o limite de 5MW.
Carambeí e Tibagi, em áreas
centrais do estado, estão nas primeiras colocações, com usinas de produção de
biomassa e hidráulica, respectivamente a primeira e segunda em potência
instalada. São seguidas por uma usina com fonte de geração hidráulica em
Cruzeiro do Iguaçu, no oeste; fotovoltaica em Andirá, no Norte Pioneiro,
Florestópolis e Paranavaí, ao norte; e hidráulica em Nova Aurora, no oeste.
Curitiba ocupa oitava e nona posição, com plantas que usam biomassa e, no fim
da lista, está Mangueirinha, no sudoeste, com uma usina hidráulica.
Confira o ranking
Por município, potência (em
megawatts) e fonte de geração
Carambeí - 5MW - biomassa
Tibagi - 5MW - hidráulica
Cruzeiro do Iguaçu - 5MW -
hidráulica
Andirá - 4,9 MW - solar
Florestópolis - 4,9 MW - solar
Paranavaí - 2 MW - solar
Nova Aurora - 2 MW - hidráulica
Curitiba - 1,77 MW - biomassa
Curitiba - 1,77 MW - biomassa
Mangueirinha - 1,2 MW –
hidráulica
Carambeí no topo da geração
distribuída
Na cabeça das usinas que mais potência
apresentam está a da Rickli Empreendimentos, cuja gestora é a Cogecom –
Cooperativa de Geração Compartilhada. A capacidade instalada é de 5MWh, dos
quais a empresa consome 0,416 MWh na estrutura própria e despacha 4,584 MWh
para a Copel.
Segundo Marcelo Los Rickli,
diretor da empresa com sede em Carambeí, na usina a energia é produzida pela
queima de biomassa de madeira. O resultado é destinado a pequenas e médias
empresas comerciais do Paraná. “A usina termelétrica gera 3 mil MWh mensais e
entrega à Copel 2,7 mil MWh mensais, o que alimentaria uma cidade de cerca de 5
mil famílias (como Carambeí, por exemplo)”, diz ele. A parceria entre a Cogecom
e a Rickli tem planos de implantar 500 MWh de potência instalada até 2025.
A usina termelétrica é uma fonte
de geração 100% sustentável, visto que é alimentada por resíduos que antes
poderiam gerar gás carbônico ou gás metano. “Além de mitigar carbono da
atmosfera, traz uma rentabilidade satisfatória para a ampliação dos negócios”,
argumenta o empresário.
A segunda usina a mais contribuir
com a rede da Copel é a Usina Hidrelétrica Tibagi Montante, na cidade de
Tibagi, que tem a mesma fonte de geração da terceira colocada, a Usina
Hidrelétrica Viganó, que fica em Cruzeiro do Iguaçu.
Este último empreendimento é de
um grupo de pequenos investidores, com potência instalada de 5MW e fator de
potência de 80%, de acordo com estudos hidrológicos. “Entregamos 4WM firme para
a Copel, com variações quando chove mais ou quando há períodos de seca”, diz um
dos sócios dessa usina, João Alberto Bandeira. Ele explica que a usina é
considerada ainda em teste e que toda essa energia é injetada no sistema da
companhia, usada principalmente para atender consumidores da região.
Com outros projetos em vista na
localidade, Bandeira explica que o desenvolvimento de projetos na área de
geração e energia é demorado, por ser, segundo ele, uma das atividades mais
regulamentadas que existem, além de ser um negócio muito complexo, por envolver
diversas estruturas, tanto para geração, como para transmissão e conexão.
Geração distribuída vira
crédito para produtor
Essa norma da geração distribuída
permite aos consumidores instalarem geradores de pequeno porte em suas unidades
consumidoras e usar o sistema elétrico da Copel para injetar o excedente de
energia, que será convertido em crédito de energia válido por 60 meses.
Os créditos podem ser usados para
abater do consumo da própria unidade consumidora nos meses seguintes ou de
outras unidades consumidoras que precisam estar cadastradas para esse fim e
atendidas pela mesma distribuidora (Copel), cujo titular seja o mesmo da
unidade com sistema de compensação de energia elétrica, mesmo CPF e CNPJ.
Maringá tem promessa de usina
com economia de 90%
Com foco no acesso de Micro e
Minigeração Distribuída ao Sistema da Copel, a Prefeitura de Maringá vai
construir duas usinas para geração de energia fotovoltaica. A promessa é que a
economia seja de até 90% de energia dos prédios públicos. As usinas, que serão
construídas no Parque Industrial Felizardo Meneguetti e no distrito de
Iguatemi, terão capacidade de 5MW, com 11,3 mil placas cada, gerando economia
de R$ 2 milhões mensais na conta de energia.
A primeira usina terá quase 110
mil m². Segundo os planos, começará a ser construída no fim deste ano, enquanto
a segunda está em fase de projeto. A expectativa é que em 2023 as duas usinas
estejam em funcionamento.
Paraná tem milhares de
produtoras de geração distribuída
Segundo dados da Agência Nacional
de Energia Elétrica (Aneel), o Paraná tem 41.058 produtores de energia no
sistema de geração distribuída ligadas à rede da Copel, que concentra 95% das
unidades em operação, com mais de 514 MW de potência instalada. Dessas
unidades, 41,3 mil são de usinas fotovoltaicas, responsáveis por 98% da
potência total.
Fonte: Gazeta do Povo / Foto: Divulgação/Rickli
Empreendimentos