Publicado em: 06/05/2022
A retomada do
comércio físico no ano em curso, em decorrência do combate à pandemia da
Covid-19 no país e o aumento da mobilidade social, não deve provocar grandes
alterações nas vendas online, segundo as empresas especializadas no segmento,
ouvidas por Frota&Cia.
Segundo
levantamento da Neotrust, em parceria com o Comitê de Métricas da Câmara
Brasileira da Economia Digital, o e-commerce no Brasil acusou um crescimento de
12,59% no primeiro trimestre de 2022, em relação a igual período do ano
passado, enquanto o faturamento do setor mostrou uma alta de 11,02% na
mesma base de comparação. Nas contas da empresa, as vendas digitais devem
alcançar um faturamento de R$ 174 bilhões em 2022, 9% a mais que o ano passado,
com um total de pedidos estimado na ordem de 379 milhões..
Giuseppe Lumare
Júnior, Diretor Comercial da Braspress, mais conhecido como Pepe, admite que o
movimento no período foi positivo, embora tenha sido bastante conturbado. Na
visão do transportador, muitas incertezas afetaram o ânimo do consumidor, com
destaque para o avanço da inflação, que afetou a sua confiança e reduziu as
tendências de compra. “Contudo, a nova base de clientes afeitos a esse canal de
compras cresceu muito, o que deve manter essas compras aquecidas. Lumare
admite que o retorno das atividades comerciais abre mais alternativas ao
consumidor, sendo lícito imaginar que ele volte a comprar mais no comércio
tradicional.
A afirmação tem
o aval do CEO da Jadlog, Bruno Tortorello, ao admitir que a pandemia acelerou a
migração de negócios e de hábitos de consumo para o ambiente virtual; um
comportamento que não tem mais volta. “Milhares de novos consumidores
experimentaram pela primeira vez uma compra on-line e tantos outros estão
comprando mais e de segmentos que antes só compravam presencialmente. Estes
novos hábitos certamente serão incorporados na nova realidade da sociedade
pós-pandemia. Somado a isso, também tivemos uma grande migração de pequenos e
grandes negócios para o e-commerce e a as vendas neste ambiente foram
intensificadas de uma maneira geral pelos varejistas que ali já estavam”,
atesta Tortorello.
Pressão dos
prazos
Na visão dos
entrevistados, outro ponto importante que vem se incorporando aos novos hábitos
de consumo é a rapidez na entrega das mercadorias adquiridas no comércio
virtual. É um fator que pode definir a decisão do consumidor entre realizar a
compra online ou ir até uma loja, para levar seu produto na hora. Para atender
a essa exigência, a Jadlog responde com contínuos investimentos na
infraestrutura operacional. “Cerca de 80% das operações da transportadora estão
relacionadas ao e-commerce, por isso o segmento impacta diretamente nos
resultados da empresa”, comenta o CEO da empresa. Segundo ele, a companhia
investiu cerca de R$ 30 milhões em 2021 em infraestrutura, frota, TI e
sustentabilidade. E pretende investir mais R$ 20 milhões no ano em curso.
“Buscamos
aprimorar a qualidade e a eficiência dos nossos serviços, visando também
atender à pressão pela redução de prazos. A Covid-19 exigiu medidas como a
antecipação de investimentos para fazer frente ao novo patamar de consumo via
comércio eletrônico”, explica Tortorello. “É o caso do Predict, serviço digital
lançado há pouco tempo, que informa o destinatário sobre o horário de entrega
via SMS e e-mail já no dia da entrega, com a janela de uma hora de variação até
a chegada efetiva da encomenda”
A Braspress,
por sua vez, lida com a questão de maneira diferente, pelo fato de contar com
uma abrangência nacional, “um diferencial que que atrai muitos clientes porque
são poucas as opções de transportes com essa oferta, especialmente para
entregas nas localidades mais distantes”, ressaltam Pepe. Ele explica que,
nesses casos, a companhia oferece prazos realistas e os menores do mercado. Já
nas capitais e curtas distância, a transportadora já opera com entregas em 24h.
Desafios do
segmento
Os problemas
enfrentados pelo transporte de comércio eletrônico são, em parte, os mesmos de
outras especialidades de transportes, mas com inúmeras particularidades. Bruno
Tortorello ressalta que um dos principais desafios é oferecer cada vez mais
opções de serviços de entregas, o que significa conveniência para toda a
cadeia. “Com consumidores cada vez mais exigentes e atentos a uma boa
experiência de compra no e-commerce, alternativas de entregas são fundamentais
e acabam sendo um motivo que leva à conversão de vendas”
Giuseppe
Lumare, de outro lado, entende que a tendência dos
grandes marketplaces como Mercado Livre, Magazine Luiza, B2W etc, de
operar com transporte próprio pode parecer uma boa ideia a princípio, mas
revela um ponto de fraqueza. “Ao abdicarem do uso das transportadores
tradicionais, cujas estratégias comerciais abrangem todos os perfis de carga e
alcançam a totalidade dos segmentos econômicos,
esses marketplaces podem perder força junto aos consumidores. E,
ainda, ficarem sem o apoio das empresas que oferecem abrangência e frequências
de viagens para todo o Brasil.
Fonte:
Frota&Cia / Foto: divulgação/Frota&Cia