Publicado em: 23/09/2022
O Paraná mantém sua posição de destaque entre os estados brasileiros que mais
exportam. Segundo dados cedidos pelo Comex Stat, site que divulga dados do
comércio exterior, o estado exportou, de janeiro a agosto de 2022, R$ 76,9
bilhões, sendo o quinto em vendas para outros países, atrás somente de São
Paulo (R$ 232,3 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 141,6 bilhões), Minas Gerais (R$
140,6 bilhões) e Mato Grosso (R$ 119 bilhões).
No entanto, ao analisar as importações, percebe-se que a
balança comercial está quase zerada, com apenas R$ 580,4 milhões
superavitários. O Paraná "comprou" do exterior, nos oito primeiros
meses do ano, o equivalente a R$ 76,4 bilhões, fazendo com que o seu destaque
nacional de exportações fosse praticamente zerado, perante o elevado número de
importados.
O Paraná foi um dos que mais consumiu produtos vindos do
exterior, ficando em quarto lugar no ranking geral brasileiro. Entre os elementos
mais requisitados estão os adubos ou fertilizantes químicos (19%); óleos
combustíveis de petróleo ou de minerais (9,9%); inseticidas, rodenticidas,
fungicidas e semelhantes (6,8%); e partes ou acessórios de veículos
automotores (5,4%).
Já entre os mais exportados, estão a soja (17%); as carnes
de aves (16%); os farelos de soja (8,2%); e as gorduras e óleos vegetais
(4,6%). Em 2021, o Paraná conseguiu manter a sua balança comercial com saldo
positivo, encerrando os 12 meses do ano com superávit de R$ 10,6 bilhões.
Confira os dados
completos no site oficial da Comex Stat.
As converções foram feitas nesta quarta-feira (21), com US$ 1 a R$ 5,17.
Análise
De acordo com o
economista e colunista da Folha de Londrina, Marcos Rambalducci, embora as
commodities - um dos pilares da exportação do estado - sejam vistas com alguma
restrição por embarcarem pouca tecnologia, o caso do Paraná é diferente, pois
agrega muita tecnologia aos produtos. "Nossa produção é altamente
tecnificada e agregadora de valor na medida que conseguimos produzir com
competência maior que os demais estados, o que reduz nossos custos de
produção."
Segundo ele, a
balança comercial da maneira como está hoje não representa um ponto negativo.
" O melhor dos mundos é uma balança comercial equilibrada. Não é
interessante ter grandes saldos na balança, pois significa que deixamos de
ofertar produtos no mercado interno. E não interessa ter saldos negativos, pois
implica em endividamento externo", analisa.
Rambalducci apresenta que a alta do dólar é uma oportunidade
para as exportações crescerem, mas há entraves no meio do caminho. "É um
momento propício para as exportações, mas somos também dependentes de insumos e
produtos acabados vindos do exterior. O melhor dos mundos é ter condições de
exportar de forma a garantir nossa possibilidade de importar. Então, ter uma
balança equilibrada não é, de forma alguma, um indicador negativo para uma
economia. Lembrando que, além de equilibrada, nos interessa que seja grande.
Sem dúvida o tamanho tem mais importância que o saldo",
conclui o economista.
Fonte: Portal Bonde / Foto: Agência Brasil