Publicado em: 03/06/2022
O primeiro trimestre de 2022 foi de crescimento da economia brasileira. O
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 1% no primeiro trimestre do ano,
ante os três meses antecedentes, na série com ajuste sazonal, segundo o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta
quinta-feira as Contas Nacionais Trimestrais mais recentes. Foi a maior alta
desde o primeiro trimestre de 2021 (1,1%), conforme a economista do
Departamento de Contas Nacionais do instituto, Claudia Dionísio.
O desempenho da economia brasileira no período foi puxado por serviços, com a retomada das atividades presenciais no setor. Os serviços representam 70% do PIB do país

O resultado veio em linha da mediana das estimativas de 82
consultorias e bancos ouvidos pelo Valor, que apontava para crescimento de 1%
no período, na série com ajuste. As projeções iam de queda de 1,1% a alta de
2,6%.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2021, o PIB teve
expansão de 1,7%, também em linha com a expectativa dos analistas consultados
pelo Valor.
O IBGE revisou o crescimento do PIB do quarto trimestre de
2021, de 0,5% para 0,7%.
Oferta
Pelo lado da oferta, a indústria cresceu 0,1% de janeiro a
março, em comparação com o quarto trimestre de 2021, resultado que veio abaixo
da expectativa de avanço de 0,4% apurada pelo Valor. Frente ao primeiro
trimestre de 2021, a indústria recuou 1,5%, mais do que o projetado pelo
mercado, que era queda de 1%.
O setor de serviços teve expansão 1% no primeiro trimestre,
ante o trimestre imediatamente anterior. A mediana das estimativas apurada pelo
Valor era de alta de 1%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2021, houve
avanço de 3,7%, sob influência da base de comparação baixa. A mediana das
estimativas ouvidas pelo Valor neste caso era de 3,3%.
Já a agropecuária caiu 0,9%, contrário à mediana das projeções coletadas pelo Valor, de um aumento de 1%. Ante o desempenho de igual período de 2021, a queda foi de 8%. A expectativa mediana pelo Valor Data era de decréscimo de 3%.

Demanda
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias subiu 0,7% no
primeiro trimestre de 2022, perante os três meses anteriores, feito o ajuste
sazonal. A mediana das expectativas coletadas pelo Valor era de um crescimento
de 1%. Frente ao primeiro trimestre de 2021, o indicador teve alta de 2,2%,
enquanto o mercado projetava aumento de 2,5%.
A demanda do governo, por sua vez, aumentou 0,1% e a
formação bruta de capital fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se
investe em máquinas, construção civil e pesquisa) diminuiu 3,5% na passagem do
quarto trimestre de 2021 para os três primeiros meses de 2022.
Analistas consultados pelo Valor estimavam alta de 0,3%
para o consumo do governo e estabilidade (0%) para a formação bruta de capital
fixo, medida de investimento dentro do PIB.
Em relação a igual período de 2021, o aumento nos gastos da
administração pública foi de 3,3%. Neste caso, a mediana das expectativas
ouvidas pelo Valor era de 1,6%.
Setor externo
As exportações cresceram
5%, enquanto as importações tiveram baixa de 4,6% no primeiro trimestre de
2022, ante o trimestre final do ano anterior.
Consultorias e instituições financeiras esperavam, segundo
a mediana, alta de 6% para as exportações e
aumento de 0,4% para as importações.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2021, as exportações tiveram
avanço de 8,1%, ante expectativa de crescimento de 8,7%, e as importações
diminuíram 11%, em meio à previsão de recuo de 3%.
Serviços em alta e agro em queda
Os serviços tiveram alta e a agropecuária registrou queda
em todas as bases de comparação do primeiro trimestre: em relação ao
imediatamente anterior, a igual período de 2021 e no acumulado em 12 meses.
A observação foi feita pela coordenadora de Contas
Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. “A agropecuária tem queda em todas as
comparações e os serviços seguem com alta e sempre com destaque em todas as
comparações.”
No primeiro trimestre, os serviços tiveram expansão de 1%
ante o quarto trimestre de 2021, de 3,7% em relação a igual período do ano
passado e alta de 5,8% no resultado acumulado em 12 meses.
Em contraponto, a agropecuária caiu 0,9% frente ao quarto
trimestre, 8% ante o primeiro trimestre de 2021 e acumulou perda de 4,8% no
resultado acumulado em 12 meses.
Por outro lado, a agropecuária sentiu os efeitos da
estiagem no Sul do país no início deste ano, que afetou principalmente a soja,
mas também outras lavouras.
Pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA),
também realizado pelo IBGE, a produção de soja totalizará 118,5 milhões de
toneladas em 2022, com redução de 12,2% em relação ao produzido no ano passado.
Pela ótica da produção, os serviços respondem por 69,8% do
PIB brasileiro. Já a agropecuária representa 8,1% do PIB. A indústria, por sua
vez, tem 22,2% do PIB.
Diante do forte crescimento da agropecuária nos últimos
anos, sua participação foi subindo. Para se ter uma ideia, essa fatia da
agropecuária era de 4,9% em 2019 e subiu para 6,8% em 2020 até chegar aos 8,1%
em 2021.
Fonte: Valor Econômico / Foto: (Shutterstock)