Publicado em: 22/04/2022
A movimentação
de cargas paraguaias cresceu quase 10 vezes no Terminal de Contêineres de
Paranaguá (TCP) em 2021 em comparação com 2020. Enquanto em 2020 foram 600
contêineres, no ano passado foram 5.500. A maioria dos contêineres (91%)
estavam carregados com cargas importadas pelo Paraguai e apenas 9% com produtos
paraguaios destinados à exportação.
Entre os
produtos importados pelo Paraguai via Paranaguá se destacam eletrônicos, pneus
e defensivos agrícolas. Já o principal produto que sai do país vizinho com
destino ao mercado externo é carne bovina congelada.
“O Paraguai tem
buscado cada vez mais o nosso porto pela solução logística que oferecemos”, diz
Thomas Lima, diretor institucional do TCP. Segundo ele, operando pelo porto
paranaense, os importadores e exportadores paraguaios ganham cerca de 30 dias
na movimentação das cargas. Segundo o diretor do TCP, depois de crescer 10
vezes em 2021, a meta para 2022 é dobrar o movimento em comparação ao último
ano.
O porto de
Paranaguá e, em especial, o Terminal de Contêineres, passou a ser uma solução
para o Paraguai principalmente depois da crise hídrica, do ano passado, que
afetou o nível dos rios, prejudicando a movimentação das barcaças, principal
meio de transporte das cargas paraguaias.
Facilidade e
rapidez fazem a diferença
A Agrotec é uma
das maiores importadoras de insumos agrícolas do Paraguai. Com 33 anos de
atuação, em 2020 começou a operar pelo TCP, em Paranaguá, para trazer suas
cargas, a maior parte importada da China, Israel e Rússia.
“A facilidade e
a rapidez foi o que nos levou a procurar o porto de Paranaguá”, diz Ruben Peña,
coordenador de comércio exterior da Agrotec. Ele observa que na agricultura não
se pode perder tempo. “Há um momento certo para aplicar o defensivo, por isso
temos que estar com o produto disponível no mercado na hora certa, não podemos
atrasar”, explica.
Peña conta que,
em 2020, a Agrotec importou 40 contêineres. Em 2021, foram 120. Eles chegaram
ao Paraguai vindos dos portos de Montevidéu e Paranaguá. “Para 2022 já
contratamos 300 contêineres, dos quais 200 virão via TCP, de Paranaguá”,
informa.
Paraná espera
equalizar taxas com Argentina e Uruguai
“O Paraguai tem
quatro portas para o mercado externo, via mar: os portos de Santos, Paranaguá,
Montevidéu e Buenos Aires”, observa o diretor do TCP. Ele conta que o porto
paranaense tem sido bastante procurado pela agilidade na operação, mas diz que
ainda há que se melhorar as condições de competitividade em relação aos portos
da Argentina e Uruguai.
“Devido à taxa
de importação do Paraguai, temos um custo de U$ 300 a mais para cada contêiner
que entra no país em comparação às cargas que chegam ao Paraguai vindas da
Argentina e do Uruguai", explica o diretor do TCP. Ele refere-se à taxa de
Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP), que varia para cada país.
“Mesmo com essa desvantagem, estamos crescendo, mas buscamos solucionar essa
situação para sermos ainda mais competitivos”, diz Thomas Lima.
No final de
março, a diretoria do TCP juntamente com usuários do terminal reuniram-se com o
governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) pedindo a interferência junto ao
governo paraguaio para a equalização da taxa.
Por nota, o
governo do Paraná informou que "vem atuando junto ao governo do Paraguai
para que haja uma equalização das taxas/tarifas cobradas junto das empresas
exportadoras do Paraguai, tanto aquelas destinadas ao Brasil como as destinadas
ao Uruguai/Argentina". "Como o processo ainda está em negociação, os
detalhes estão reservados às partes", acrescenta.
Fonte: Gazeta do Povo
/ Foto: Divulgação/TCP