Publicado em: 25/04/2023
O uso da inteligência artificial para produzir com mais
eficiência, menos desperdício, menor custo, menos impacto ambiental e menos
consumo de energia elétrica é um dos maiores desafios da indústria de moagem do
trigo no Brasil. Depois de ganhos na cadeia produtiva, desde o aumento da
produtividade no campo até o avanço tecnológico das indústrias, o passo
seguinte é saber interpretar o arsenal de informações disponíveis para
impulsionar o fator eficiência e atender as demandas do consumidor - o atual e
o do futuro.
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“O novo consumidor, que tem 14, 15 anos, vai ser o
comprador daqui a alguns anos. E ele tem um perfil diferente de gerações
passadas. É um consumidor com mais informação e mais consciente. É alguém que
lê tabela nutricional e quer saber se quem produz o que ele está consumindo
respeita o meio ambiente”, destacou o presidente do Sindicato da Indústria do
Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR), Daniel Kümmel, durante o Workshop Moatrigo
2023, realizado na última semana, em Curitiba.
O evento, que reuniu diretores, executivos e colaboradores
da indústria moageira de todo o país, teve como tema central a Gestão 5.0.
“Temos que nos preocupar em entender esse novo consumidor e nos preparar para
atendê-lo”, disse Kümmel. Para ele, esse consumidor mais exigente pode, em
pouco tempo, passar de apenas um nicho de mercado para representar a maioria. O
presidente do sindicato da categoria lembra que o trigo é a base da alimentação
e está presente em 98% dos lares brasileiros.
Tecnologia acessível com foco em resultados
E, assim como em tantas outras áreas, a preparação do setor
para o futuro tende a passar pela inteligência artificial. Para o professor de
Transformação Digital, Marketing e Venda da Fundação Dom Cabral, Diocélio
Goulart, os moinhos, como a indústria de processamento de alimentos, tem se
beneficiado da tecnologia em toda a cadeia, desde o campo, com a agricultura de
precisão, a indústria com a automação, a coleta de dados ao longo do processo
produtivo, da armazenagem, até as vendas.
"A tecnologia tem se tornado cada vez mais acessível.
Hoje temos uma interface que consegue, a partir de uma informação em linguagem
natural, gerar um código em linguagem de programação. Um conhecimento que
começa a estar ao alcance de um grupo cada vez maior. O ano de 2023 é o ano da
produtividade. As indústrias precisam de muita produtividade e a inteligência
artificial tem muito a acrescentar nesse ponto", defendeu o professor.
Segundo ele, as indústrias de maneira geral, especialmente
as médias e pequenas, que compõem o motor da economia, podem não estar ainda
devidamente estruturadas e preparadas para o uso da inteligência artificial.
Mas elas não precisam esperar. "Muitas são empresas familiares em que todo
o conhecimento e a informação está na cabeça de uma só pessoa ou de poucos
indivíduos que atuam na organização. A tecnologia dá acessibilidade às
informações e capacidade de empoderar as pessoas para que possam participar do
processo de geração do conhecimento", frisou Goulart.
O professor da Fundação Dom Cabral destacou que o Brasil é,
mundialmente, associado à questão da segurança alimentar. "Estudos mostram
que temos potencial para aumentar a produção de alimentos em 40% até 2025. E
esse aumento não se dará apenas na questão técnica no campo, mas no combate ao
desperdício, com o aumento da produtividade da indústria. Alimento é perecível,
pode estragar. Se eu tiver um melhor monitoramento da cadeia produtiva,
consequentemente consigo combater o desperdício", explicou.
Fonte: Gazeta do Povo / Foto: Divulgação/Sinditrigo