Publicado em: 12/09/2022
Os agricultores paranaenses dão exemplo quando o assunto é
reciclagem de embalagens vazias de defensivos agrícolas. Levantamento realizado
pelo inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias) mostra
que, de 100 embalagens vendidas, 99 retornam ao ciclo produtivo como
matéria-prima de outros produtos, sejam novos recipientes para agroquímicos ou
artefatos para outras indústrias, como automotiva e energética.
José Antônio Borghi, presidente da Comissão Técnica de
Cereais, Fibras e Oleaginosas da Faep (Federação da Agricultura do Estado do
Paraná), considera que os números do Paraná são resultado de um esforço
conjunto.
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“Quando todos falam a mesma língua, temos os elos da cadeia
trabalhando para atingir os melhores resultados. O próprio produtor estava
esperando essa alternativa, que resolveu um problema na prioridade e a questão
ambiental. Todo mundo saiu ganhando, principalmente a sociedade”, afirma.
Em todo o Brasil, 94% das embalagens plásticas primárias
colocadas no mercado são descartadas de maneira ambientalmente correta. Ou
seja, a cada 100 embalagens utilizadas no agronegócio brasileiro, 94 têm
descarte adequado. Na França, o índice de reaproveitamento é de 77%; no Canadá
e na Alemanha, de 73%; no Japão, de 50%, e nos Estados Unidos, esse índice é de
apenas 33%.
NO TOPO
Os agricultores paranaenses já destinaram corretamente mais
de 7 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas de 2021. O
montante representa 13% do volume total do Brasil, o que coloca o Paraná na
segunda posição do ranking de adesão ao Sistema Campo Limpo, somente atrás de
Mato Grosso (25%). A devolução das embalagens é uma obrigação legal do produtor
rural, assim como guardar a nota fiscal da compra.
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Desde o início das operações, em 2002, o Sistema Campo Limpo
vem sendo ampliado em todo o território brasileiro, consolidando o país como referência
mundial na logística reversa de embalagens vazias e sobras pós-consumo de
agroquímicos. Desde então, o programa já recebeu mais de 670 mil toneladas de
recipientes.
GESTÃO
Fundado em 2002, o inpEV (Instituto Nacional de
Processamento de Embalagens Vazias) é a entidade gestora do Campo Limpo. É uma
instituição sem fins lucrativos, formada por 140 fabricantes e nove entidades
representativas da indústria, distribuidores e agricultores.
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“O Sistema Campo Limpo desempenha um papel fundamental para
o meio ambiente ao prolongar o ciclo de vida de materiais, reduzir a extração
de recursos naturais de origem fóssil e impedir que as embalagens de defensivos
agrícolas sejam destinadas de forma inadequada”, destaca Fabio Macul,
coordenador geral de operações do inpEV.
De 2002 e 2021, o trabalho realizado evitou a emissão de
cerca de 900 mil toneladas de CO², o equivalente a 16 mil viagens de caminhão
ao redor da terra, e também o consumo de energia elétrica suficiente para
abastecer 5,2 milhões de casas durante um ano. Além disso, somente em 2021,
foram 89,8 milhões de litros de água economizados.
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“Para o futuro, seguiremos desenvolvendo ações para engajar
cada vez mais os elos da cadeia agrícola na destinação correta de embalagens,
com grande ênfase aos projetos de educação e conscientização ambiental,
inclusive para crianças e jovens, aproveitando que estamos presentes em todos
os estados do país”, conclui o coordenador.
No Brasil, existem mais de 400 unidades fixas de recebimento
de embalagens vazias de defensivos agrícolas: 99 centrais e 312 postos. Todas
as centrais contam com Agendamento Eletrônico de Devolução. O sistema conta com
mais de 260 associações de revendas e cooperativas e atende cerca de 2 milhões
de propriedades rurais em todo o País, segundo dados do Censo Agrícola do IBGE
de 2017.
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O Paraná conta com 12 centrais de recebimento de embalagens
vazias, administradas pelo inpEV, e 65 postos de recebimento distribuídos em
todas as regiões, geralmente geridos por associações de distribuidores ou
cooperativas.
Nas centrais, as embalagens são prensadas e separadas após o
recebimento, o que ajuda a reduzir o volume enviado à destinação final para
reciclagem ou incineração.
EXEMPLO
O produtor rural Carlos Eduardo dos Santos Luhm, de
Guarapuava (centro-sul paranaense), dá o exemplo quando o assunto é reciclar
embalagens de agrotóxicos. Durante os sete anos que faz a entrega em uma
central administrada pelo inpEV, no município, ele contabiliza a destinação
correta de mais de 15 mil unidades, de diversos tamanhos.
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“A entrega é fácil, normalmente pré-agendada, então é um
processo rápido. O caminhão vai no horário e não há demora. Normalmente faço a
entrega duas vezes ao ano, durante as safras de inverno e de verão. Os
agricultores devem estar conscientes sobre essa prática, pois evitam o perigo
de contaminação de lençol freático, rios ou lagos”, explica.
Atualmente, as lavouras de verão cultivadas na propriedade
são milho, soja e feijão. Já as lavouras de inverno são trigo e aveia. Ao todo,
são 600 hectares plantados dessas cinco culturas.
Cursos do Senar contemplam tema
O Senar-PR promove cursos que contemplam a logística reversa
de embalagens de agrotóxicos há 20 anos. Nesse período, quase 70 mil
participantes já concluíram os treinamentos no Estado.
O treinamento inclui diversos tópicos, como normas para
utilização, aquisição e transporte de agrotóxicos, riscos de intoxicação, entre
outros.
“As capacitações são essenciais para que o produtor e
trabalhador rural executem suas atividades de acordo com as normas e leis
vigentes, com respeito ao meio ambiente”, destaca Flaviane Medeiros, técnica do
Departamento Técnico do Sistema Faep/Senar-PR.
O Senar disponibiliza atualmente 6 treinamentos sobre
aplicação de agrotóxicos: NR 31:7; Tratorizado de Barras; Autopropelido;
Turbopulverizador; Costal Manual; Formigas Cortadeiras e IPP (Inspeção
Periódica de Pulverizadores).
Para participar dos cursos, o produtor ou trabalhador rural
deve procurar o Sindicato Rural ou a regional do Senar mais próxima e solicitar
o curso. Todos os cursos são gratuitos, com emissão de certificado.
Mais informações sobre os cursos com inscrições abertas
podem ser obtidas pelo link: sistemafaep.org.br/cursos-detalhes/?ETNumero=109
Fonte: Folha de Londrina / Foto: Arquivo Folha