Publicado em: 24/01/2023
O ano de 2022 foi de profundas transformações
em todos os setores da economia brasileira. E não foi diferente com o
transporte rodoviário de cargas.
O diesel atingiu preços nunca
vistos antes, seguido pelos insumos utilizados na manutenção dos caminhões e os
valores injustos cobrados nas praças de pedágio Brasil afora.
Muitos caminhoneiros decidiram
deixar a boléia e trabalharem em outros setores buscando melhores condições de
vida. Famílias sofreram e a fome bateu à porta de muitos irmãos.
O ano virou, um novo governo assumiu e as promessas de
melhoria tanto de condições de trabalho como na infraestrutura rodoviária se
renovaram. Mas o caminho em busca de um mercado mais justo será longo para
todos os que participam deste setor.
Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)
apurou que a indústria vê o transporte como maior gargalo do setor. Para 73%
dos entrevistados, condições da infraestrutura das estradas é péssima e há uma
necessidade urgente de ampliação e duplicação.
Em 2022, o país investiu apenas 0,65% do PIB na
infraestrutura de transporte. Para a CNI, seria preciso muito mais — pelo menos
2% do PIB.
O novo ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou que
a pasta terá um orçamento de R? 20
bilhões (US? 3,7 bilhões) a serem gastos apenas com
infraestrutura, um valor três vezes maior que o governo anterior, que destinou
apenas R? 6 bilhões nos últimos três anos.
Aguardamos ansiosos um plano para os 100 primeiros dias de
governo em que serão abordados cinco aspectos: retomada das obras de
infraestrutura paralisadas, modernização da malha rodoviária, preparação dos
portos para o embarque de grãos, planejamento para a estação chuvosa e o
aumento da capacidade de resposta a desastres naturais.
Esses investimentos virão em excelente hora, já que o
mercado do frete deverá crescer rapidamente em 2023 e será preciso estradas
melhores para transportar grãos, legumes e verduras. Um levantamento recente da
Confederação Nacional do Transporte (CNT) apurou que 66% da malha rodoviária
brasileira encontra-se em condições péssimas, ruins ou com algum problema de
circulação.
Teremos uma safra recorde de 293,6 milhões de toneladas em
2023, segundo o IBGE. Serão 30,9 milhões de toneladas a mais que o desempenho
de 2022, um aumento de 11,8%. Como então escoar a produção?
Serão necessários mais de R ?100
bilhões em investimentos para a recuperação da malha e o governo aposta em
parcerias com a iniciativa privada para acelerar o ritmo de recuperação,
principalmente com a duplicação ou construção de terceiras faixas para aumentar
a segurança. Atualmente, inclusive, a má condição das estradas faz com que 4
bilhões de litros de diesel sejam gastos sem necessidade.
As demandas de segmentos importantes para o país têm
crescido e feito com que o setor seja visto com bons olhos por governantes. O
primeiro passo já foi dado, com a divisão do Ministério da Infraestrutura em
dois: Transportes e a criação da pasta de Portos e Aeroportos.
O tom que precisamos adotar é o de confiança e esperança no
novo governo. Reivindicar a padronização do custo do combustível, uma tabela de
frete mais justa e a garantia de uma infraestrutura de transporte competitiva.
O Brasil precisa crescer o mais rápido possível e a
esperança está no asfalto das nossas estradas!
Artigo escrito por Jarlon Nogueira, CEO da AgregaLog –
transportadora digital que oferece soluções inovadoras de logística de
transporte para a indústria.
Fonte: Blog do Caminhoneiro / Foto: Divulgação/Blog do
Caminhoneiro