Publicado em: 15/12/2022
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) promove nesta
quinta-feira (15), em Montreal, no Canadá, um painel sobre as iniciativas da
indústria brasileira em bioeconomia.
O debate faz parte da programação paralela da 15ª
Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da
ONU, maior fórum global sobre o tema.
O painel da CNI vai apresentar ações bem-sucedidas que
reconhecem a importância de modelos de negócios baseados em bioeconomia
sustentável. São propostas que conectam biodiversidade à pesquisa,
desenvolvimento e inovação, considerando os objetivos da Convenção sobre
Diversidade Biológica.
Mediador do debate, o gerente-executivo de Meio Ambiente e
Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, destaca que a indústria brasileira
valoriza o potencial das florestas através de projetos que conservam
biodiversidade e geram renda e desenvolvimento.
“A indústria tem mostrado que é possível estimular a
economia e promover o desenvolvimento social em sintonia com a conservação
ambiental, através do uso sustentável da biodiversidade”.
Representantes das empresas Natura, Reservas Votorantim e da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) vão participar do painel. A indústria de base florestal planta mais de 1,5 milhão de árvores por dia, geralmente eucalipto e pinus, de rápido crescimento, que sequestram e estocam gás carbônico, auxiliando na batalha contra as mudanças do clima, e geram retorno financeiro. O setor possui uma carteira de investimentos em andamento ou anunciados (2022-2028) que alcança R$ 60,4 bilhões.
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Para o diretor-executivo da Ibá, José Carlos da Fonseca Jr.,
o país “tem uma enorme oportunidade de se posicionar como grande potência
agroambiental, da bioeconomia em larga escala, com soluções para o meio
ambiente e a sustentabilidade”.
Crédito
de carbono é oportunidade
A Reservas Votorantim vai mostrar como as áreas plantadas e
conservadas podem gerar renda, proteger florestas e a biodiversidade por meio
do mercado de carbono. A empresa investe em áreas de Cerrado e Mata Atlântica,
que somam 63 mil hectares de mata nativa conservada, estocando 20 milhões de
toneladas de carbono, e lidera projetos inéditos nos dois biomas.
Em Montreal, o diretor executivo, David Canassa, vai
apresentar a primeira metodologia de crédito de carbono na Mata Atlântica. A
iniciativa, batizada de PSA-Carbonflor e desenvolvida em parceria com a Eccon
Consultoria, é inédita para o bioma e vai viabilizar o pagamento por serviços
ambientais, com sequestro de carbono e preservação da biodiversidade.
A Reservas Votorantim também foi pioneira em certificar o
primeiro projeto de REDD+ (Redução de Emissões provenientes de Desmatamento e
Degradação Florestal) do Cerrado. No período de 2017 a 2021, foram certificados
11,5 mil hectares para emissão de 316 mil créditos de carbono.
Outro case que será apresentado é o da Natura, empresa líder
em negócios sustentáveis com bioingredientes da Amazônia e atuação em
conservação do meio ambiente e desenvolvimento das populações locais. Por meio
desse modelo de negócios, desde 2011, a Natura já movimentou R$ 2,55 bilhões em
volume de negócios na região Amazônica.
A empresa estabeleceu relacionamento com 85 cadeias da
sociobiodiversidade e desenvolveu 41 bioingredientes, gerando renda para mais
de 8 mil famílias de comunidades extrativistas e contribuindo para a
conservação de 2 milhões de hectares de floresta na Amazônia. A meta é aumentar
a área conservada para 3 milhões de hectares até 2030.
“A Amazônia, por exemplo, é o maior ativo da biodiversidade
do mundo – o que deve ser visto como um ativo econômico com muitas
oportunidades de negócios. Com investimentos em tecnologia, pesquisa e
estratégia podemos explorar essa vantagem competitiva e tornar o país uma
potência em bioeconomia”, diz Denise Hills, diretora de Sustentabilidade da
empresa.
Fonte: Portal da Indústria / Foto: Divulgação