Publicado em: 09/06/2023
O Estado do Paraná apresenta nesta Semana do Meio Ambiente o
Plano Estadual para Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na
Agropecuária (Plano ABC+ Paraná), com vistas ao desenvolvimento sustentável. O
documento, já discutido em várias reuniões, tem como base plano divulgado pelo
Governo Federal, que estabelece desafios nacionais a serem vencidos até 2030.
O governador Carlos Massa Ratinho Junior destacou a
importância do trabalho a favor de um Planeta melhor e salientou a contribuição
que o Estado já tem dado nessa direção. Em razão disso, foi considerado por
dois anos seguidos como o Estado mais sustentável do Brasil, no Ranking de
Competitividade dos Estados.
“Estamos crescendo economicamente, mas com responsabilidade
ambiental”, salienta. “Este Plano ABC+ exigirá esforços de todos, mas é uma
contribuição consistente que o Paraná dá na construção de uma política
inovadora de respeito ambiental e social”.
Para o secretário de Estado da Agricultura e do
Abastecimento, Norberto Ortigara, o setor agropecuário paranaense, representado
por várias entidades que elaboraram o documento, vai dar sua contribuição na
garantia de um futuro saudável. “Queremos responder com a mesma bondade os
benefícios que recebemos da natureza, pois a agropecuária depende da água, do
ar e da terra, física, química e biologicamente bem equilibrados”, afirma.
O plano é fundamental para guiar um Estado que é líder na
produção nacional de frangos (35,54%) e também se destaca no cultivo da
erva-mate (87,4%) e do feijão (18,1%), além de ter presença significativa em
diversas cadeias produtivas, como piscicultura (21,4%), sericicultura (84,21%),
mel (15,73%), trigo (2,8%), cevada (73%), leite (13,6%), aveia (22%), madeira
(17,2%), ovos (9,56%), milho (9,3%), soja (22,8%) e suínos (19,20%).
BOAS PRÁTICAS – O Paraná tem tradição de boas
práticas agropecuárias, entre elas o Sistema de Plantio Direto, que nasceu no
início da década de 70, e já adotou vários programas que se sucederam ao longo
dos anos e ainda permanecem tendo em vista a conservação e melhorias dos
atributos físicos, químicos e biológicos dos solos.
A partir de 2009 o Estado assumiu as orientações da
Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do
Clima (COP-15), realizada em Copenhague (Dinamarca). Naquele evento, o Brasil
comprometeu-se a reduzir de 36,1% a 38,9% a emissão de gases de efeito estufa
até 2020.
A ação fortaleceu-se em 2011 ao referendar o Programa ABC, do
Governo Federal, apresentado em 2015 na COP-21, da qual resultou o Acordo de
Paris, com metas ambiciosas para garantir um Planeta mais sustentável.
Em 2021 acrescentou-se um + ao ABC, com a criação de uma
linha de crédito destinada ao financiamento de tecnologias e sistemas de
produção nas propriedades rurais, para promover uma agropecuária mais adaptada
à mudança climática e também mitigadora de gases de efeito estufa.
O Segundo Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa do
Paraná, da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável/Simepar, apontou
que 58% das emissões em 2019 tiveram origem nos subsetores de pecuária,
agricultura e mudança no uso da terra, o que amplificou a dimensão do plano
estadual.
“Agindo regionalmente assumimos o protagonismo do esforço
nacional e mundial de fixar mais carbono no solo e reduzir a emissão de gases
causadores do efeito estufa”, reforça Ortigara.
Segundo ele, a responsabilidade do agricultor e do pecuarista
é grande e decisiva quando se trata de fixar carbono nos processos produtivos.
“Vamos contribuir para aumentar o estoque desse elemento-chave à vida e para
reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa”, diz. “A construção do
presente e do futuro não pode mais ser adiada”.
Em Sistemas Agroflorestais, a ampliação será em 30 mil
hectares, enquanto as florestas plantadas deverão ocupar mais 220 mil hectares.
O Plano também privilegia o uso de bioinsumos em 430 mil hectares e de sistemas
de irrigação em 48 mil hectares, além da ampliação em 78,9 milhões de metros
cúbicos do Manejo de Resíduos de Produção Animal. O Estado assume ainda o
compromisso de aumentar em 60 mil cabeças o número de bovinos terminados de
forma intensiva e aproveitar 78,9 milhões de metros cúbicos de dejetos animais
para a produção de biogás/biometano.
O documento também orienta pelo fortalecimento de programas
estaduais que já estão em andamento, como o RenovaPR (transformação energética
do campo), Paraná Mais Verde (plantio de novas mudas), Prosolo Paraná
(mitigação dos processos erosivos do solo e da degradação dos cursos d’água) e
a Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada, que tem como meta a
expansão da pesquisa e a integração da academia aos novos processos produtivos
sustentáveis.
“Há margem para que os resultados sejam ainda mais expressivos,
por isso estamos prevendo para 2025 uma reavaliação das metas estipuladas agora
e, caso sintamos que é possível incrementar os esforços, isso será feito”, diz
Breno Menezes de Campos, coordenador do Plano ABC+ Paraná e chefe do
Departamento de Florestas Plantadas (Deflop), da Seab.
As ações e estratégias para se alcançar os objetivos envolvem
desde os pequenos hortifruticultores até os grandes produtores de grãos. “A
produção sustentável deve ser compromisso de todos, pois a terra, o ar e a água
são os principais insumos para quem está integrado à missão de produzir
alimentos”, afirma Ortigara. “Produzir e ganhar em produtividade não está em
dicotomia com a preservação e o cuidado com o meio ambiente. Pelo contrário, o
ambiente responde de forma positiva quando é bem tratado”.
OPERACIONALIZAÇÃO – Os principais atores na
operacionalização, estratégia e implementação do Plano ABC+ no Paraná serão o
IDR/Paraná e a SEAB/PR. Para difundir e implementar as ações estratégias e
tecnologias do ABC+, o IDR-Paraná elaborou um projeto de capacitação do Plano
ABC. Estão previstos 12 cursos (periodicidade anual) referentes aos produtos,
processos e sistemas preconizados pelo ABC+PR. Esta capacitação será
direcionada para profissionais de nível técnico e superior para serem
multiplicadores das tecnologias sustentáveis de baixa emissão de carbono.
Além desse projeto de capacitação do Plano ABC+, estão
previstas estratégias para levantamento de subsídios para criação e
implementação de políticas públicas voltadas para a conservação do meio
ambiente e mitigação da emissão de carbono na agricultura paranaense. Para isso
o Paraná conta com o apoio de instituições de pesquisa como a Embrapa
Florestas, Embrapa Soja, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica
Federal (UTFPR), universidades estaduais, além de outras instituições privadas
do agronegócio.
RESULTADOS – O objetivo estabelecido pelo Brasil no Plano
ABC+ é de reduzir a emissão de carbono equivalente em 1,1 bilhão de toneladas
até 2030, ou 50% do que se emitiu em 2005. Ele é um complemento ao Plano ABC,
realizado entre 2010 e 2020, que apresentou resultados superiores aos
previstos. Foram mitigados 170 milhões de toneladas de dióxido de carbono
equivalente em uma área de 52 milhões de hectares, superando em 46,5% a meta
estabelecida.
O foco, que se estende para os Estados, é uma abordagem
integrada da paisagem das áreas produtivas, e não apenas sob o aspecto de
produção de alimentos. Nisso estão envolvidos os cuidados com o solo,
conservação de água, respeito à biodiversidade e cumprimento do Código
Florestal.
Fonte: Portal Rondon/ Foto: Reprodução