Publicado em: 31/03/2023
O relatório
mensal divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da
Agricultura e do Abastecimento, nesta quinta-feira (30), reforça o recorde
esperado para a produção de soja na safra 2022/2023. Segundo os técnicos, o
Paraná deve produzir 22,18 milhões de toneladas do grão em uma área de 5,76
milhões de hectares. O volume é 82% superior ao do ciclo 2021/2022. A produtividade
desta atual safra é de 3.845 kg por hectare.
O chefe do
Deral, Marcelo Garrido, explica que esse bom desempenho se deve, especialmente,
às condições climáticas favoráveis. Nesta semana, a colheita chegou a 77% da
área, índice que, apesar de estar atrasado comparativamente a safras
anteriores, não deve prejudicar a qualidade do produto. Cerca de 90% das
lavouras estão em boas condições e 10% em condições medianas. A área, estimada
em 5,76 milhões de hectares, é semelhante à do ciclo passado, com um
crescimento de 2%. A produtividade é de 3.845 kg por hectare.
A Previsão Subjetiva de
Safra (PSS) traz
ainda as primeiras estimativas para a safra de inverno. No Paraná, o trigo deve
ocupar a maior área da história, 1,36 milhão de hectares, 13% superior à
registrada na safra 2021/2022. Esse aumento decorre dos bons preços pagos ao
produtor, aliados à impossibilidade de
plantio da segunda safra de milho. Estima-se, com isso, uma produção de 4,5
milhões de toneladas, volume que, se confirmado, supera em 32% o resultado da
safra anterior.
SOJA – Segundo o analista do Deral Edmar
Gervásio, com a produção recorde prevista para essa atual safra, o Paraná
aumenta sua participação na produção nacional de soja, passando a representar
em torno de 15% do total – nas safras anteriores, esse índice variava entre 12%
e 14%.
O preço
recebido pelo produtor pela saca de soja (60 kg) apresentou queda nas últimas
semanas. Na semana passada, o grão foi comercializado por R$ 144,30, 9% a menos
do que em fevereiro de 2023 e 24% a menos do que em março de 2022.
De acordo
com Gervásio, esta queda está diretamente ligada a uma grande oferta da
oleaginosa no mercado. “Aliado a isso, os preços neste mês no mercado
internacional estão menores quando comparados a fevereiro de 2023. Com uma
superprodução, junto com problemas logísticos de escoamento, os armazéns estão
lotados e isso tende a pressionar os preços”, explica.
MILHO – A primeira safra de milho 2022/2023
está 63% colhida, de acordo com o Deral, e 83% das lavouras apresentam boas
condições, enquanto 16% estão em condições medianas e 1% em condições ruins.
Espera-se a produção de 3,76 milhões de toneladas, 26% a mais do que no ciclo
2021/2022, quando foram produzidas 2,98 milhões de toneladas. A área está
estimada em 387,2 mil hectares, 10% inferior à da safra passada.
Com relação
à segunda safra, o plantio está na reta final, atingindo nesta semana 93% da
área total, estimada em 2,52 milhões de hectares. Neste mês houve reavaliação
da área, que sofreu uma redução de aproximadamente 120 mil hectares em
comparação ao relatório do mês de fevereiro. “Esta redução é decorrente do
atraso da colheita da soja e, em consequência, a impossibilidade de realizar o
plantio do milho dentro do período ideal”, explica Gervásio. Possivelmente
parte dessa área ou sua totalidade migrará para cultura do trigo.
FEIJÃO – Apesar das adversidades climáticas,
a primeira safra 2022/2023 de feijão teve bom desempenho e excelente qualidade,
na avaliação dos técnicos do Deral. Com o encerramento da colheita, o relatório
indica uma produção de 197,4 mil toneladas, 1% maior do que na safra anterior,
em uma área de 115 mil hectares, 17% menor. Cerca de 86% do volume já foi
comercializado.
O plantio da
segunda safra encerrou-se nesta semana. De acordo com o Deral, podem ser
produzidas 588,8 mil toneladas em 295,9 mil hectares. Se confirmado, o volume
será 5% superior ao ciclo 2021/2022, quando foram produzidas 561,5 mil
toneladas, e a área é 12% inferior.
Na última
semana, o preço médio recebido pelos produtores pela saca foi de R$ 408,00 pelo
feijão de cores, sem variação com relação ao período anterior. Já a saca do
feijão tipo preto foi comercializada por R$ 265,00 – com um aumento de 1,6%
frente à semana anterior. “Segundo os corretores atacadistas, esses preços
altos estão se mantendo firmes principalmente devido ao período de entressafra.
A maior oferta de produto deverá ocorrer a partir do final de abril, quando se
intensifica a colheita da segunda safra de feijão no Paraná”, explica o
economista do Deral Methodio Groxko.
TRIGO – A primeira estimativa para a safra
de inverno de 2023 mostra uma área recorde destinada ao cultivo de trigo no
Paraná, de 1,36 milhão de hectares. Isso representa um aumento de 13% em
relação aos 1,20 milhão de hectares semeados em 2022 e, se confirmado, será a maior
área de trigo no Paraná desde 1990, quando foram cultivados 1,80 milhão de
hectares.
Dessa forma,
há possibilidade de colher em 2023 uma safra de 4,5 milhões de toneladas,
volume 32% acima do resultado da safra 2021/2022, quando foram produzidas 3,4 milhões
de toneladas. “Para que esse potencial seja alcançado, os produtores precisam
da ajuda do clima. Como a janela de plantio é longa no Paraná, os produtores,
quando possível, plantam áreas em épocas diferentes, visando diminuir o risco
de perdas”, diz o agrônomo do Deral Carlos Hugo Godinho.
Segundo ele,
nos últimos anos, eventos climáticos como secas prolongadas, chuvas excessivas
na época da colheita e geadas tardias têm impactado negativamente a produtividade.
MANDIOCA – O Paraná poderá produzir 3,14
milhões de toneladas de mandioca na safra 2022/2023, 14% a mais do que o volume
colhido no ciclo anterior, em uma área de 135,9 mil hectares, 11% superior.
Esse aumento de área se deve aos bons preços pagos ao produtor no ano passado.
Na última semana, os produtores receberam, em média, R$ 1.054,00 por tonelada
de mandioca posta na indústria. Esse valor representa um crescimento de 60% com
relação ao preço do mesmo período do ano passado, que era de R$ 650,00. Até o
momento, favorecida pela umidade adequada do solo, a colheita chegou a 17% da
área, segundo Groxko.
HORTALIÇAS – Com relação à cebola, a safra
2022/2023 foi toda colhida até fevereiro e cerca de 2,5% do produto ainda estão
com o produtor. Os preços médios nominais recebidos em fevereiro deste ano, de
R$ 42,63/20 kg, são 28% menores que os praticados em janeiro e com relação à
média anual de 2022, de acordo com o engenheiro agrônomo do Deral Paulo
Andrade. A produção está estimada em 107,4 mil toneladas, 3% superior do que no
ciclo passado, em uma área de 3,3 mil hectares, 17% menor.
A primeira
safra de batata está totalmente colhida e comercializada. Estima-se a produção
de 479,1 mil toneladas, 7% a mais do que no ciclo anterior, em uma área de 15,3
mil hectares, 2% maior. Na segunda safra, 92% da área prevista em 10,7 mil
hectares já foi plantada e 11% está colhida. Projeta-se a produção de 321,1 mil
toneladas, 3% superior ao volume da segunda safra 2021/2022.
O tomate tem
a primeira safra 2022/2023 com 99% das áreas semeadas e 89% colhidas. Cerca de
11,6% dos volumes coletados ainda estão em posse dos tomaticultores. Espera-se
um volume de 144,5 mil toneladas, queda de 3% com relação ao colhido na safra
anterior. A estimativa de área também mostra uma redução de 3% comparativamente
à safra 2021/2022 – de 2,5 mil hectares para 2,4 mil hectares. Cerca de 2% das
lavouras da segunda safra estão colhidas, enquanto 27% da área projetada ao
plantio ainda aguardam a semeadura/transplantio. “Com a melhor distribuição das
precipitações nesta última quinzena, os cultivos se encontram em sua totalidade
com um bom desenvolvimento”, explica o engenheiro agrônomo do Deral.
Fonte:
Maringá Post/ Foto: Canva