Publicado em: 04/05/2022
O navio MV
"Afros", que descarrega fertilizantes no berço 209 do Porto de
Paranaguá, tem chamado a atenção de quem trabalha no cais. A embarcação
funciona com velas rotatórias que reduzem o consumo de combustível e permitem
mais velocidade na navegação.
Com bandeira
das Ilhas Marshall, o navio atracou na última quinta-feira (26), vindo do porto
da Klaipeda, na Lituânia, com 48 mil toneladas de cloreto de potássio. Nesta
terça-feira (3), seguiu para a Argentina e tem previsão de voltar ao Paraná
ainda neste mês.
Segundo o
capitão Sitaras Konstantinos, este foi o primeiro graneleiro do mundo a usar um
sistema de propulsão assistida pelo vento. A embarcação possui, ainda, sistemas
inovadores que evitam derramamento de granéis, derramamento de óleo e acidentes
de trabalho.
Ele explica que
os grabs – grandes conchas em forma de garra que auxiliam a carregar e
descarregar os porões – têm um leve desnível no fechamento, não permitindo que
os granéis escorram.
Para evitar
acidentes durante o abastecimento, os ventiladores dos tanques são posicionados
acima do nível habitual. “Outros diferenciais são os testes frequentes dos
freios de guinchos que tracionam os cabos de amarração e uma passarela para que
os trabalhadores não corram riscos ao acompanhar o carregamento final do
porão”, conta.
Equipes da
Portos do Paraná visitaram o interior da embarcação para conhecer as
tecnologias aplicadas. “O Porto de Paranaguá é signatário do Pacto Global da
ONU e estuda estratégias para atrair embarcações que estejam alinhadas com
essas intenções, entre elas auxiliar na redução de emissão de gases de efeito
estufa”, destaca João Paulo Ribeiro Santana, diretor de Meio Ambiente da
empresa pública.
O ‘rotor
Flettner’ trabalha de forma parecida com as asas dos aviões, através da
sustentação criada pela aerodinâmica. Quando foi feito o teste inaugural do
navio, em 2018, a economia de combustível chegou a 12,5% no primeiro mês.
Usando 73 toneladas de combustível a menos, a embarcação reduziu a emissão de
235 toneladas de gás carbônico.
O sistema foi
desenvolvido no Reino Unido. São quatro grandes rotores verticais, cada um em
uma estrutura de carruagem, que permite que as velas do rotor sejam reposicionadas
ao longo do convés para facilitar as operações do navio.
Os rotores
funcionam usando os princípios do efeito Magnus: quando o vento passa ao redor
do rotor giratório, o fluxo de ar acelera de um lado e desacelera do lado
oposto. A diferença no fluxo de ar cria uma força de empuxo que impulsiona a
embarcação.
Ainda é
necessária uma fonte de energia para girar as velas, mas o empuxo produzido
reduz significativamente a necessidade de potência do motor, sem perder a
velocidade de operação, economizando combustível e, assim, reduzindo as
emissões de gases.
Para garantir a
eficiência energética e o ganho de velocidade, até mesmo os cantos das torres
de comando e casario têm aerodinâmica diferenciada. “Eles não têm arestas, são
arredondados, cada detalhe tem um objetivo”, revela Santana.
Em Paranaguá, a
operação do navio tem o agenciamento marítimo da Rochamar. “É um sistema muito
diferente, que desperta o interesse e mostra que existem tecnologias que
melhoram o desempenho operacional e são mais sustentáveis”, destaca Cristiano
Dias do Nascimento, coordenador da empresa.
Fonte: Portos e
Navios / Foto: divulgação/Portos e Navios