Publicado em: 31/10/2022
Incluir a exportação no planejamento estratégico de uma empresa
é uma das primeiras orientações que as consultorias dão para quem quer crescer.
Para traçar esse caminho é preciso, primeiro, tornar o produto competitivo
internacionalmente. Mas o sucesso nesse caso não depende exclusivamente da
tomada de decisão interna e passa por fatores políticos e econômicos. Um
caminho que a indústria paranaense trilha há décadas sem melhorar sua posição
entre os estados que mais exportam.
Os índices de exportação ainda se mantêm, principalmente,
pelo agronegócio. Isso deixa aberta uma lacuna que poderia ser preenchida com o
aumento nas exportações de bens duráveis e, consequentemente, de maior valor
agregado.
Um exemplo é o caso da indústria automotiva. O consultor em
negócios internacionais da Victoria Advisoy, Vinícius Lisboa, que há 15 anos
atua em assessoria e integração de serviços de comércio exterior e foco nas
estratégias de compra e logística internacionais, aponta a infraestrutura como
o ‘calcanhar de aquiles’ da indústria paranaense, especialmente com foco na exportação.
“Boa parte do sucesso chinês é a logística. E é isso o que
precisamos aprender com a China. A infraestrutura de escoamento chinês é um
exemplo mundial”, afirma.
Lisboa tem experiência em trazer itens e componentes que
tornam os produtos dos seus clientes competitivos no mercado exterior. Mas o
desafio, após essa etapa, não depende só das decisões corporativas. “O
investimento em infraestrutura é o ponto fundamental para melhorarmos os
índices de exportação do Paraná”, avalia citando que a demanda deve ser
solucionada com políticas públicas.
Melhorias
precisam sair do papel
O consultor cita como exemplos dessa problemática a
duplicação de ponta a ponta da BR-277 entre Paranaguá e Foz do Iguaçu, a
navegação por cabotagem no Porto de Paranaguá, a concretização da Nova
Ferroeste, que vai ligar o Porto de Paranaguá a Mato Grosso do Sul e melhorias
pontuais no Contorno Sul e a extensão do Contorno Norte até Campina Grande do
Sul, ambos na Região Metropolitana de Curitiba.
Enquanto tais melhorias não saem do papel, a 5a maior
economia do país ainda amarga o fato de aparecer regularmente apenas na décima
colocação entre os estados mais exportadores, segundo dados do Ipardes
(Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social). Um cenário que
pode ser modificado com a conclusão de projetos viários. “O que vai continuar
favorecendo o perfil agroindustrial do Paraná, com escoamento assertivo e
rápido da produção de grãos, mas também vai diversificar e fortalecer a
produção de bens de consumo não duráveis, como madeira, papel e celulose e
petroquímicoe, principalmente, os bens duráveis, que têm valor agregado na
exportação. Exemplo são os produtos do setor automotivo com boa inserção no
mercado internacional”, analisa.
De acordo com levantamento da FIEP (Federação das
Indústrias do Paraná) divulgado em junho de 2022, a soja é o principal item
exportado pelo Paraná, com US$ 2,474 bilhões negociados. Em seguida vêm carnes,
com US$ 1,561 bilhão), madeira com US$ 856 milhões e material de transporte,
com US$ 645 milhões. Juntos, os quatro itens representam 65% das exportações
paranaenses.
Menos impostos e menos
burocracia
Outro item fundamental para melhorar a espinhal dorsal da
exportação paranaense é a questão tributária. Para Lisboa as discussões devem
passar pela garantia de desoneração às empresas exportadoras e redução da
complexidade fiscal.
Fonte: Bem Paraná / Foto: Divulgação/iStock