Publicado em: 22/11/2022
No próximo dia 29 de novembro, o Paraná completa um ano de
encerramento dos polêmicos contratos de concessão rodoviária que faziam parte
do Anel de Integração. A previsão inicial era que as assinaturas dos novos
contratos das rodovias paranaenses acontecessem no último trimestre deste ano.
Porém essa possibilidade fica mais remota. A expectativa neste momento gira em
torno da publicação dos editais de Licitação por meio da Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT), que junto ao Ministério da Infraestrutura,
previa a divulgação na primeira quinzena deste mês de novembro.
O novo modelo de pedágio proposto está dividido em seis
lotes, desses o lote 1 e o lote 2 são os mais adiantados para irem à Licitação,
nesta primeira fase. Na última semana de outubro eles já foram aprovados pelo
Tribunal de Contas da União (TCU). Com esse aval, a ANTT está autorizada a
fazer a publicação dos editais. “Como teremos uma transição de governo federal,
estamos acompanhando os próximos passos, ainda bem indefinidos. Porém, se os
editais forem publicados ainda no início de novembro, é possível que a
Licitação desses dois primeiros lotes aconteça ainda em 2022”, explica o
especialista e Gerente de Assuntos Estratégicos na Federação das Indústrias do
Estado do Paraná (FIEP), João Arthur Mohr.
Prejuízos
e insegurança
A FETRANSPAR critica a morosidade no trâmite de lançamento
de editais e realização dos leilões do pedágio no Paraná, justificando que essa
demora traz prejuízos financeiros e leva insegurança aos transportadores e seus
motoristas. Recentemente o Paraná viveu uma sequência de dias chuvosos, o
suficiente para ver muitos trechos de estradas interditados devido a queda de
pedras sobre as rodovias. “Isso ocorre porque não há um plano de monitoramento
de encostas acompanhado por profissionais especializados que podem antever
possíveis riscos em pontos críticos de rodovias. Isso é extremamente perigoso
para usuários que utilizam as rodovias e leva prejuízo para as empresas de
transportes e para as comunidades locais”, observa o presidente da FETRANSPAR,
Coronel
Sérgio
Malucelli.
Outro ponto a ser observado é a deterioração da infraestrutura
administrativa e operacional. “Tudo o que foi construído junto às estradas é do
Estado, é do povo, é nosso. Com essa demora, esses pontos estão sendo alvo de
vândalos e a própria ação do tempo vai corroendo devido a falta de manutenção.
Quem paga a conta? Todos nós que pagamos impostos suados. Leiloar algo que vai
precisar muita manutenção acaba sendo objeto de questionamento para os futuros
vencedores e pode acarretar em questionamentos nos valores das tarifas.
Novamente quem pagará? O Cidadão.”, frisa o presidente, concluindo ainda que
“Nas estradas também não é diferente. É visível a falta de manutenção no piso,
o mato cobrindo placas de sinalização, animais mortos em diversos pontos e
grades de proteção avariadas.
A sensação de insegurança toma conta dos motoristas, levando
a um cenário rodoviário de décadas atrás, isso não é plausível para um Paraná
do ano de 2022”, destaca Malucelli.
Empresariado
Quem também não está nada contente com a atual situação são
os empresários do setor do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). O
proprietário da Transportadora Logsul, em Ponta Grossa, Hermes Lorenzoni, levou
um prejuízo de mais de R$ 20 mil reais. Um dos caminhões da frota da empresa
foi atingido pelo desmoronamento de pedras, devido as fortes chuvas do dia 16
de outubro, que bloqueou o quilômetro 42, da BR-277, em Morretes, sentido
Litoral. Apesar dos danos materiais, o motorista não teve ferimentos.
“Simplesmente o atendimento demorou mais de 24 horas. O
caminhão sofreu diversas avarias, em vários aspectos como eixo dianteiro,
rodas, pneus, para-choque, faróis. Tivemos que providenciar borracheiro e
retirada do caminhão tudo com recursos próprios”, relata Lorenzoni, que é
favorável ao retorno dos pedágios: “O pedágio é necessário, porém as cobranças
tarifárias têm que estar de acordo com a realidade do TRC. O novo formato
deverá ser condizente com a realidade do nosso país”.
Alexandre José Ferreira Filho, proprietário da empresa
Efitrans Transportes, com matriz em
Curitiba, não sentiu consequências financeiras como de
Lorenzoni, mas também é a favor do retorno do pedágio desde que possua um custo
acessível. “O que temos percebido diariamente é que a qualidade da via que está
caindo, além da falta de segurança em não podermos contar com uma equipe de
atendimento do pedágio como havia anteriormente”, avalia Ferreira.
Cancelas
liberadas
Desde o fechamento das praças do Anel de Integração, o
tráfego de veículos está sendo feitos pelas laterais dessas estruturas, visto
que as faixas centrais estão bloqueadas. Ao todo estão liberadas cancelas de 27
postos de cobrança, localizados em rodovias que eram administradas pela
Caminhos do Paraná, Rodonorte, Ecovia, Viapar, Ecocataratas e Econorte.
Neste período sem cobrança, todos os serviços de assistência
estão sob responsabilidade dos governos estadual e federal.
De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transportes (DNIT), a malha rodoviária federal sob responsabilidade da
Autarquia no Estado passou de 1.642 km para 3.518 km de extensão, um aumento de
mais de 100%.
O Órgão afirma ainda que a equipe do DNIT, juntamente com a
empresa supervisora, vem realizando todos os trabalhos para manter as rodovias
em condições de tráfego que garantam a segurança dos usuários e a fluidez do
trânsito.
A liberação total do trecho da BR-277, na altura do km 42,
em Morretes, no litoral do Paraná, só deve ocorrer na primeira quinzena de
dezembro. A estimativa foi divulgada pelo Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes (DNIT)
Fonte: NTC&Logística/ Foto: Franklin de Freitas