Publicado em: 22/02/2023
O Porto de Paranaguá, no Paraná, já foi o principal ponto de
saída da soja produzida no Brasil. Em 2004, segundo dados do Instituto
Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), de cada 100 toneladas do grão
exportadas no país, 30 delas eram embarcadas no porto paranaense. O
protagonismo do setor foi aos poucos sendo passado para o Porto de Santos, que
hoje é responsável por 27% das exportações de soja.
O cenário, porém, se modifica drasticamente quando os portos
são analisados em conjunto, como os do Arco Norte do Brasil. Somados, os portos
de Porto Velho (RO), Miritituba (PA), Santarém (PA), Barbacena (PA),
Itacoatiara (AM), Manaus (AM) e Itaqui (MA) exportaram, em 2022, mais grãos do
que a unidade santista – é a primeira vez que o Arco Norte, com 38% das
exportações de soja no Brasil, superou o Porto de Santos.
Segundo o Imea, um dos fatores que explica essa situação é o
custo do frete, mais barato para o norte do Brasil. Uma carga de grãos com
origem em Sorriso (MT) e destino ao porto de Miritituba (PA) teve queda no
custo de transporte rodoviário de 53% entre os anos de 2016 e 2022 em relação
ao custo de frete para enviar o mesmo produto ao Porto de Santos.
Para reverter este cenário e voltar a tornar o Porto de
Paranaguá mais atraente para os transportadores, uma nova ponte entre os
estados do Paraná e Mato Grosso do Sul está mais perto de sair do papel. A
estrutura, que ligará as cidades de São Pedro do Paraná (PR) e Taquarussu (MS),
terá cerca de dois quilômetros de extensão.
No último dia 13, o Departamento de Estradas de Rodagem do
Paraná (DER-PR), órgão responsável pela execução do projeto, anunciou a empresa
vencedora para a elaboração dos Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e
Ambiental (EVTEA) para a nova ponte. A empresa Prosul – Projetos, Supervisão e
Planejamento arrematou o pregão com a proposta de R$ 2.992.382,95, com prazo de
18 meses para concluir os estudos. O valor será custeado pela Itaipu
Binacional, após um acordo firmado entre a hidrelétrica e os governos de ambos
os estados.
A Prosul havia ficado em segundo lugar no pregão eletrônico,
e acabou sendo convocada após a primeira colocada entre as arrematantes ter
sido inabilitada por descumprimento das exigências quanto aos documentos de
comprovação de qualificação técnica.
A proposta também prevê, no lado paranaense, a restauração
de 19,8 km da rodovia PR-577, incluindo a construção de um contorno em Porto
São José, distrito de São Pedro do Paraná. Já no perímetro sul-mato-grossense,
será realizada a implantação de 30 km da rodovia MS-473, além de um viaduto de
acesso em Taquarussu.
"Essa
é uma ponte de integração", diz diretor-geral do DER-PR
Para o diretor-geral do DER-PR, Alexandre Castro Fernandes,
a nova ponte é uma alternativa importante para o escoamento dos grãos. Segundo
ele, a estrutura pode representar uma economia no transporte da soja até o
Porto de Paranaguá, tornando assim a unidade paranaense mais atraente para os exportadores.
“Essa ponte tem um papel fundamental que é integrar dois
estados que são bastante pujantes. Nós estamos reconhecendo que existe uma
quantidade significativa de produção agrícola que é escoada desde o Mato
Grosso, passa pelo Mato Grosso do Sul e vem para o Paraná com destino aos
portos. Essa é uma ponte de integração, mais um acesso para o escoamento das
cargas, de uma parte importante da produção brasileira”, avaliou, em entrevista
à Gazeta do Povo.
Nova
ponte vai desviar de contorno em São Paulo
O presidente do Sistema Fetranspar e do Conselho Regional do
Sest Senat no Paraná, coronel Sérgio Malucelli, avalia que o Paraná precisa
melhorar a infraestrutura com obras de mobilidade que conectem o campo às
cidades e aos portos. Ele ressalta que a novidade vai evitar um contorno que é
feito pelo estado de São Paulo, o que gera atrasos e lentidão nas operações de
transporte.
“Essa nova ligação deixará o caminho mais curto, bem como
diminuirá os custos do escoamento agrícola até o porto de Paranaguá. Informações
preliminares nos mostram que a obra trará outros pacotes de melhorias nos
acessos da nova ponte, principalmente no lado paranaense, com restauração de
trechos da PR-577 e a inclusão de contorno no município de São Pedro do Paraná.
Tudo isso agrega a infraestrutura e melhora a atuação das empresas e
profissionais da área de transporte no estado”, comentou, em entrevista à
Gazeta do Povo.
Potencial
para desenvolver Vale do Ivinhema
Para o governo do Mato Grosso do Sul, a estrutura poderá
alavancar, num futuro próximo, o desenvolvimento da região conhecida como Vale
do Ivinhema, no sudeste do estado. De acordo com o titular da Secretaria
Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do
Mato Grosso do Sul (Semadesc), Jaime Verruck, a nova ponte tem potencial para
estimular o desenvolvimento da economia do estado. “Ajuda a desafogar o tráfego
de caminhões, principalmente de grãos, e também vai promover o maior
desenvolvimento econômico da região”, comentou.
Fonte: Gazeta do Povo / Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná