Publicado em: 01/07/2022
O Produto
Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá atingir crescimento de 1,8% este ano,
chegando a 1,3% de crescimento em 2023. A estimativa é do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), que divulgou, nesta quinta-feira (30), a Visão Geral
da Conjuntura, análise trimestral da economia brasileira.
Segundo o
instituto, o destaque será para o setor de serviços, com estimativa de alta de
2,8%, enquanto os setores de agropecuária e industrial devem mostrar relativa
estabilidade. Do lado da demanda, a projeção de crescimento do consumo das
famílias ficou em 1,6% para este ano.
Depois da alta
de 1% do PIB registrada no primeiro trimestre de 2022, a maioria dos setores
produtivos apresentou desempenho positivo também em abril. As previsões do Ipea
mostram que, em maio, o nível de atividade deve avançar na comparação com o mês
anterior e com ajuste sazonal: 1,2% na indústria, 0,6% no comércio e
0,3% nos serviços.
A evolução dos indicadores
de atividade está em linha com o desempenho do mercado de trabalho.
Dados recentes mostram que o ritmo de recuperação se intensificou ao longo dos
últimos três meses, combinando forte expansão da população ocupada e redução
significativa da taxa de desocupação, mesmo com o aumento da taxa de
participação.
Esse conjunto
de indicadores sugere boas perspectivas para o PIB no segundo trimestre de
2022, com projeção de crescimento de 0,6% no período, em termos
dessazonalizados, em relação ao trimestre anterior, e de 2,3% sobre o mesmo
trimestre do ano passado.
Desaceleração
Ainda de acordo
com o Ipea, para o segundo semestre deste ano há expectativa de desaceleração
da atividade econômica, em função de fatores externos e internos. Os aspectos
externos apontam para menor crescimento e maior incerteza, dada a elevação das
taxas observadas e esperadas de inflação na maioria dos países, e a
persistência da guerra entre Rússia e Ucrânia – que deve prolongar os atuais
problemas nas cadeias produtivas.
Do ponto de
vista dos fatores internos, a persistência de taxas de inflação elevadas, além
de inibir o consumo por meio da redução da renda real das famílias, tem levado
ao aperto da política monetária
no país, cujos efeitos atingem o mercado de crédito e tendem a se intensificar
nos próximos meses.
Crescimento
em 2023
Para o próximo
ano, a projeção de crescimento do PIB é de 1,3%. Em termos de atividade
econômica, 2023 deve ser tímido, no início, mas caracterizado por aceleração ao
longo do ano. O cenário tem como base duas hipóteses. Primeiro, com o fim da
guerra na Ucrânia, a atenuação dos problemas pelo lado da oferta reduzirá
grande parte da pressão inflacionária do exterior, possibilitando que a política monetária
possa cumprir seu papel de reduzir gradualmente a inflação sem a necessidade de
uma queda mais profunda dos níveis de atividade.
Além disso, no
início do ano que vem, parcela importante do impacto adverso do aperto
monetário interno sobre a atividade econômica já terá ocorrido.
Há expectativa
de crescimento para todos os setores da economia no
próximo ano: agropecuária (2,5%), indústria (1%) e serviços (1,4%). Do lado da
demanda, os destaques são o consumo das famílias e a Formação Bruta de Capital
Fixo (FBCF), com altas de 1% e 3%, respectivamente.
Fonte:
NTC&Logística / Foto: Reuters/Jorge Adorno/Direitos Reservados