Publicado em: 02/09/2022
Dirigir em uma estrada exige muita atenção, em especial
para quem exerce o transporte de carga e percorre longos percursos. No cenário
atual, onde essa movimentação de mercadorias é responsável por mais de 60% dos
produtos circulando no País, conhecer os gargalos e trabalhá-los já na formação
do profissional torna-se essencial para uma maior eficiência de todo o sistema.
Organização referência na capacitação de profissionais para
o transporte de carga no Brasil há 30 anos, o SEST SENAT atende 3,8 milhões de pessoas
por ano, com apoio na área de saúde, educação, esporte e lazer. Tamanha
experiência permite à instituição construir um olhar amplo sobre o mercado e
seus gargalos. “Os maiores acidentes são causados por falhas humanas, 90%.
Não é novidade para ninguém que o uso do celular tira a atenção do condutor e
acaba elevando ainda mais esse percentual negativo”, analisou Jacques de
Oliveira Serafim, instrutor do SEST SENAT ao podcast “De Olho na Estrada”.
Seja pela falta de capacitação alinhada a autoconfiança do
transportador ou por imprudência, o resultado é que o Brasil ostenta um recorde
negativo de cinco mortes a cada hora. Estatística que precisa servir de alerta
a quem dirige por profissão, como comentou Serafim: “A importância de se
ter uma direção mais prudente está ligada as questões de segurança, tanto do
condutor, quanto de terceiros que se encontram na estrada do nosso País”.
Porém, nem tudo é de se lamentar. A experiência da
instituição recente mostra que já há uma maior consciência em relação à
capacitação do profissional da estrada de hoje, explicou Serafim: “A ideia
desse condutor é sempre evoluir. Hoje ele esta fazendo emergência, esta fazendo
escola, com a ideia de sempre se preparar ainda mais para o mercado de
trabalho. O perfil do colaborador do transporte tem sido mudado ao longo dos
anos. Isso é muito bom, com isso ai a gente só tem a ganhar”.
Mulheres na boleia - E justamente dentro desse
processo de evolução do segmento que ascende um novo perfil do condutor na
estrada: as mulheres. Ambiente predominantemente masculino, o transporte de
carga possui apenas 17% de profissionais do sexo feminino, segundo o Ministério
do Trabalho, mas a maior participação feminina já é um fenômeno perceptível nos
cursos de formação e até nas empresas, como citou Serafim: “Hoje tem
empresa lá na cidade de Guarulhos, onde 30% da frota é feminina. Isso é um
incentivo, porque trás ainda mais as mulheres para o mercado de trabalho. E
agente encontra mulheres com carreta, mono trens, com transporte coletivo de
passageiros”.
Mudança também acontece nas concessionárias de rodovias
- Uma evolução aguardada inclusive pelas concessionárias, que apostam no
senso de responsabilidade do profissional feminino, como comentou o gerente de
operações da SPMAR, Fausto Cabral. Na equipe de operações dos trechos Sul e
Leste do Rodoanel em São Paulo, as mulheres já representam 66% do efetivo.
“Um motorista feminino, quando avista uma situação (na
estrada) já diminui a velocidade. E estou te falando isso porque já percebi,
não foi uma, nem duas, foram muitas vezes. Elas passam o mais distante possível
e, se for possível mudar de faixa, elas mudam de faixa, diminuem a velocidade e
seguem o caminho. Já o motorista masculino não tem tanta visão, nem essa
prudência” relatou Cabral.
Para que essa transformação seja efetiva, o setor ainda
precisa superar um inimigo histórico: o preconceito, segundo o instrutor do
SEST SENAT: “Isso é uma barreira enorme, que ao longo do tempo está cada
vez mais diminuindo. Em minha opinião, a mulher é muito mais cuidadosa e
dedicada no que ela fez. A gente vê que a frente vamos ter bons resultados”.
Além da participação feminina, Serafim acredita que as
novas tecnologias trarão boas contribuições ao setor, tanto para a questão
ambiental, como para a segurança: “A ideia hoje para o futuro, para o
transporte, é um investimento ainda maior para veículos elétricos, isso vai ser
muito bom para nós, seres humanos, quanto para o meio ambiente. Como a gente
falou, a maioria dos acidentes é causada por falha humana e quanto mais a
tecnologia puder ajudar o condutor no transporte, com certeza será bastante
útil.”
Para conferir a conversa completa com Jacques Serafim, e saber
um pouco mais sobre as tendências e serviços para o profissional do transporte
rodoviário, basta acessar a plataforma de áudio do De Olho na Estrada no
Spotify, um canal que reúne especialistas para conversar sobre segurança viária
de uma forma descomplicada.
Fonte: ABC do ABC /
Foto: Concessionária SPMAR