Publicado em: 06/12/2022
O Paraná é o estado brasileiro com a maior área do seu
território classificada com potencialidade agrícola “muito boa” (classe A1). A
classificação está no Mapa de Potencialidade Agrícola Natural das Terras do
Brasil, publicação inédita do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), divulgado nesta segunda-feira (5). Segundo o relatório, 12,2% do
território paranaense, equivalente a 24.313 quilômetros quadrados, corresponde
à potencialidade “muito boa”. No País, esse índice é de apenas 2% e na Região
Sul é de 5,6%.
O documento orientativo foi elaborado a partir do mapeamento
de solos do IBGE, levando em consideração os recursos naturais, sobretudo solo
e relevo, e como eles podem favorecer o setor agrícola. Os mais de 500 tipos de
solos do Brasil foram classificados considerando características como textura,
pedregosidade, rochosidade, erodibilidade, entre outros, em cinco classes de
potencialidade. Elas variam de terras com muito boa potencialidade a terras com
restrições muito fortes ao desenvolvimento agrícola.
Terra vermelha
Segundo o mapa divulgado pelo IBGE, o Norte, Norte Pioneiro
e Oeste do Paraná contam o maior volume de áreas classificadas como muito boas
para o desenvolvimento agrícola no Estado. O estudo cita como exemplo o
latossolo vermelho de Tamarana, na região Norte, e o nitossolo vermelho de
Medianeira, no Oeste. São exemplares da famosa “terra vermelha” do Paraná.
“A pesquisa do IBGE vem reiterar o que já sabíamos, que o
Estado reúne as melhores características para a agricultura. A qualidade dos
nossos solos está entre os motivos que fazem do Paraná um dos maiores produtos
de alimentos do mundo”, salienta o governador Carlos Massa Ratinho Junior.
O estudo foi divulgado no Dia Mundial do Solo, instituído
pela Organização das Nações Unidas para a alimentação e a Agricultura (FAO).
Este ano, a data tem como tema “Solos: onde a alimentação começa”.
“O Paraná tem o prilégio de ser um Estado com diferentes
tipos de solo, com climas que ajudam a diversidade de culturas e com a
possibilidade de até três safras anuais para algumas variedades”, explica o
secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Noberto Ortigara.
“Aliado a isso, o Estado é resultado de uma população nativa, que se esforçou
para sempre cuidar da terra, e de colonos que para cá vieram e construíram a
agropecuária forte em todo o mundo”.
“A potencialidade agrícola e os números do PIB paranaense,
recentemente divulgados pelo IBGE, demonstram o aproveitamento pelo Estado das
condições naturais favoráveis”, ressalta Julio Suzuki, diretor de Pesquisa do
Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social). “Não é
por acaso que o Paraná passou a ocupar o quarto lugar no ranking das economias
estaduais, com grande contribuição do setor primário e das políticas locais de
desenvolvimento”
Território
Com território de 199.308 quilômetros quadrados, o Paraná
tem ainda 18,5% de suas terras classificadas como “boa” (classe A2), o que
equivale a uma área de 36.855 quilômetros quadrados. São solos favoráveis às
atividades agrícolas, com relevo aplainado e pequenas restrições e limitações,
mas que podem ser facilmente corrigidas para o cultivo.
Outros 67.876 quilômetros quadrados de terras, ou 34,1% do
total, foram classificadas com potencial “moderado” (classe B). São áreas,
segundo o IBGE, com relevos ligeiramente acidentados, que podem precisar de
ações adequadas para a agricultura, ou com problemas de fertilidade, mas que
podem ser corrigidos de forma relativamente fácil.
Com menor representatividade, as terras classificadas como
“restritas” (Classe C) ocupam 9,5% do território estadual, uma área de 45.863
quilômetros quadrados. São terrenos com condições restritas para o uso
agrícola, localizados principalmente em relevos mais acidentados, que precisam
de ações mais complexas de manejo e que contam com problemas de fertilidade e
restrições de profundidade para o plantio.
Por fim, os solos classificados com potencialidade “fortemente restrita” ao uso agrícola somam uma área de 45.863 quilômetros quadrados, 23% do território paranaense. Esses locais podem ter muitos declives, materiais indesejáveis ou restrições importantes quanto à profundidade. Eles exigem técnicas de manejo intensivas e, por suas características, são indicados como áreas de preservação ambiental ou para o cultivo de culturas adaptadas a esse tipo de solo.
Confira o mapa com as características dos solos do Sul:
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Fonte: O Presente / Foto: Jaelson Lucas/Arquivo AEN