Publicado em: 07/04/2022
A Agência
Técnica de Cooperação Alemã GIZ e o Centro Internacional de Energias Renováveis
(CIBiogás) anunciaram na última semana uma planta piloto para produção de
combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) a partir de biogás
e hidrogênio verde em Foz do Iguaçu, no Paraná.
Com previsão de
começar a funcionar em meados de 2023, o projeto conta com investimentos na
ordem de R$ 9 milhões. A produção será em escala laboratorial, mas a proposta é
desenvolver um modelo que possa ganhar escala e ter os processos replicados.
Outro produto
da biorrefinaria piloto será o petróleo sintético renovável.
“Uma vez que
todo o território brasileiro tem disponibilidade de biomassa residual, a
solução proposta pelo projeto pode ser replicada em todo o país, oferecendo uma
oportunidade para a produção descentralizada de combustíveis neutros em
carbono”, comenta Markus Francke, diretor do projeto H2Brasil da GIZ.
Para o
executivo, o Brasil pode se apresentar como líder na transição
energética.
Um levantamento
da RSB (mesa
redonda sobre biomateriais sustentáveis) identificou no Brasil um potencial para produção de até 9 bilhões de litros de SAF a
partir de resíduos.
Isso é mais do
que a produção nacional de querosene fóssil. Em 2019, antes da pandemia de
covid-19, o Brasil produziu pouco mais de 6 bilhões de litros de querosene
de petróleo, de acordo com a ANP.
E o Paraná está
entre os maiores centros potenciais de produção de biogás e biometano no
país, devido à influência da indústria agropecuária na economia.
A participação
do estado no projeto se estenderá com a parceria da Fundação Araucária,
Universidade Federal do Paraná (UFPR) e com o apoio do Núcleo de Pesquisas em
Hidrogênio do Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e Itaipu Binacional.
O PTI abrigará
a planta piloto, e a expectativa é de que sejam criados polos de hidrogênio verde em
regiões com excedentes de energia renovável e uma nova rota de aproveitamento
energético do biogás.
“O Paraná tem
enormes possibilidades de se transformar em um ator muito importante nas
questões ligadas à produção do hidrogênio verde a partir da biomassa”,
destaca Ramiro Wahrhaftig, presidente da Fundação Araucária.
Segundo a GIZ,
a substituição do carbono pelo uso do biogás, combinando com o hidrogênio
verde, cria uma nova rota tecnológica para fontes alternativas de energia — mas
ainda não há uma estimativa sobre a competitividade, ou não, em relação a
outras rotas do SAF.
Já em termos
técnicos, todas as aeronaves que utilizam querosene de aviação (Jet-A ou
Jet-A1), podem ser abastecidas com o SAF de biogás em misturas com o combustível fóssil.
SAF para
descarbonizar a aviação
A aviação
internacional tem meta de zerar as emissões de carbono até 2050 e, para
alcançar o objetivo, 65% das reduções devem vir dos combustíveis sustentáveis
de aviação, estima a Associação Internacional de Transportes Aéreos.
O setor é
responsável por cerca de 11% das emissões globais de CO2 dos transportes. Isso
representa cerca de 1 bilhão de toneladas de CO2 por ano.
No Brasil, as emissões da aviação somam quase 17 milhões de
toneladas de CO2, o equivalente a 4% das emissões totais do país.
Em novembro do
ano passado, o país deu os primeiros passos para regulamentar o SAF, com a
aprovação da lei que cria o Programa Nacional de Bioquerosene. O
marco legal prevê estímulos à produção e uso de combustível sustentável de
aviação por meio de incentivos fiscais concedidos pelo Executivo, além da
destinação de recursos de agências e bancos de fomento federais.
Governo e
Congresso Nacional agora discutem uma política para criar demanda e desenvolver essa
nova indústria.
Alemanha
anuncia € 34 milhões para hidrogênio verde no Brasil
A GIZ também
está investindo em hidrogênio verde no Brasil. Em outubro passado, a agência
alemã anunciou 34 milhões de euros para o desenvolvimento de projetos de
produção de hidrogênio renovável.
A inciativa
chamada H2 Brasil prevê a disponibilização dos recursos ao longo dos próximos
dois anos para a construção de uma planta piloto de eletrólise com capacidade
de 5 MW.
Além disso, o
governo alemão espera colaborar na instituição de um marco regulatório de H2V
no país, dando prosseguimento ao Programa Nacional de Hidrogênio do Ministério de Minas
e Energia.
Outro objetivo
da H2 Brasil é gerar um cluster de projetos pilotos na cadeia de
hidrogênio que permita estudar a viabilidade econômica desses projetos.
Fonte: EPBR / Foto:
EiDA/Divulgação