Publicado em: 20/12/2022
Apesar da máxima de que o setor de transporte rodoviário de
cargas movimenta, hoje, 65% das mercadorias produzidas no país, além de gerar
uma grande massa de empregos e aquecer a economia, o segmento enfrenta gargalos
já conhecidos. Contudo, seu papel não deixa de ser essencial para a atividade
econômica, sobretudo para corroborar com o crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB).
Inclusive, dados do próprio PIB, divulgados pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram que o setor cresceu
2,1% no primeiro trimestre de 2022, em relação ao anterior. Esse desempenho se
deve a uma combinação de fatores e, em especial, pode-se destacar o retorno das
atividades com a redução de casos de infecção por Covid-19, bem como a melhor
situação das cadeias logísticas internacionais. No comparativo com o primeiro
trimestre de 2021, o crescimento da atividade foi de 9,4%.
Em colaboração com todo esse processo, o segmento vem
empregando mais pessoas. Apenas no fechamento do primeiro semestre de 2022, o
transporte rodoviário de cargas apresentou saldo positivo de 42.956 postos
formais de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (CAGED). Esse valor representa 76% das oportunidades geradas
pelos outros modais de transporte entre cargas e passageiros no país.
Claro que o saldo é positivo, mas vale ressaltar que a
avaliação dos resultados deste ano se dá a partir de uma base comparativa mais
alta, uma vez que o mesmo período de 2021 apresentou números melhores, apesar
de um período de crise e recessão, onde o setor se manteve ativo e em
funcionamento.
Isso se justifica também pelo volume crescente de carga em
comparação ao período pré-pandemia. De acordo com dados da última Pesquisa
Mensal de Serviços, apresentada pelo IBGE no dia 14 de julho, o segmento exibe
um aumento de 23,1% em volumes transportados, relacionado com o registrado em
fevereiro de 2020.
Tudo isso impulsiona os investimentos em renovação de frota,
modernização de terminais físicos e na aquisição de tecnologias para otimizar
processos e aumentar o controle das operações.
Desafios
enfrentados pelo setor
Com certeza, o cenário econômico também se mostra
desafiador. No campo externo, as incertezas em relação ao conflito que ocorreu
entre Rússia e Ucrânia ainda podem trazer preocupações para a economia global,
sobretudo no que tange ao consumo energético e à escalada dos preços dos
combustíveis. No campo interno, a questão energética necessita de uma atenção
especial pelo embate político-econômico sobre a maneira de lidar com os
aumentos dos custos, como o diesel, que, se não equacionada, pode dificultar
ainda mais a diminuição da inflação e gerar novos aumentos da taxa Selic.
De qualquer modo, o que dificulta as atividades do dia a dia
das empresas é a questão do reajuste de frete, frente aos inúmeros aumentos,
não só do diesel, mas dos principais insumos ligados à cadeia de transportes.
Só nos últimos 18 meses, os três itens de maior peso na composição tarifária
foram: veículo, mão de obra e combustível, com crescimento de 42%, 12,5% e
104%, respectivamente.
Ou seja, 90% dos custos básicos aumentam exponencialmente
sem que as empresas tivessem tempo de absorver, quanto mais de repassar esses
valores, já que o repasse médio praticado não chegou a casa dos 7% para o
período. No entanto, a negociação com o cliente fica cada vez mais desgastada,
gerando defasagem nos fretes praticados.
Outra preocupação é a falta de mão de obra do motorista
profissional. Esta escassez já é comentada há vários anos e, cada dia mais, as
empresas sentem a dificuldade na contratação de bons profissionais nesta
categoria. O alto nível de qualificação exigido e menos interesse na profissão
são os dois pontos principais que tornam estes profissionais mais requisitados
que outros no mercado. Só no Brasil, a oferta de motoristas habilitados com
categoria “C” ou similar vem caindo desde 2015.
Por esse motivo, as empresas precisam estruturar planos de
retenção e apostar em programas de carreira para novos motoristas, para que não
ocorra um colapso no futuro.
O que
esperar para o próximo ano?
Estima-se que a economia nacional ainda apresente juros
altos em todo o ano de 2023, mas com a reabertura e a recomposição do mercado
de trabalho, os empregos devem sustentar a circulação de dinheiro, embora a
massa salarial não esteja nos patamares pré pandemia.
Apesar dos preços dos insumos ainda continuarem elevados no
mercado, o transporte rodoviário de cargas vem se mostrando resiliente e deve
crescer, devido ao período de sazonalidade das operações de final de ano,
puxado pelo consumo das famílias. Consequentemente, espera-se um valor de frete
mais estável para o futuro.
Fonte: SETCESP / Foto: Divulgação