Publicado em: 17/01/2023
O Paraná é o terceiro estado com mais motoristas reprovados
em exames toxicológicos: foram 24.458 profissionais flagrados no
teste desde que ele começou a ser obrigatório, em 2016, até agosto de 2022. Os
números são da Associação Brasileira de Toxicologia.
O estado fica atrás apenas de São Paulo, onde cerca de 64
mil motoristas foram flagrados, e Minas Gerais, que registrou mais de 32 mil
testes positivos no período.
O exame é obrigatório para quem dirige caminhões, vans e
ônibus. Por lei, o teste deve ser feito a cada dois anos e meio e detecta uso
recorrente de álcool e drogas nos últimos seis meses.
No último fim de semana, um motorista
de caminhão cruzou Curitiba provocando acidentes em série. À polícia, ele
confessou ter bebido e usado drogas antes de pegar a estrada. Entenda
a história.
O presidente da associação, Renato Borges, defende que a
legislação exija o exame toxicológico em um intervalo menor de tempo.
"Uma frequência de testagem que seria considerada alta,
ou seja, seria feita, exigida a cada seis meses, é o ideal. Ela fecha todas as
janelas."
Elton Tramontin é dono de uma transportadora e afirma que a
primeira coisa a que o motorista é submetido quando começa a trabalhar na
empresa é o exame toxicológico.
"Eu também acompanho muito os horários de rota dos
motoristas e, se eu achar que o motorista está rodando mais do que é o horário,
eu chamo ele na empresa e mando fazer o toxicológico."
Rodolfo Rizzotto é coordenador do SOS Estradas, movimento
que busca reduzir acidentes de trânsito. Ele cita que pesquisas comprovam que
motoristas profissionais consomem mais drogas ilícitas, como cocaína, do que o
álcool.
De acordo com o coordenador, o movimento acompanha o crime
ocorrido em Curitiba no último sábado (14).
"Além de apurar o que ocorreu, dentro do possível e do
nosso conhecimento, nós estamos também alertando o Ministério Público do
Trabalho para que eles vão checar as condições de trabalho desse profissional,
que alega que passou dois ou três dias sem dormir."
Multa
automática por falta de exame está suspensa
Medida provisória editada
no fim de 2022 pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) suspendeu até
2025 a aplicação da multa automática pelos departamentos de trânsito para o
motorista profissional que não realizar o exame toxicológico no intervalo de
dois anos e meio.
Pela regra atual, os condutores só serão multados se pararem
em uma fiscalização e não estiverem com o teste em dia.
"Qual é o objetivo disso? Os únicos que podem se
beneficiar com isso são os criminosos, os traficantes, o crime organizado, quem
explora esse profissional, o usuário de drogas, prejudicando a sociedade, a
segurança viária, inclusive criando uma concorrência desleal, porque quem usa
droga tira o frete, o serviço de quem não usa", afirma o coordenador do
SOS Estradas.
Fonte: G1 - Paraná RPC / Foto: Divulgação/G1