Publicado em: 20/09/2022
A Petrobras anunciou
na segunda-feira, 19, uma redução de 5,7% no preço médio do diesel vendido em
suas refinarias. Com isso, o valor na ponta do distribuidor vai cair R$ 0,30 por
litro, de R$ 5,19 para R$ 4,89. Foi a terceira queda do combustível desde o
início de agosto, acumulando um corte de 12,8% no período nas refinarias.
Além do diesel, a Petrobras já anunciou quatro reduções
seguidas para a gasolina, além de quedas nos preços de outros produtos, como
gás de cozinha, combustíveis de aviação e asfalto. Todas aconteceram na gestão
de Caio Paes de Andrade, o quarto presidente da Pebrobras desde o início do
governo Bolsonaro - que nos últimos meses havia aumentado a pressão sobre a
empresa para mudar sua política de preços.
Em dois meses e meio, o efeito conjunto da limitação da
alíquota do ICMS sobre combustíveis (a 17%) e dos cortes de preços foram 12
semanas consecutivas de queda nos valores pagos no varejo. No período, o preço
médio da gasolina nas bombas já caiu 32,8%, enquanto o do diesel recuou 9,6%.
TÉCNICO
Embora tenha ficado acima do patamar das duas outras mexidas
(ambas de R$ 0,20 por litro), o corte anunciado ontem para o diesel foi visto
como técnico e conservador por analistas e agentes de mercado ouvidos pelo
Estadão/Broadcast.
"Ainda é um movimento totalmente técnico. Disso não
podemos reclamar. Fala-se muito de influência política, mas havia espaço até
para uma redução mais forte", afirma o analista da divisão de óleo e gás
da consultoria StoneX, Pedro Shinzato.
Apesar da volatilidade que tem marcado o preço de paridade
de importação (PPI) do diesel, na semana passada as cotações do combustível
"derreteram", no jargão do mercado, abrindo espaço para descontos domésticos
pela Petrobras.
"Existia espaço para queda de até dois dígitos no
diesel, mas a Petrobras foi conservadora ao optar por 5,7%. Isso mostra que a
empresa vê cenário próximo ao nosso, de aperto entre oferta e demanda que tende
a ficar mais forte à frente", diz Ilan Abertman, da Ativa Investimentos.
Para analistas, a "gordura" deve servir como
margem de segurança para a Petrobras não precisar elevar seus preços, caso o
movimento se inverta e a cotação do diesel volte a escalar no mercado
internacional. Todos os dias, essa cotação tem variado até R$ 0,20 para cima ou
para baixo seja por flutuações da commodity ou do câmbio.
Fonte: Época Negócios / Foto:
Divulgação/Petrobras