Publicado em: 09/02/2023
Com um investimento de R$ 592 milhões, a nova moega
ferroviária, mais conhecida como Moegão, vai centralizar a descarga dos trens
que chegam ao Porto de Paranaguá. A área onde a estrutura será instalada terá
quase 600 mil metros quadrados, o suficiente para o descarregamento simultâneo
de 180 vagões em três linhas independentes, o que permitirá um aumento de 63%
na capacidade de descarregamento, passando de 550 para 900 vagões ao dia.
O projeto, que entrou no pacote de anúncios do governador
Ratinho Junior nesta terça-feira (07), considera a realidade atual e a
necessidade de ampliar a participação do modal ferroviário, mas também olha
para o futuro da logística no Estado e no cenário nacional. Ele visa atender
diretamente o aumento da demanda causada pela Nova Ferroeste, que ampliará em
centenas de quilômetros a estrutura ferroviária no interior do Paraná, com
ramais até Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, aumentando a importância logística
do Porto de Paranaguá.
Além da moega exclusiva, os acessos dos Terminais da Região
Leste do Porto de Paranaguá serão reestruturados, otimizando a capacidade de
recepção de cargas em ambos os modais rodo e ferroviário. A obra envolve novas
galerias de transporte para levar os produtos descarregados no moegão até os
terminais logísticos da área portuária.
As intervenções são importantes para o crescimento do porto
e se somam a outras obras executadas, como a derrocagem da Pedra da Palangana,
com aumento de calado para aproximação de navios maiores. Com a nova estrutura,
a tendência é de novos recordes na movimentação portuária anual dos portos do
Paraná, que em 2022 alcançou nova marca inédita com 58,4 milhões de toneladas
de cargas carregadas e descarregadas, uma alta de 9,6% em relação a 2019 após
quatro anos seguidos de marcas recordes.
Das 58,4 milhões de toneladas de cargas movimentadas pelos
Portos do Paraná no ano passado, 20,95% ocorreram através de ferrovias, uma
alta de quase um ponto percentual em relação a 2021. Entre as 12,2 milhões de
toneladas de produtos que chegaram ou saíram em vagões, 80,4% foram de açúcar,
35,39% de milho, 20,86% de soja, 20,09% de farelo de soja, 14,03% de
contêineres e 11,76% de derivados de petróleo.
Para 2023, a expectativa dos operadores dos terminais do
Porto de Paranaguá é de um aumento de 40% nas exportações de granéis sólidos
vegetais no primeiro trimestre. A estimativa é de que cerca de 7 milhões de
toneladas de soja, farelo de soja, milho, trigo e açúcar saiam do porto entre
de janeiro a março, contra 5 milhões de toneladas dos produtos no mesmo período
do ano anterior.
Após a conclusão do Moegão, a expectativa é de que mais 24
milhões de toneladas de grãos e farelos saiam anualmente por Paranaguá,
ampliando para 50% a participação do modal ferroviário no transporte de cargas
que passam pelo porto. A obra também vai gerar uma economia de 30% nos custos
de transporte, diminuir os impactos ambientais com 73% a menos de CO2 emitido.
A comunidade local e quem transita pela região portuária de
carro também deverão sentir os impactos positivos após a conclusão da obra.
Isso porque o Moegão reduzirá de 16 para cinco os cruzamentos entre as linhas
férreas e as ruas da cidade, com efeito direto na diminuição nas interrupções
do trânsito e em riscos de acidentes.
Potencial
Segundo o governador, o Moegão vai aumentar em torno de 30%
da capacidade de carga e descarga de grãos pelo Porto de Paranaguá. “O trem vai
chegar com a capacidade inteira para descarregamento sem necessidade de
desmembramento, o que vai mudar a velocidade de carga e descarga, melhorar
ainda mais a eficiência do Porto de Paranaguá e colaborar com a mobilidade do
trânsito, reduzindo os trechos de entroncamento entre ferrovias e rodovias”,
explicou Ratinho Junior.
De acordo com o diretor de Engenharia e Manutenção da Portos
do Paraná, Victor Yugo Kengo, a obra do Moegão era muito esperada pela
comunidade portuária. “Ela vai trazer muitos benefícios para a cidade e para a
operação logística dos Portos do Paraná, centralizando todo recebimento
ferroviário do corredor leste de exportação. Os trens vão parar de interligar
individualmente em cada terminal e vão passar a descarregar em um ponto só,
aumentando a produtividade de toda a cadeira logística”, afirmou.
O diretor informou que, com a conclusão da licitação, o
prazo para a empresa o projeto executivo é de quatro meses, quando inicia o
prazo de execução da obra. “Após a conclusão da estrutura, a nossa expectativa
é conseguir equalizar a balança, chegando a 50% do transporte por meio
rodoviário e 50% por meio ferroviário. Com isso, também já estamos nos
preparando para receber a demanda da Nova Ferroeste”, concluiu.
Reconhecimento
Nos últimos três anos, a Portos do Paraná foi reconhecida
como a melhor gestão portuária do Brasil pelo governo federal, com nota máxima
no Índice de Gestão de Autoridades Portuárias e destaque na Execução dos
Investimentos Planejados.
Além disso, os portos de Paranaguá e Antonina foram
premiados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários com o primeiro lugar
em Conformidade Regulatória e posição de destaque no desempenho ambiental,
sendo o porto público de grande porte melhor avaliado do País.
A autoridade portuária paranaense também foi a única do ramo
no mundo a ser convidada a palestrar na Conferência do Clima da ONU nas três
últimas edições: COP-27, no Egito, COP-26, na Escócia, e COP-25 na Espanha.
Fonte: O Presente Rural / Foto: José Fernando Ogura/Arquivo
AEN