Publicado em: 31/03/2022
O Governo do
Estado e instituições privadas como o Terminal de Contêineres de Paranaguá
(TCP) estudam a ampliação das importações e exportações do Paraguai pelo Porto
de Paranaguá.
O governador
Ratinho Junior reforçou nesta terça-feira (29), em evento promovido pela TCP,
uma maior integração logística entre o Paraná e o país vizinho, tendo em vista
os projetos em curso no Estado para a modernização dos modais de
infraestrutura.
Utilizado
historicamente como a principal rota de acesso para o comércio exterior
paraguaio, o porto perdeu protagonismo em 2003, quando o bloqueio do Estado a
produtos transgênicos fez com que o País desenvolvesse um sistema de hidrovias
nos rios Paraguai e Paraná, escoando boa parte dos produtos por portos da
Argentina e do Uruguai.
Agora, com
projetos como a Nova Ferroeste, o novo programa de concessões rodoviárias, a
Ponte de Integração Brasil-Paraguai e os investimentos no Porto de Paranaguá, o
Estado tem a oportunidade de se tornar novamente a principal porta de entrada e
de saída do Paraguai para o mar.
“Estamos à
disposição para construir projetos com o setor produtivo paraguaio para atender
a logística do País”, disse o governador. “O Paraná cometeu no passado um erro
grave, ideológico, que prejudicou as duas localidades. Estamos com a missão de
fazer um resgate histórico dessa parceria, que por anos foi muito importante.
Temos plena capacidade de ampliar ainda mais essa integração”, afirmou Ratinho
Junior.
“Trabalhamos
por muito tempo, desde os anos 1980, com o Porto de Paranaguá. Infelizmente,
algumas decisões políticas fizeram com que a carga paraguaia buscasse outros
corredores. Estamos muito interessados em ter uma logística maior pelo Porto de
Paranaguá, que reduz o tempo e os custos”, destacou Juan Carlos Munhoz, diretor-geral
da Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP), autarquia do governo
paraguaio de exploração dos serviços portuários.
Segundo Munhoz,
o Paraguai movimentou, no ano passado, 165 mil TEUs (unidade de medida de um
contêiner de 20 pés), sendo um volume cada vez maior através do Porto de
Paranaguá. “É um mercado com grande potencial, por isso é importante
potencializar a integração regional e explorar as vantagens logísticas de
Paranaguá. A redução dos custos logísticos torna essa uma rota de interesse
para o Paraguai”, disse.
O diretor
Comercial e Institucional da TCP, Thomas Lima, explicou que a empresa
direcionou seus esforços para reconquistar esse mercado, já que o comércio via
Porto de Paranaguá reduz em 25 dias o tempo de transporte de produtos
paraguaios, além de ser um dos únicos terminais portuários do Brasil a contar
com a presença do Depósito Franco Paraguaio, exigência necessária para
transporte internacional de cargas importadas com destino ao país vizinho.
“O nosso eixo
logístico poderia ser muito mais aproveitado do que é atualmente, o que geraria
uma competitividade muito interessante para as empresas paraguaias, além de
ganhos para o Paraná”, disse Lima. “Por isso queremos mostrar às autoridades
paraguaias que é preciso fazer o gerenciamento dessa competição, melhorar as
taxas de Paranaguá para ampliar a movimentação por aqui, que é muito mais
rápida que pelos outros países”.
INFRAESTRUTURA –
Ratinho Junior disse que os projetos de infraestrutura vão consolidar o Paraná
como a principal central logística da América do Sul, dada a posição
estratégica do Estado no mapa, que fica no centro de 70% do mercado consumidor
da região. “Somos a ligação do Sul com o Sudeste e estamos no centro da
produção do PIB da América do Sul, muito próximos do Paraguai, Argentina e
Uruguai, um posicionamento geográfico muito estratégico”, afirmou.
Entre as
iniciativas apresentadas pelo governador, o principal destaque é para a Nova
Ferroeste, estrada de ferro que vai ligar Maracaju (MS) ao Porto de Paranaguá.
Serão 1.300 quilômetros de extensão, incluindo um ramal entre Foz de Iguaçu e
Cascavel que será construído justamente para absorver a produção paraguaia. O
traçado também deve passar por Guaíra, outra cidade paranaense que faz
fronteira com o País.
De acordo com o
estudo de viabilidade da ferrovia, a previsão é que somente esse ramal
movimente 3,2 milhões de toneladas de produtos já no primeiro ano de operação e
até 4,1 milhões de toneladas em 30 anos. Em todo o projeto da estrada de ferro,
o investimento previsto é de R$ 29,4 bilhões, com a movimentação de 38 milhões
de toneladas de produtos já no primeiro ano de operação plena, o que fará da
Nova Ferroeste o segundo maior corredor de exportação de grãos e proteína
animal do Brasil.
“A Nova
Ferroeste vai permitir que Paranaguá se torne o principal porto do Paraguai,
com a redução dos custos logísticos e do tempo de carga. O transporte que eles
fazem hoje, pelas hidrovias, adiciona em 30 dias o tempo de transporte até a
China, o dobro do que seria com a ferrovia”, explicou Luiz Fagundes,
coordenador do Plano Estadual Ferroviário do Paraná. “Além disso, reduz a
insegurança logística, já que diminuição no nível de águas nos rios impede a
navegação. A ferrovia traz equilíbrio, segurança, redução de custo e de tempo
na matriz logística do País”.
Também deve ir
a leilão ainda neste ano, na Bolsa de Valores, o novo programa de concessões
rodoviárias do Paraná, que vai contar com 3,3 mil quilômetros de rodovias
estaduais e federais. A previsão é de R$ 44 bilhões de investimentos em obras,
incluindo 1,7 mil quilômetros de duplicações.
Já o Porto de
Paranaguá, considerado por dois anos consecutivos como o terminal com a melhor
gestão portuária do País, prevê investimentos privados de R$ 2,6 bilhões nos
próximos anos com a arrendamento de novas áreas.
Além disso, o
Governo do Estado está investindo R$ 500 milhões para aumentar a capacidade de
transporte ferroviário no Cais Leste, no projeto conhecido como Moegão. A
licitação deve ser concluída em maio, e as obras iniciam logo na sequência. A
moega exclusiva para carga e descarga de trens vai receber até 180 vagões
simultaneamente, com três linhas independentes e correias transportadoras
ligando 11 terminais.
PRESENÇAS –
Participaram do encontro o secretário de Estado da Infraestrutura e Logística,
Sandro Alex; o presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia; o
presidente da TCP, Tony Shi; os diretores-presidentes da Ferroes, André
Gonçalves; da Invest Paraná, Eduardo Bekin; o diretor de Relações Institucionais
e Internacionais da Invest Paraná, Giancarlo Rocco; o delegado-geral da ANNP,
Belarmino Duarte; o delegado da ANNP, José Rojas; o diretor Administrativo da
Itaipu Binacional, Paulo Roberto da Silva Xavier; entre outras autoridades.
Fonte: Correio
do Litoral / Foto: Gilson Abreu/AEN