Publicado em: 27/02/2023
A nova rodada de sanções à Rússia anunciada no sábado pela União Europeia atingirá a Sun Ship Management,
subsidiária da estatal naval russa Sovcomflot com sede em Dubai, que administra
dezenas de embarcações que transportam petróleo e gás natural russo para todo o
mundo, segundo reportagem do The Wall Street Journal publicada neste domingo.
A ação contra a Sun Ship é parte do esforço do bloco
europeu, Reino Unido e Estados Unidos de fechar brechas remanescentes das
rodadas anteriores de sanções. A UE e os EUA sancionaram a Sovcomflot em
fevereiro passado, nos primeiros dias da guerra. Os serviços da Sun Ship
contribuem com mais de 70% da receita de energia da Rússia, o que permite ao
Kremlin financiar a guerra na Ucrânia, de acordo com publicação oficial da UE
divulgada no sábado. "A Sun Ship tem operado como uma das principais
empresas que gerenciam e operam o transporte marítimo de petróleo russo",
disse a UE. "A Federação Russa é a beneficiária final."
A Sovcomflot montou a Sun Ship em Dubai em 2012. A
subsidiária se chamava SCF Ship Management (Dubai) até julho. Em abril de 2022,
a Sovcomflot transferiu a gestão de 92 de seus petroleiros e transportadores de
gás natural para a Sun Ship, de acordo com altos executivos de navegação russos
com conhecimento do negócio.
Dubai, que integra os Emirados Árabes Unidos, emergiu como
um centro relevante para a atividade comercial russa após a invasão da Ucrânia.
Milhares de cidadãos russos e empresas do país se mudaram para a cidade.
Empresas internacionais de comércio e transporte de commodities também
transferiram funcionários da Europa e de Cingapura para a cidade, a fim de
facilitar as negociações com a Rússia.
As novas medidas visam tornar a operação da Sovcomflot mais
difícil e cara. Para continuar entregando petróleo e gás russo, a estatal pode
transferir a gestão dos navios para novas empresas, renomeá-los e adicioná-los
ao grupo de navios que transportam petróleo russo sem seguro ocidental ou
outros serviços, conhecidos como "frota paralela", segundo advogados
especializados no setor. Os navios da Sun Ships usavam, em sua maioria,
bandeiras da Libéria, Panamá e de Chipre.
Fonte: Correio do Povo / Foto: Ole Berg-Rusten / NTB / AFP /
CP