Publicado em: 25/02/2022
Estimativas atualizadas pelos técnicos do Departamento de
Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do
Abastecimento, indicam que o Paraná vai produzir 14,74 milhões de toneladas de
grãos na safra de verão 2021/22, em uma área de 6,24 milhões de hectares. O
volume é 42% menor do que o esperado no início da safra, que era de
aproximadamente 25,5 milhões de toneladas. As informações são do relatório
mensal da safra,
divulgado nesta quinta-feira (24).
A queda acentuada se deve principalmente à redução no
potencial da soja, que ocupa 90% da área plantada de grãos no Paraná. O volume
previsto atualmente para essa cultura é 45% menor do que a estimativa inicial.
Espera-se que o Estado produza 11,63 milhões de toneladas de soja na safra
21/22, quase 10 milhões a menos do que se estimava inicialmente.
O chefe do Deral, Salatiel Turra, explica que a estiagem
prolongada é a principal responsável pelos efeitos negativos na produção
agrícola paranaense. “Esses índices impactam diretamente a nossa economia, que
tem expressiva participação do agronegócio”. A preços atuais, as perdas
financeiras com a quebra podem ficar entre R$ 30 bilhões e R$ 33 bilhões.
O relatório mostra ainda perdas na primeira safra de milho. A
expectativa do Deral é que sejam produzidas 2,76 milhões de toneladas, número
35% inferior à expectativa inicial, que era de 4,26 milhões de toneladas. No
caso do feijão, a variação negativa chega a 33%, na comparação com o potencial
no início da primeira safra – de 279 mil toneladas para 185,75 mil toneladas.
SOJA - Na última semana, a colheita da soja
atingiu quase 30% da área de 5,64 milhões de hectares. A atividade está
adiantada comparativamente ao ano passado, quando o índice era de 8%, devido ao
atraso no plantio naquele período.
O levantamento do Deral confirma que as adversidades
climáticas afetaram de forma significativa a produção da primeira safra de
soja, que será de aproximadamente 11,63 milhões de toneladas. Se a estimativa
se confirmar, a redução será de 44,8% comparativamente ao volume estimado no
início da safra, de 21,06 milhões de toneladas. “É a menor produção dos últimos
10 anos”, diz o economista do Deral Marcelo Garrido.
Segundo ele, todas as regiões do Estado tiveram quebra na produção,
mas as maiores perdas se concentraram nas regiões Oeste – uma das principais
produtoras no Estado – com redução de 2,9 milhões de toneladas; Norte, com
quase 1,8 milhão de toneladas a menos; e Centro-Oeste, com redução de quase 1,5
milhão de toneladas.
Cerca de 19% do total previsto para a safra já foi
comercializado pelos produtores, totalizando 2,2 milhões de toneladas. No mesmo
período do ano passado, quando o Paraná tinha uma produção mais expressiva, os
agricultores já tinham comercializado 45% do volume.
Na semana passada, a saca de 60 kg de soja foi
comercializada, em média, por R$ 186,00, preço 22% superior ao do mesmo período
do ano passado. A instabilidade política internacional pode promover mudanças
nos valores nos próximos dias.
MILHO PRIMEIRA SAFRA - A
produção esperada para a primeira safra de milho é de 2,76 milhões de
toneladas, cerca de 1,5 milhão a menos em relação à expectativa inicial, de
4,26 milhões de toneladas. Esses números não devem ter mudanças significativas,
já que, nesta semana, a colheita já atingiu 38% dos 434 mil hectares plantados.
As condições de lavoura das áreas a colher são de 42% em situação boa, 36%
mediana e 22% em condição ruim.
MILHO SEGUNDA SAFRA -
A segunda safra de milho apresenta um cenário mais favorável e o plantio
avançou nesta semana para 38% da área prevista. Neste momento, a
expectativa é de que sejam produzidas 15,54 milhões de toneladas em uma área de
2,63 milhões de hectares. Segundo o analista do Deral, Edmar Gervásio, essa é a
maior área da história para a segunda safra.
O preço recebido pelo produtor pela saca de 60 kg neste mês
está em torno de R$ 91,00, valor que remunera bem os agricultores.
Comparativamente a fevereiro de 2021, a alta é de 26%.
FEIJÃO PRIMEIRA
SAFRA - A cultura do feijão também foi severamente
prejudicada pela falta de chuvas. A redução com relação à estimativa inicial
chega a 33% – de 276 mil toneladas para 185 mil toneladas, em uma área de 141
mil hectares.
Segundo o economista Methodio Groxko, a colheita já atingiu 97%
da área, e o restante deve ser concluído nos próximos dias. “Das regiões que
cultivam o feijão no Paraná, apenas o núcleo de União da Vitória continua
colhendo, uma vez que nos municípios daquela região, o plantio acontece mais
tarde”, explica.
Apesar dos problemas que a cultura atravessou durante o
ciclo, a qualidade do produto colhido foi considerada de regular para boa. Até
o momento, cerca de 70% do volume já foi comercializado, semelhante ao
índice da safra anterior, e os preços recebidos pelos produtores pela saca de
60 kg são, em média, R$ 275,00 para o feijão-cores e R$273,00 para o
feijão-preto.
FEIJÃO SEGUNDA SAFRA - A estimativa para a
segunda safra de feijão é de que sejam produzidas 537 mil toneladas em uma área
de 271,76 mil hectares. Comparativamente à segunda safra do ano passado, a
produção indica um aumento de 88%. “Porém, é importante ressaltar que, no ano
passado, o feijão teve uma redução significativa. A seca castigou a cultura e
depois tivemos chuva no final da safra. Isso explica esse aumento expressivo
para o ciclo 21/22”, diz Methodio Groxko.
Até o momento, 77% da área está plantada. Novamente, as
chuvas escassas e o calor excessivamente alto durante os últimos dias de
janeiro e começo de fevereiro já começam a preocupar os produtores. As
condições das lavouras, até o momento, são: 18% médias e 82% boas.
TRIGO -
Nesta semana, os conflitos internacionais impactaram as cotações de trigo. Na
bolsa de Chicago, o produto ultrapassou US$ 9 o bushel, maior valor desde 2012.
Por outro lado, o cenário não teve reflexos na moeda brasileira. O Real caminha
para a sétima semana consecutiva de valorização frente ao Dólar. “Essa
apreciação da moeda nacional está equilibrando os efeitos da paridade de
importação de trigo no Brasil, apesar do movimento altista dos grãos no
Exterior”, diz o agrônomo Carlos Hugo Godinho.
As cotações no Paraná ao produtor continuam em torno de R$
89,00 a saca de 60kg desde o final de 2021, mesmo sendo observadas grandes
variações no mercado internacional a partir deste mesmo período. Porém, mesmo
uma pequena correção na moeda brasileira pode gerar aumentos na cadeia do trigo
nesta conjuntura.
MANDIOCA - A cultura da mandioca registra
neste momento a menor área da história. Estão previstos 131 mil hectares para a
safra 21/22, uma redução de 2% na comparação com o ciclo anterior, com 133 mil
hectares. Em 2020, a área era de 149 mil hectares. “Essa redução é preocupante,
considerando que o Paraná tem o maior parque industrial do Brasil”, diz Groxko.
O volume esperado para esta safra é de 2,84 milhões de
toneladas, o que representa uma redução de 7% com relação à safra 2020/21. As
principais causas são o aumento da área destinada ao cultivo de grãos e a
valorização da arroba bovina. Os preços hoje estão satisfatórios, apesar do
alto custo de produção. A tonelada da mandioca foi comercializada por, em
média, R$ 610,00 na última semana.
CAFÉ -
A alta dos preços no varejo chama a atenção a nível nacional. Fatores como o
aumento do faturamento das exportações, sem redução do consumo interno, aliado
às condições climáticas que afetaram a safra, ajudam a explicar a mudança. “O
aumento coincidiu com o alto custo de matéria-prima, embalagens, transporte e
logística, por exemplo. Aí estamos sentindo o preço no varejo”, explica o economista
do Deral, Paulo Franzini.
No Paraná, estima-se que sejam produzidas aproximadamente 560
mil sacas de café, uma perda de 36% na produção do ciclo 21/22 em relação à
safra passada, quando foram produzidas 880 mil sacas. A área tem redução
estimada em 16% na comparação entre os dois períodos, somando 27,8 mil hectares
nesta safra. Na última semana, os produtores receberam, em média, R$ 1.491 pela
saca de 60 kg de café.
BOLETIM SEMANAL – O Boletim
de Conjuntura Agropecuária,
referente à semana de 18 a 24 de fevereiro, além de abordar as consequências da
estiagem para soja, milho e feijão, analisa outras culturas paranaenses. Entre
elas, fala do quase término da colheita da batata de primeira safra e do avanço
da segunda. Na pecuária, a abordagem é sobre as dificuldades neste início de
ano que estão levando alguns produtores a reduzirem rebanhos ou abandonarem a
atividade.
Os reflexos da disputa entre Rússia e Ucrânia sobre a cotação
do trigo também é tema de análise. O boletim trata ainda das exportações
brasileiras de mel em janeiro deste ano e dá continuidade à abordagem da semana
anterior sobre a comercialização dos principais produtos hortícolas nas
unidades da Ceasa no Paraná.
Fonte: Paraná Governo do Estado / Foto: Jaelson
Lucas/Arquivo AEN