Publicado em: 14/12/2022
Dentre os fatores que permitem a melhoria no padrão de vida
de uma localidade, está a produtividade. Quanto mais produtivos os
trabalhadores, maiores os salários e, logo, mais podem consumir. A elevação da
produtividade está intimamente ligada à competitividade. Um Estado competitivo
gerencia melhor seus recursos produtivos, buscando tanto a geração de bem-estar
e serviços públicos quanto o desenvolvimento econômico local, gerando mais
empregos e renda para a população. No Brasil, o Centro de Liderança Pública
(CLP) classifica anualmente os municípios e estados brasileiros segundo a
competitividade.
O Ranking de Competitividade produzido pelo CLP objetiva
apoiar os líderes públicos brasileiros nas tomadas de decisão, com foco na
melhoria da gestão dos seus Estados. São 86 indicadores adotados, com eixos
temáticos como capital humano, infraestrutura, inovação, sustentabilidade,
dentre outros. São Paulo, que é o Estado mais populoso e que mais gera
riquezas, também é a Unidade da Federação que lidera o Ranking de Competitividade
dos Estados. Mais especificamente, o Paraná, agora 4.º Estado mais rico do
país, ascendeu uma posição no ranking de competitividade, ocupando agora a 3.ª
colocação.
Dentre os potenciais paranaenses, o indicador aponta a
sustentabilidade ambiental, a eficiência da máquina pública e sua capacidade
inovativa. Tradicionalmente, o Estado é referenciado como um exemplo de
desenvolvimento sustentável no país, tal que 10% dos 500 municípios mais
sustentáveis do Brasil estão no Paraná, segundo o Índice de Desenvolvimento
Sustentável das Cidades (IDSC). Mas o ranking indica que ainda existem espaços
para melhorias, principalmente na recuperação de áreas degradadas, eficiência
do Judiciário e na concessão de bolsas de mestrado e doutorado.
Entre os principais desafios para os gestores do Estado, o
relatório anual destaca o custo da mão de obra, o crescimento potencial da
força de trabalho e o planejamento orçamentário. Os dois primeiros indicadores
levantam uma preocupação quanto ao futuro do mercado de trabalho. O paranaense
possui o 6.º maior rendimento médio do trabalho segundo o IBGE, refletindo a
maior produtividade e qualificação média de seus habitantes. Contudo, a queda
na natalidade e o envelhecimento da população podem se mostrar como restrições
ao crescimento econômico no futuro. Apesar da preocupação no que se refere ao
planejamento orçamentário, a Unidade da Federação ocupa uma posição mediana
quanto à solvência e à dependência fiscal.
Dentre as cidades, Barueri (SP) lidera o ranking, seguida de
Florianópolis (SC) e São Caetano do Sul (SP). Em linha com o Paraná, Curitiba
se destaca como a 6.ª mais bem-posicionada no ranking de competitividade, a 3.ª
quando considerada a Região Sul. Conhecida como uma das capitais mais
inovadoras do país, a cidade é destaque quanto à sua complexidade econômica e à
aplicação de recursos para pesquisa e desenvolvimento científico. O ranking
destaca ainda como potenciais do município o funcionamento da máquina pública e
o acesso ao saneamento básico. A cidade lidera em três quesitos de saneamento:
cobertura do abastecimento de água, coleta de resíduos domésticos e destinação
do lixo.
Sobre os pontos de melhoria, o principal desafio recai sobre
o Meio Ambiente. Dentre os 415 municípios analisados, Curitiba ocupa apenas a
posição 346.ª em relação à cobertura de floresta natural e 354.ª na recuperação
de áreas degradadas. Apesar de possuir a 15.ª maior renda média do trabalho
formal, a capital paranaense ocupa posição intermediária no crescimento da
renda (186.ª) e na geração de empregos (315.ª) deste tipo de trabalho. Em
contraste, a cidade é destaque quando se analisa a competitividade do seu
capital humano, ocupando a 15.ª posição, refletindo principalmente a
qualificação dos seus trabalhadores (12.ª) e a renda média dos trabalhadores
(15.ª).
Em linhas gerais, os resultados do Ranking de
Competitividade dos Municípios ressaltam o protagonismo do Paraná e de sua
capital. Apesar dos pontos de melhoria, os trabalhadores tanto do Estado quanto
de Curitiba apresentam rendimentos e qualificações significativamente
superiores aos dos demais municípios do país. A implicação prática desse
protagonismo é a possibilidade de maior qualidade de vida de seus habitantes. O
grande desafio do futuro será conciliar a melhoria do bem-estar da população
frente às mudanças demográficas e impulsionar o desenvolvimento sustentável.
Fonte: Bem Paraná / Foto: Divulgação/iStock