Publicado em: 15/02/2022
A
operação-padrão de auditores da Receita Federal nas últimas semanas acumulou
até este início de semana quase quatro mil caminhões de carga em Foz do Iguaçu
(PR), na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, de acordo com o
Sindifoz (Sindicato Patronal do Transporte Rodoviário Internacional
de Carga).
O custo diário
para transportadoras e motoristas autônomos é estimado em R$ 3,8 milhões.
A maioria das
cargas é de alimentos industrializados e cereais, segundo a entidade contatada
pelo Notícias Agrícolas. Com a paralisação, os produtores de frangos e suínos,
que trazem cargas do Paraguai para a produção de ração para alimentar os
animais, já buscam alternativas em estados da região central do país.
Também há
relato de impacto no transporte de cargas vivas. Também há perda de janelas de
embarques em navios; custos adicionados logísticos com demurrage e outros
pontos, problema com estocagem direta e terceirizada, redução nos níveis de
produção. Uma empresa deixou de exportar mais de 10% de seus produtos.
“O Paraguai é
um grande fornecedor de farelo de soja e milho para esses produtores. Nossa
região é a que mais produz proteína do Brasil e acendeu uma luz vermelha na
quarta-feira para a falta de alimentação para esses animais e eles já estão
buscando alternativas”, disse o presidente do Sindifoz, Rodrigo Ghellere.
Em nota, a
Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que apoia os pleitos da
carreira dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (AFFAs) e que vem atuando
junto ao governo federal. Ao mesmo tempo, a entidade destaca a importância da
manutenção do fluxo de produção.
“[A entidade]
lançou mão de salvaguardas jurídicas, com Mandado de Segurança, para evitar que
os prejuízos gerados se acumulem, o que poderia gerar consequências para o
consumidor brasileiro e para os clientes internacionais da proteína animal do
Brasil”, disse.
As cooperativas
e granjeiros estão buscando produtos para alimentar os animais em Mato Grosso e
Mato Grosso do Sul. “Sem isso, eles vão precisar fazer cortes na produção e
todo esse cenário vai refletir diretamente na mesa dos brasileiros e em preços”,
afirma Ghellere.
De acordo com o
presidente da entidade, outras alfândegas do país também estão enfrentando
problemas com a paralisação dos auditores, mas o reflexo em Foz do Iguaçu é
maior por conta do grande fluxo de caminhões que o local recebe diariamente. Em
dias normais, são cerca de 1 mil caminhões que passam pela Ponte da Amizade.
Agora, o acesso
ocorre apenas em parte do dia para caminhão entrar no Paraguai e em outros
momentos para adentrar ao Brasil. “Em algum momento durante o dia, eles permitem
cargas vivas, produtos de primeira necessidade e de primeiros socorros, mas
isso é menos de 1% do volume diário de caminhões que passa na região”, destaca
o presidente do Sindifoz.
A situação do
transporte foi levantada em reunião com o governo nos últimos dias pela
Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que também
enfrenta impactos com a paralisação dos auditores. O governo disse que estuda a
situação e busca por solução.
A paralisação
dos auditores foi iniciada há mais de um mês. Procurado, o Sindicato Nacional
dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco) reiterou o
posicionamento da entidade.
“Auditores
fiscais que exercem funções nas equipes técnicas do eSocial e EFD-Reinf,
alertam que o corte orçamentário de mais de R$ 1,2 na Receita Federal
inviabilizará a declaração de informações necessárias à arrecadação de tributos
sobre folha de pagamento e retenção diversas, que representam hoje cerca de 30%
da arrecadação federal – mais de R$ 553 bilhões”, disse em carta aberta.
Fonte:
NTC&Logística