Publicado em: 14/09/2022
O Ministério da Infraestrutura propôs uma mudança na área da
poligonal do porto organizado de Paranaguá, mas o processo foi interrompido
para ajustes. A proposta de alteração pegou de surpresa o setor portuário da
cidade. Poligonal é o mapa que delimita a atuação pública do porto e, pela
proposta, que chegou a ser apresentada, algumas áreas que hoje são privadas ou
que não estão sob a responsabilidade da empresa pública Portos do Paraná
passariam a ser poligonal, inclusive, inviabilizando alguns projetos particulares,
como o Porto Guará e Novo Porto, na região do Embocuí, no porto de Pontal do
Paraná.
A reportagem do JB Litoral conversou sobre o assunto com o
secretário nacional de Portos e Transporte Aquaviários do Ministério da
Infraestrutura, Mario Povia. Ele comentou que a proposta de alteração partiu da
Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que está fazendo a modelagem para a
concessão do canal de acesso do Paranaguá. O desenho sugerido pela EPL
aumentava a poligonal na linha d’água, ou seja, sem influência em terra. Mas,
com a mudança, praticamente toda a faixa do canal estaria do porto. Do ponto de
vista da licitação, isso poderia ser mais interessante por aumentar a área de
atuação e, consequentemente, de cobranças para a futura concessionária.
Pelo desenho proposto, por exemplo, a poligonal na baía deixava de ser entre a Galheta a Ilha do Mel, como é hoje, para pegar toda a faixa marítima de Pontal até a Ilha do Mel. Além disso, a poligonal passaria a chegar até a margem dos terrenos. Se a proposta fosse adiante – o que dificilmente deve acontecer, como será detalhado abaixo – terminais de uso privado (TUPs) já liberados pela Agência Nacional de Transporte Aquaviários (Antaq) precisam de nova autorização ou ficariam impossibilitados de construir píer e usar área de manobra de navios.
Pela legislação atual, basta uma canetada, ou seja, uma decisão do
ministro da Infraestrutura – atualmente Marcelo Sampaio – para mudar a
poligonal de um porto. Aconteceu recentemente em Santos, que teve a área
terrestre ampliada para ficar mais atrativo para investidores no processo de
desestatização (privatização). A mudança está sendo contestada e há perspectivas
de que vá parar na Justiça.
No caso de Paranaguá, uma consulta pública online, para coleta de
contribuições, foi aberta no dia 26 de agosto e ficaria disponível pelo prazo
de uma semana, mas foi suspensa na metade do tempo e deve ser reaberta em
breve. Povia contou que o pedido de interrupção partiu da empresa pública
Portos do Paraná, que solicitou alterações no desenho. “Nós somos bons de
conversa. Sempre estamos abertos a negociações”, disse o secretário.
O diretor presidente da empresa pública Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia da Silva, confirmou o pedido de suspensão para ajustes. Ele comentou que a equipe percebeu que a expansão proposta pela EPL causaria interferência em projetos privados, além de representar custos adicionais em algumas áreas – por exemplo, com a necessidade de dragar até a margem, na região de berços, de TUPs. Por todos motivos e pelo entendimento com o ministério, Garcia da Silva acredita que um novo desenho será apresentado em breve, para consulta pública, sem causar impacto em projetos da iniciativa privada.
Outras alterações na poligonal foram solicitadas pela Portos do
Paraná, na linha terrestre, e estavam incluídas na mesma consulta pública.
Segundo o diretor-presente, foram pedidas as exclusões de pequenas pontas de
oito terrenos privados, com comprovação de documentos, que estavam
irregularmente dentro da área do porto. Ele comenta que a mudança atual
proposta na poligonal é bem mais sutil do que a realizada em 2014, que era
estruturante e demandou discussão com a comunidade, com audiências públicas.
Fonte:
JB Litoral / Foto: Divulgação/Portos do Paraná