Publicado em: 14/11/2022
Em novembro de 2021, as cancelas de pedágio das rodovias
paranaenses deixaram de funcionar. Com o fim dos contratos de concessão, a
expectativa era de que no primeiro semestre de 2022 os editais para novas
licitações fossem publicados, dando início a uma nova fase na logística do
estado, com
tarifas mais justas e estradas mais seguras. Os editais foram encaminhados
para averiguação no Tribunal de Contas da União (TCU), responsável por conferir
todos os detalhes de obras e valores antes de fixar uma data para publicação.
Um ano depois, esta data ainda não está definida e o gerente de Assuntos
Estratégicos do Sistema Fiep, João Arthur Mohr, explica os porquês. O principal
ponto do atraso no processo foi a guerra
entre Rússia e Ucrânia, que afetou o valor de insumos importantes para o
setor logístico e de construção pesada. “A guerra gerou a disparada do
preço do petróleo e, por consequência, do óleo diesel, que é um grande insumo
das concessionárias. O combustível é utilizado tanto em ambulâncias para atendimento
médico e guinchos para socorro mecânico quanto nos veículos que trabalham nas
obras de manutenção e ampliação”, observa Mohr.
A inflação também afetou os preços de insumos da construção
civil, como o asfalto, que é derivado de petróleo, o aço e o concreto. Isso
exigiu uma revisão completa dos cálculos apresentados ao TCU. “Foi
necessário rever os valores das obras de acordo com este novo cenário
econômico, já que os preços mais altos encareceriam as tarifas”, complementa o
gerente de Assuntos Estratégicos.
Revisões
solicitadas pelo TCU já foram atendidas
Além da questão orçamentária, a Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT), órgão responsável pelos editais de concessão das
rodovias pedagiadas, seguiu trabalhando para atender às determinações e
recomendações feitas pelo TCU. No caso das determinações – ajustes obrigatórios
solicitados pelo Tribunal –, todas já foram atendidas; em relação às
recomendações, que podem ser atendidas ou não, a ANTT optou por acatar a
maioria e o TCU já deu aval para prosseguir com o processo dos lotes 1 e 2 que
têm, respectivamente, 473,01 km com cinco praças de pedágio e 604,16 km e sete
praças de pedágio.
As modificações atendidas incluíram a retirada de obras em
duplicidade – algumas ampliações estavam previstas nos projetos iniciais dos
editais, mas a execução começou durante a elaboração do material. “Essas
atualizações já seriam feitas no edital, pois são obras das concessionárias
antigas que iniciaram por acordos judiciais, além de alguns trechos feitos pelo
próprio governo do estado neste período”, ressalta Mohr.
Concessão
deve acontecer em 2023
Com os devidos ajustes realizados, os editais para os lotes
1 e 2 já podem ser publicados, mas ainda não há uma data prevista. Agora, cabe
à equipe de transição do governo federal discutir os próximos passos, já que
também haverá mudanças no Ministério da Infraestrutura, em um processo que
envolverá também o governo estadual reeleito. A expectativa é que no ano de
2023, todas as estradas já estejam licitadas, com as concessões em vigor e
seguindo um caderno de obras e ampliação de capacidade. O Sistema Fiep segue
exercendo seu papel de representatividade e vai acompanhar os próximos passos.
O objetivo é que, vencidos os desafios desta última etapa, as novas concessões
enfim atendam às demandas
do setor produtivo do Paraná: tarifas mais justas, condizentes com a
qualidade das rodovias, garantia de execução das obras e transparência nos
processos. “Não podemos ter um contrato que seja apenas de manutenção,
pois isso significaria a continuidade de um fluxo
logístico ruim, com congestionamentos, atrasos na entrega de cargas e
riscos de acidentes muito maiores. Nosso foco é que as concessões sejam
assumidas por empresas que tragam, além da manutenção, toda a infraestrutura
necessária para trafegar com segurança a um preço justo”, finaliza o gerente de
Assuntos Estratégicos do Sistema Fiep.
Fonte: G1 – Sistema FIEP / Foto: Gelson Bampi