Publicado em: 08/02/2022
O total de
endividados no país recuou 0,2 ponto percentual (pp) em janeiro em relação ao
mês anterior e ficou em 76,1%. Na comparação anual, no entanto, o indicador
subiu 9,6 pp.![]()
![]()
O resultado de
janeiro ocorre após 13 meses de alta. Os números estão na Pesquisa Nacional de
Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada hoje (7), pela
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O encarecimento
dos juros pode ser uma explicação para o desempenho, porque desacelerou a
contratação de dívidas neste início de ano. De acordo com a CNC, os dados
recentes divulgados em dezembro de 2021, pelo Banco Central, mostraram elevação
de 37,2% para 45,1% nas taxas médias das linhas de crédito com recursos livres
às pessoas físicas.
As concessões
de crédito também influenciaram. Apesar de registrarem avanço de 10,6% em
termos reais em 2021, de novembro para dezembro, tiveram queda de 22,2% na
média diária.
Para o
presidente da CNC, José Roberto Tadros, mesmo pequena, é preciso ter atenção
com a retração. “O endividamento segue em patamar elevado, e essa redução é
reflexo de um cenário desfavorável, em que o encarecimento do crédito pelos
juros mais altos afeta a dinâmica de contratação de dívidas dos consumidores”,
avaliou.
Inadimplência
Em movimento
contrário, a taxa de inadimplência subiu no mês. A alta ficou em 0,2 pp e na
comparação anual em 1,6 pp, atingindo 26,4% do total de famílias no país. Este,
segundo a CNC, é o maior nível desde agosto de 2020 e a maior proporção para
meses de janeiro observada na série histórica da Peic.
Também cresceu
a parcela das famílias, que deve continuar com a inadimplência e declarou não
ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso. A expansão atingiu 0,1
pp. Na comparação com janeiro de 2021, entretanto, o percentual registrou queda
de 0,8 ponto.
Comportamentos
Entre as
famílias com ganhos de até dez salários-mínimos, o percentual de endividados
caiu 0,3 pp, atingindo 77,4%. Esse foi o primeiro recuo desde outubro de 2020.
Em direção
contrária, nas famílias com rendimentos acima de dez salários-mínimos, o
endividamento avançou 0,3 pp, chegando a 71,2%, que é a maior proporção
histórica de endividados. Os movimentos alteraram a tendência predominante
desde abril do ano passado.
A economista da
CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, disse que a alta é resultado da
evolução da vacinação e da menor letalidade da variante Ômicron.
“Com a maior
flexibilização, as famílias no grupo de renda mais elevada têm revertido suas
poupanças, ampliadas durante a pandemia, para o consumo, especialmente de serviços”,
disse.
As tendências
entre as duas faixas no indicador de inadimplência tiveram comportamentos
semelhantes. Para as famílias com ganhos de até dez salários-mínimos, a
proporção das que têm contas ou dívidas em atraso cresceu 0,2 pp. no mês, chegando
a 29,7% do total de famílias neste grupo.
Já na
comparação anual, a alta ficou em 1,8 pp. Entre as famílias com renda superior
a dez salários-mínimos, o avanço de dezembro de 2021 a janeiro de 2022
acompanhou os 0,2 pp, alcançando 12%. Em relação ao mesmo mês do ano passado, a
expansão foi de 0,5 p.p.
Peic
Desde janeiro
de 2010, a Peic é apurada mensalmente. Os dados são coletados em todas as
capitais dos Estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.
Com as
informações são apurados os importantes indicadores dos percentuais de
consumidores endividados; de quem está com contas em atraso; e de quem não terá
condições de pagar suas dívidas, além do tempo de endividamento e do nível de
comprometimento da renda.
Fonte: Agência
Brasil