Publicado em: 28/10/2022
Com destaque para a soja, milho e trigo, a safra de graõs
2022/23 deve chegar a marca de 25,7 milhões de toneladas no Paraná. A
estimativa, elaborada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da
Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), aponta que os
produtores puderam retomar a colheita das principais culturas há uma semana,
após vários dias de chuva intensa e intermitente pelo estado.
TRIGO
Os produtores avançaram na
colheita, que já chega a 63% da área semeada, estimada em 1,19 milhão de
hectares. “Houve uma pequena correção para cima, visto que as estimativas
iniciais apontavam área de 1,18 milhão de hectares, porém a produção foi
revista para baixo”, disse o agrônomo Carlos Hugo Godinho.
A nova projeção é que o Estado
colha 3,56 toneladas de trigo contra a expectativa até o mês passado de 3,8
milhões de toneladas. De acordo com Godinho, parte da revisão se deve à
estiagem no Norte e Centro-Oeste do Estado, que teve quebra de 11%, e a outra
parte às chuvas e geadas no Oeste e Sudoeste, com retração de 30% e 16%,
respectivamente.
SOJA
Para a soja, o período sem chuva
também foi favorável com avanço de 11 pontos porcentuais. Os 600 mil hectares
plantados em três a quatro dias fez com que se avançasse de 33% para 44% a área
semeada. A expectativa é de que se colham 21,5 milhões de toneladas de soja na
safra.
“Se não houver chuva nos
próximos dois dias, vai avançar bastante o plantio, que ainda está em atraso em
todo o Estado se comparar com o ciclo anterior”, estimou o analista de soja no
Deral, Edmar Gervásio. Neste período, na safra 21/22, cerca de 60% da área
estava plantada. “De modo geral, em termos de qualidade, a safra está boa”.
MILHO
O plantio do milho primeira
safra alcançou 82% da área total de 400 mil hectares e a produção esperada,
neste momento, é em torno de 3,9 milhões de toneladas, embora ainda haja
indefinição. “Há um risco um pouco maior nessa cultura, porque pegou muito esse
volume de chuva e talvez possa prejudicar o desenvolvimento, mas ainda é cedo
para cravar alguma coisa”, disse Gervásio. No Paraná, a segunda safra de milho
é a mais expressiva.
FEIJÃO
O feijão segunda safra do Paraná
teve a colheita encerrada em julho, com 561 toneladas. “Foi uma safra muito
boa, do que se tem registro, é a maior que o Paraná já colheu”, disse o
economista Methodio Groxko, analista da cultura no Deral. O volume é 96%
superior ao que foi colhido no ano passado, bastante prejudicado pela estiagem.
Os produtores ainda têm 22 mil toneladas para comercializar, o que representa
4%.
O feijão primeira safra, que
está em fase de plantio na maioria das áreas, foi também beneficiado pelas
condições climáticas dos últimos dias. A semeadura avançou para 64% da área de
122 mil hectares. No entanto, esse volume ainda é 20 pontos porcentuais menor
que nos anos anteriores.
CEVADA
A colheita da cevada também
ficou interrompida vários dias em razão das chuvas, mas começou a se
intensificar desde o último fim de semana. Em Ponta Grossa, nos Campos Gerais,
um dos principais polos produtores, já foram colhidos pelo menos 20% da área.
“Pelas informações que recebemos, a cevada colhida em Ponta Grossa apresenta
qualidade baixa”, lamentou o agrônomo Rogério Nogueira.
No ano passado, grande parte da
produção foi utilizada para ração em razão da qualidade, o que pode se repetir
este ano. Guarapuava (Centro-Sul), outro polo importante de produção, está com
pouca área colhida, mas o rendimento pode ser atrapalhado por doenças e fungos
difíceis de combater com chuvas.
OLERICULTURA
Entre os produtos da
olericultura com maior expressividade neste momento estão a batata, a cebola e
o tomate. Os técnicos do Deral apontam que restam 2% de área da batata segunda
safra 21/22 a serem colhidas, basicamente a que é produzida na região de
Cornélio Procópio, no Norte do Estado. A da primeira safra 22/23 já tem 80% da
área de 15,6 mil hectares plantada.
A cebola, que deve render 107,4
mil toneladas, também já foi toda plantada e a colheita está recém-iniciando. O
tomate segunda safra 21/22 está praticamente com toda a área colhida. A
primeira safra 22/23 alcançou 71% de plantio e já começa a ser colhido nas
regiões mais quentes do Estado. “O que se observa para as safras 22/23 dessas
culturas é que os índices de produtividade já são superiores às safras
anteriores, o que é indicativo de que podemos ter uma safra melhor”, avaliou o
agrônomo Paulo Andrade.
MANDIOCA
A colheita da mandioca também
foi bastante prejudicada pelas chuvas que vinham se despejando no Estado, com
dificuldade da entrada de maquinário nas lavouras. A pausa nas precipitações
desde o último final de semana possibilitou avanço para 83% da área de 135,3
mil hectares. “Mas ainda está atrasada”, salientou Methodio Groxko.
Os preços da mandioca em raiz
têm se estabelecido em patamar alto, por volta de R$ 983 a tonelada, o que
representa 93% a mais que no ano passado. A fécula e a farinha de mandioca
também tiveram aumento, em índice de 80%. “Passada a pandemia e as dificuldades,
principalmente com mão de obra, a partir do segundo semestre do ano passado, os
preços foram crescendo de forma acentuada e, em termos nominais, é o maior que
a mandioca já experimentou nos últimos anos”, disse Groxko.
CAFÉ
Está praticamente todo colhido
no Paraná, aguardando-se apenas o final dos trabalhos em campo para um
levantamento mais completo. “É uma safra difícil de quantificar”, disse o
economista Paulo Franzini, analista da cultura no Deral. Estima-se que a quebra
possa ser de 35% em relação à última safra, por conta principalmente das geadas
e seca.
O clima deste ano - frio em
maio, calor em junho e julho, e frio em setembro e outubro - também preocupa
para a nova florada, que tem acontecido de forma esparsa. “Para o próximo ano,
devemos ter uma safra melhor, que recupera um pouco as perdas por geada, mas
não recupera o potencial”, disse Franzini.
BOLETIM AGROPECUÁRIO
Também foi divulgado nesta
quinta-feira (27) o Boletim Semanal de
Conjuntura Agropecuária. Além de falar
sobre as principais culturas a campo no Estado, como feijão, milho, soja e
trigo, o documento traz informações sobre a fruticultura paranaense - como o
volume de produção e renda gerados pelas frutas de caroço no ano passado-; e a
pecuária leiteira, que viu seu custo de produção reduzir diante das chuvas que
ocorreram no Estado.
Fonte: Paraná Portal / Foto: Albari Rosa/AEN