Publicado em: 29/08/2022
O ministro da Economia, Paulo
Guedes, voltou a defender o fim do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI). Convidado a proferir uma palestra organizada pela Associação da Classe
Média (Aclame), em Porto Alegre, Guedes disse que a cobrança do tributo
desestimula os investimentos produtivos, contribuindo para a
“desindustrialização” do país.![]()
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“Temos que zerar o IPI”, declarou
o ministro após destacar que o governo federal já conseguiu reduzir em até 35%
o valor do imposto cobrado da maioria dos produtos fabricados no país, à
exceção de parte dos fabricados na Zona Franca de Manaus.
“É um bom começo. E assim a gente
segue e vê o que vai acontecer ali na frente. [Cortando] mais 35%, faltarão
apenas 30% [para o zerarmos]. E, aí sim, dá para abaixar mais a tarifa do
Mercosul e outras”, acrescentou o ministro, assegurando que a intenção do
governo federal é baixar impostos de forma “muito gradual”.
Guedes também associou a criação
do extinto Ministério do Planejamento à desaceleração do crescimento econômico
registrado anteriormente. Criado em 1962 para coordenar a política econômica, a
pasta teve suas atribuições ampliadas em 1964, passando por várias mudanças de
status e atribuições até que, em 1999, foi instituído o Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão. Logo ao assumir o cargo, o presidente da
República, Jair Bolsonaro, extinguiu o ministério, transferindo suas
atribuições para o Ministério da Economia, comandado por Guedes.
“O Brasil já foi a economia mais
dinâmica do mundo, crescia a 7,3% em média, ao longo de duas, três décadas […]
Trazíamos gente do mundo inteiro, crescíamos rapidamente, e não tínhamos um
Ministério do Planejamento. Quando o criamos, começamos a descer”, disse o
ministro ao se referir ao que classificou como o “desmonte da economia
brasileira” e criticar o “planejamento central".
“Rejeitamos o modelo
estatista-dirigista”, acrescentou Guedes para justificar sua crítica. “O
ministro do Planejamento que for planejar o futuro do Brasil é um farsante.
Ninguém tem este conhecimento. A democracia é um algoritmo de decisão política
descentralizada. E os mercados são algoritmos de decisão econômica
descentralizados. Ou seja, quem conhece o futuro dos semicondutores são as
pessoas que estão os produzindo. Eles têm melhores condições de planejar o
futuro do que nós. Tudo o que podemos fazer é oferecer um bom ambiente de
negócios e condições atraentes”, comentou o ministro antes de admitir
não ter conseguido realizar tudo aquilo que pretendia fazer
à frente do Ministério da Economia.
“Quando chegamos, nosso
diagnóstico era o seguinte: temos que controlar os gastos e reverter o modelo
[estatista]. No primeiro ano, fizemos a Reforma da Previdência, mas não
conseguimos fazer o que queríamos. Fizemos 60% do que queríamos. Porque
queríamos um regime de capitalização”, completou Guedes.
Fonte: Agência Brasil / Foto: Marcelo
Camargo/Agência Brasil